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Defesanet
27 Maio 2005
Zero Hora 26 Maio 2005
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O
Brasil não é refém do gás boliviano"
Entrevista: Marco Aurélio Garcia, enviado
de Lula à Bolívia
RODRIGO LOPES
Enviado
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a La Paz para mediar
a crise na Bolívia, o assessor especial para Assuntos Internacionais
da Presidência, Marco Aurélio Garcia (foto), está
preocupado com a dificuldade de encontrar uma situação
negociada entre governo e oposição bolivianos.
-
Estamos preocupados com o risco de desestabilização
política e institucional - disse ontem, em entrevista por
telefone a Zero Hora, de La Paz, enquanto se dirigia para um encontro
com o presidente Carlos Mesa.
Leia
os principais trechos da conversa:
Zero
Hora - Que avaliação o senhor faz da sua missão
na Bolívia?
Marco
Aurélio Garcia - É uma situação complicada.
Há uma divergência muito forte nos projetos das forças
políticas. A isso, somam-se as manifestações
de rua. O problema maior é saber se haverá como
encontrar um denominador comum para todos os projetos. Expusemos
a nossa posição de insistir na necessidade de se
encontrar uma solução negociada para o conflito
e a disposição brasileira de ajudar.
ZH
- Com quem o senhor se encontrou?
Garcia
- Comecei com uma conversa com o presidente Mesa e hoje (ontem)
me encontrarei com ele de novo. Reuni-me com o Movimento Nacional
de Empresas Recuperadas (MNER), com Evo Morales, do MAS (Movimento
Ao Socialismo), e com empresários de Santa Cruz de la Sierra.
Estive com os ex-presidentes Jorge Quiroga e Jaime Paz Zamora.
ZH
- O senhor está em La Paz como enviado oficial do governo
brasileiro para mediar a crise?
Garcia
- Eu vim enviado pelo presidente Lula. A nossa missão não
deve ser confundida com pressão em torno das questões
de abastecimento de gás ou da nova lei de petróleo.
Estamos preocupados com o risco de desestabilização
política e institucional do país.
ZH
- A situação da Petrobras foi discutida?
Garcia
- Investimentos que pensávamos fazer e que seriam de grande
importância para economia boliviana ficarão suspensos
até que um quadro mais estável seja definido. Por
outro lado, quisemos transmitir que o governo brasileiro não
é refém do gás boliviano. Ou seja, nós
resolvemos perfeitamente nossos problemas sem o gás boliviano.
ZH
- O governo aceita a mediação brasileira?
Garcia
- Todos saudaram a iniciativa do governo brasileiro de enviar
um emissário. Eles acreditam que, a negociação
se fazendo necessária, o Brasil poderá ter um papel
positivo, assim como também a Argentina.
ZH
- O senhor viu alguma manifestação?
Garcia
- Eu vi as manifestações pela TV. Fui atingido indiretamente
por elas, porque o encontro que teria com autoridades católicas
foi prejudicado.
ZH
- O presidente Mesa se mostrou preocupado com um golpe?
Garcia
- Hoje houve um pronunciamento de dois oficiais. Mas eles não
têm representatividade. Não vejo risco real de um
golpe de Estado.