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O pai da bomba está na ativa
Correio Braziliense 20 Set 05
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Em 21 anos, usinas nucleares brasileiras geraram energia igual à produção anual de Itaipu
ABr 23 Fev 06
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Energia - Energy

Defesanet 25 Fevereiro 2006
O Globo 23 Fevereiro 2006


Irã quer ajuda do Brasil na crise nuclear

Para o presidente do Parlamento iraniano, a agência tem que responder por que o Brasil pode enriquecer urânio e o Irã não

Leonardo Valente
Enviado especial BRASÍLIA

Em visita ao Brasil, Gholam Ali Haddad Ade, o terceiro homem na hierarquia do poder no Irã, disse ao GLOBO que gostaria de ter a ajuda diplomática de Brasília na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para a resolução da crise nuclear. Para o presidente do Parlamento iraniano, a agência tem que responder por que o Brasil pode enriquecer urânio e o Irã não. Ele disse ainda que não há meios de reaproximação entre Teerã e Washington e que o projeto dos EUA de levar a democracia à região é inútil. Gholam Ali não acredita que o mundo viva um choque de civilizações, mas aconselha todos os que querem a paz, islâmicos ou não, a pressionar a Dinamarca por causa das charges de Maomé, para que agressões ao Islã não se repitam.

O Brasil também foi alvo da desconfiança internacional por causa de seu programa nuclear. No entanto, conseguiu a aprovação da AIEA para o enriquecimento de urânio. O Irã se ressente da posição da comunidade internacional de que o Brasil pode e o Irã não?

GHOLAM ALI: Não temos nada contra o programa nuclear brasileiro. Acreditamos que todos os Estados têm o direito, como estabelece a AIEA, de desenvolver programas nucleares para fins pacíficos. Todos os países, na nossa opinião, devem aproveitar as oportunidades que a tecnologia nuclear oferece para a produção de energia e outros fins pacíficos. Trata-se de um desenvolvimento necessário. Agora, a agência tem que responder porque aceita o programa do Brasil e não o do Irã.

A experiência que o Brasil obteve no relacionamento com a AIEA poderia ser útil ao Irã?

GHOLAM ALI: Gostaríamos de ter a ajuda diplomática do Brasil para a resolução do impasse com a agência internacional. Não temos interesse em intercâmbio com os brasileiros na área nuclear, mas a ajuda nas negociações é bem-vinda. Isso porque hoje o problema é com o Irã, mas amanhã pode ser com qualquer outro país, inclusive o Brasil. Portanto, a ajuda de países que já têm programas nucleares ativos seria muito útil. Juntos, com os meios jurídicos internacionais disponíveis, os Estados que já desenvolvem a energia nuclear podem dar um fim positivo a esse impasse, contribuindo para a paz mundial.

Os países que insistem que novos programas nucleares sejam exclusivamente para fins pacíficos são exatamente os que possuem quase a totalidade das bombas atômicas hoje existentes. Na sua opinião, todos os países têm direito de desenvolver armas atômicas ou essa é uma prerrogativa exclusiva das grandes potências?

GHOLAM ALI: Independentemente do que é de direito ou não neste caso, o que temos a dizer é que o Irã não tem e nunca teve o projeto de desenvolver armas nucleares. Mesmo que esse seja um direito nosso, não há vontade de se produzir esse tipo de armamento. E isso já foi manifestado diversas vezes, em diferentes ocasiões. Está claro.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, declarou esta semana que pediu ao Congresso dos EUA US$ 75 milhões para promover a democracia no Irã. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

GHOLAM ALI: Isto não é necessário, é inútil. Vivemos neste momento numa democracia. O objetivo dos EUA quando falam em democracia não é promover valores democráticos e sim seus interesses e os de seus aliados. Eles só aceitam democracias que estejam de acordo com seus interesses. Se é esse o tipo de democracia que os EUA querem para o Irã, não vão conseguir. O povo iraniano já sofreu com muitas opressões dos EUA.

O Irã reagiu com rigor às publicações das charges do profeta Maomé. Esse incidente mostra que o Ocidente e os países islâmicos estão em colisão?

GHOLAM ALI: Não concordamos com as idéias de Samuel Huntington, autor de “O choque de civilizações”. Ao contrário do que ele prega, acreditamos num caminho de diálogo entre as civilizações. Mas todas as pessoas que querem paz no mundo, islâmicas ou não, têm que pressionar o governo dinamarquês e os de outros países que publicaram as charges. Se queremos evitar que o contato entre as civilizações seja um choque terrível, o mundo cristão deve apresentar sua solidariedade ao mundo islâmico nesta questão.

Depois de Israel informar que não vai transferir o dinheiro de impostos para o Hamas, o Irã anunciou que vai ajudar os palestinos. Essa parceria vai se estreitar ainda mais?

GHOLAM ALI: O Irã vai ajudar o Hamas no que for preciso, o povo muçulmano e as nações islâmicas também vão ajudar.

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Urânio produzido em escala industrial
http://www.defesanet.com.br/energia/cb_nuclear.htm

Programa Nuclear da Marinha do Brasil - 12 Novembro 2003
http://www.defesanet.com.br/noticia/programanuclearmarinha.htm

Ministro de C&T ( Roberto Amaral), quer priorizar áreas espacial e Nuclear (Entrevista que deu origem à polêmica sobre armas nucleares) 10 Jan 2003
http://www.defesanet.com.br/dn/10JAN03.htm

Sarney mentiu sobre bomba atômica - 8/10 Agosto 2005
http://www.defesanet.com.br/notas/brasil_nuclear.htm

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