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Defesa
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NACIONALIZACIÓN
DE HIDROCARBUROS
DECRETO
SUPREMO Nº 28701
Texto
completo del Decreto Supremo Nº 28701
de Nacionalización de los Hidrocarburos
Link
Nota
dos Pesidentes em Puerto Iguazú
04 Maio 06
Link
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Estudo
sobre fontes de Petróleo 2 MB pdf
Nota Oficial
INVESTIMENTOS
DA PETROBRAS
NO MERCADO DE GÁS NATURAL
Petrobras 24 Agosto 2005
Link
Lula apóia Morales
e vê erro
estratégico em dependência
FSP 04 Maio 06
Link
Chávez
afirma estar "às ordens" da Bolívia
FSP
04 Maio 06
Link
Gen. Lessa: Lula subestimou o assunto
OESP 04 Maio 06
Link
Petrobras diz que não aceita aumento do gás
FSP 04 Maio 06
Link
PDVSA
inicia ofensiva em La Paz
OESP 05 Maio 06
Link
Decreto de Evo só atinge Petrobrás
OESP 05 Maio 06
Link
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Defesanet
09 Maio 2006
Tribuna da Imprensa 05 Maio 2006
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O
custo da imprevidência
Gen
Ex Luiz Gonzaga Schroeder Lessa
Presidente do Clube Militar
Não
é possível acreditar nas declarações
de altos funcionários do governo brasileiro de
que foram surpreendidos com a decisão boliviana
de nacionalizar todas as atividades relacionadas com o
petróleo.
Os
dados estavam bem à mostra e se providências
não foram tomadas em tempo hábil é
porque não houve vontade política para tanto,
prevalecendo a imprevidência que colocou o Brasil
numa encruzilhada em que todos os caminhos que se lhe
abrem ferem os interesses nacionais.
O
império da imprevidência parece que esteve
presente em todas as etapas que culminaram na atual crise.
Não é concebível que um governo resolva
construir gasoduto tão importante, nele invista
uma fábula de recursos, dele faça depender
grande parte da economia nacional e não considere
as condições históricas e muito particulares
que cercam a evolução política da
Bolívia e que desaguam num quadro de crônica
instabilidade político-institucional.
Imprevidência
e ingenuidade em considerar que somos povos irmãos,
amigos inseparáveis, sócios no infortúnio
e na espoliação pelo capital internacional,
capazes de contornar todos os obstáculos, quando
a história confirma, todos os dias, que um sólido
relacionamento entre estados independentes não
se faz em torno de amizades fortuitas e frágeis
identidades culturais, mas na satisfação
de interesses recíprocos que levem ao progresso
na sua ampla dimensão econômica e social.
Imprevidência
em avaliar que identidades ideológicas momentâneas
entre os governos brasileiro e boliviano pudessem superar
as tensões e os óbices que naturalmente
aflorariam e se constituíssem em milagroso antídoto
a manter sempre cordiais e harmônicas as nossas
relações.
Imprevidência
- quanta ingenuidade! - em julgar que a Petrobras era
uma multinacional "boazinha", diferente das
demais, que só queria o lucro e o desenvolvimento
da Bolívia, e que pela sua importância e
projeção no PIB boliviano seria invulnerável
a qualquer ação mais enérgica que
prejudicasse os seus negócios. É difícil
compreender como a Petrobras fez investimentos tão
altos no país vizinho sem considerar a viabilidade
de associações e de "joint ventures"
com a YPFB, o que poderia compensar os riscos das crises
políticas futuras que, forçosamente, teriam
que ser previstos no quadro da instabilidade boliviana.
Imprevidência
em negligenciar as fontes de suprimento internas, já
dimensionadas nas bacias de Santos, Campos, Espírito
Santo e Urucu, e promover a integração da
malha de dutos norte-nordeste-sudeste que poderiam oferecer
uma alternativa válida e uma resposta confiável
para a crise que enfrentamos.
Pouco
adianta o governo dizer que não existirá
crise no abastecimento, quando sabemos que os fatores
da decisão não estão em mãos
brasileiras e sim bolivianas. As reservas de gás
situam-se no centro da Bolívia, sem nenhum possível
controle da nossa parte. É preciso encarar com
toda seriedade a gravidade da situação.
Corremos, sim, risco enorme de desabastecimento e de alta
desproporcional no preço do gás, com conseqüências
imprevistas para a economia e para o bolso do cidadão
que, estimulado pelo governo, acreditou na sua política.
Todos
sabemos das vantagens e riscos dos investimentos binacionais.
Podem concorrer para a integração continental,
mas, por outro lado, são permanentes focos de tensão
a exigir cuidados especiais da diplomacia.
Temos
bem vívidas nas nossas lembranças as pressões
argentino-paraguaias quando da construção
da usina hidrelétrica de Itaipu. Hoje superamos
as dificuldades, somos sensíveis aos freqüentes
reclamos dos nossos parceiros e criamos mecanismos ágeis
para a solução de controvérsias.
A
Bolívia é um país soberano. Soberana
e indiscutível é a sua decisão de
nacionalizar todas as atividades relacionadas com o petróleo.
Não há como deixar de reconhecer este fato
básico.
Mas,
também, é preciso defender o direito brasileiro
de ser ressarcido em todos os seus investimentos, direito
garantido à luz de obrigações internacionais
firmadas com o mais legítimo suporte jurídico.
A
decisão não pode ser unilateral. Não
podemos ficar de joelhos, humilhados. A crise terá
que ser, necessariamente, negociada com a força
do direito, avaliando-se todas as suas variáveis,
que, também, muito beneficiam a economia boliviana
e o seu povo. Nós precisamos comprar o gás,
mas os bolivianos precisam vendê-lo.
As
negociações deverão ser fraternas
e sinceras entre parceiros que construíram as suas
histórias na tolerância, no entendimento
e no respeito mútuo.
O
interesse brasileiro não pode ser menosprezado
e posto de lado como está parecendo. A nota emitida
pelo Palácio do Planalto é vergonhosa, débil
e não está à altura da situação.
Faz muito mais a defesa da Bolívia do que do Brasil.
O Brasil não pode ficar refém da Bolívia
e submisso aos caprichos demagógicos dos seus dirigentes.
Não
há como esconder os fatos. Sofremos uma agressão
econômica inominável, que o governo do presidente
Lula tenta minimizar pelo apoio ostensivo que deu a Evo
Morales. Ficaram, também, patentes o desprezo para
com o nosso País e a desconsideração
ao seu presidente, até então considerado
um amigo fraterno.
A
falta de apoio do governo federal à Petrobras,
desde o início da crise, deixando-a isolada no
trato de assunto de tal magnitude, é mais um tremendo
erro estratégico a quantificar e do qual o governo
não pode se furtar. Deixou muito mal o Itamaraty
pela sua quase incompreensível inação.
Em
toda a avaliação da crise boliviana faltou
ao governo brasileiro visão estratégica
para antevê-la e gerenciá-la, preservando,
conforme prevê a Política
de Defesa Nacional (Dec. nº 5484, de 30 de junho
de 2005), "a defesa dos interesses nacionais
e das pessoas, dos bens e dos recursos brasileiros no
exterior".
Não
seria o caso do presidente Lula convocar o Conselho de
Defesa Nacional e, em assim o fazendo, avaliar apropriadamente
a gravidade da situação, oferecer alternativas
à crise e demonstrar ao sr. Evo Morales o nosso
respeito à decisão soberana da Bolívia,
mas, igualmente, dele exigir a preservação
do interesse nacional brasileiro?
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