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Asfixia
Energética
Em
tom desafiador, Morales diz que
exploração da Bolívia acabou
Por
Jason Webb
VIENA
(Reuters) - O líder de esquerda boliviano, Evo Morales,
iniciou sua primeira visita à Europa como presidente
nesta quinta-feira com promessa de encerrar o que ele chamou
de séculos de "pilhagem" estrangeira em
seu país.
Na
chegada da cúpula de líderes europeus e da
América Latino em Viena, Morales não se mostrou
disposto a indenizar companhias estrangeiras que atuam na
Bolívia, como a espanhola Repsol e a brasileira Petrobras
entre outras, pela nacionalização de suas
operações na Bolívia em 1o de maio.
"Por
mais de 500 anos nossos recursos naturais foram saqueados
e nossas matérias-primas exportadas. Isto tem de
acabar agora", disse Morales, que ganhou as eleições
de dezembro prometendo usar os recursos naturais do país
para ajudar a maioria pobre.
As
empresas estrangeiras deverão apenas ser indenizadas
por ativos expropriados pelo Estado, mas não pela
perda de concessões de operações desde
que elas tenham recuperado seus investimentos via lucros,
acrescentou ele.
Ele
rejeitou sugestões de que deveria ter consultado
investidores ou governos vizinhos antes de anunciar a decisão
de nacionalizar os setores de gás e petróleo
da Bolívia.
"Não
há razão para que eu devesse ter perguntado
e consultado sobre políticas soberanas de um país",
disse ele.
A
nacionalização trouxe tensão para as
relações com Brasil e Argentina, cujos governos
mantinham laços cordiais com Morales, bem como para
o relacionamento com companhias petrolíferas estrangeiras.
"Não
há porque pensar em indenização",
disse Morales. "Se tivéssemos expropriado bens
ou tecnologia teríamos que indenizar, mas neste caso
não estamos expropriando."
VENEZUELA
SE ENFURECE
O
encontro na sexta-feira também vai tratar do desenrolar
da decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
de deixar a Comunidade Andina de Nações (CAN).
Isso
atrapalhou efetivamente as negociações comerciais
planejadas entre o bloco e a União Européia.
O
presidente boliviano disse que escreveu ao sue amigo Chávez
pedindo que ele reconsiderasse sua decisão.
A
Venezuela está irritada com as conversas comerciais
entre os membros da comunidade andina Colômbia, Peru
e Equador e os Estados Unidos, cuja influência na
região Chavéz desafia.
Morales
também disse que escreveu à Colômbia,
Peru e Equador, solicitando que revejam os acordos comerciais
com os EUA, medida que dificilmente deverá ser aceita
por eles.
Outra
dura questão para Morales em Viena é convencer
a União Européia a legalizar o uso de folha
de coca, que é plantada tradicionalmente nos Andes
como estimulante há milhares de anos, mas também
é a matéria-prima para a produção
de cocaína.
Morales
enfureceu os EUA ao condenar suas políticas forçadas
de erradicação das plantações
de coca, embora ele tenha dito que vai continuar combatendo
o contrabando de cocaína.
"Nós
temos de reconhecer o valor da folha de coca", afirmou
Morales, destacando que a planta tem propriedades medicinais.
Em
discussão acalorada com jornalistas brasileiros sobre
a nacionalização dos setores de gás
e petróleo da Bolívia, Morales afirmou que
a Petrobras -- maior investidora estrangeira no país
andino-- estava operando de forma "ilegal" e "inconstitucional"
na Bolívia.
Na
quarta-feira, a estatal boliviana YPFB disse que a Bolívia
iria indenizar a Petrobras pela expropriação
parcial de duas refinarias de petróleo, de preferência
pagando com gás natural.
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