Petrobras
se arma para
embate jurídico na Bolívia
Sob
os refletores, a Petrobras tenta esgotar todos os recursos
diplomáticos para resolver a contenda com o governo
boliviano. Por detrás das cortinas, porém,
a estatal prepara-se para o pior dos cenários. Há
pelo menos 15 dias, assessores de Ildo Sauer, diretor de
gás e energia, e de Nestor Cerveró, diretor
da área internacional, estão debruçados
na elaboração de um plano B, que passa a léguas
de distância da diplomacia.
O
contra-ataque inclui cancelamento de investimentos, ações
na Justiça e uma acirrada batalha nas negociações
dos preços do gás. Nos últimos dias,
a diretoria da Petrobras manteve gestões com Shell,
Prisma, Total, El Paso e BG, seus sócios na TBG e
na GTB, responsáveis pelo transporte de gás
pelo Bolívia-Brasil. A aproximação
com estas empresas atende a dois objetivos principais.
Caso
persista o impasse com o governo boliviano, a Petrobras
articula uma frente para que todos os controladores das
duas transportadoras entrem com ações conjuntas
tanto no Brasil como no país andino. Além
disso, a Petrobras quer costurar um acordão com seus
sócios de modo a assegurar que não haverá
qualquer mudança na composição acionária
das duas empresas e, muito menos, nos contratos já
acertados com a Bolívia.
No
entendimento da estatal, o fortalecimento das relações
entre os controladores da TBG e da GTB dificultará
ainda mais os planos intervencionistas do governo de Evo
Morales. Seja por decisão estratégica, seja
para pressionar o governo boliviano, a Petrobras já
mostrou nas entrelinhas que vai cancelar a expansão
do Bolívia-Brasil, seu
maior investimento no país.
Pelos
cálculos da companhia, a suspensão do projeto
e a conseqüente redução da oferta de
gás no Brasil representariam um prejuízo da
ordem de US$ 200 milhões em receita pelos próximos
dois anos. Ainda assim, para a empresa, as perdas serão
menores do que se aceitar as imposições do
governo boliviano.
Na
área internacional da Petrobras, já existe
um grupo de trabalho que estuda novos cenários caso
a estatal venha mesmo a cancelar os investimentos na Bolívia,
inicialmente orçados em US$ 1 bilhão. Uma
das tarefas é definir projetos nos quais a companhia
possa alocar estes recursos e, com isso, evitar uma crise
de desabastecimento de gás no Brasil. Uma das idéias
é transferir parte dos investimentos para a exploração
e produção do insumo no país.
Outra
empreitada vista com bons olhos na empresa é a construção
de dois gasodutos, ligando o Brasil ao Peru e à Venezuela.
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