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Cearense
registrou primeira patente de produção de
biodiesel em todo o mundo
A primeira patente mundialmente registrada de um proc esso
de produção industrial de biodiesel foi registrada
por Expedito Parente, 65, engenheiro químico cearense.
A
transesterificação, então patenteada
por Parente, é, ainda hoje, o principal processo
industrial utilizado no país para a fabricação
do biodiesel. A primeira usina a operar em escala comercial
na região do semi-árido nordestino, em Floriano
(PI), por exemplo, tem Parente como consultor.
A
idéia para a descoberta, lembra ele, não se
deu no ambiente de um laboratório de alta tecnologia,
ou no escritório de uma megaempresa multinacional.
Veio da observação de uma vagem do ingazeiro,
segundo ele, semelhante à molécula do biodiesel.
Nestes
tempos em que o barril de petróleo beira US$ 70 e
os países ricos devem cumprir compromissos políticos
de diminuir suas emissões de gases responsáveis
pelo aquecimento global, o país redescobre-se vanguarda
no campo dos biocombustíveis. Nesta entrevista, concedida
no modesto escritório da Tecbio, a empresa que Parente
criou dentro do Núcleo de Tecnologia da Universidade
Federal do Ceará, o professor conta a história
de uma invenção que esperou 30 anos para revolucionar
o país.
Agência
Brasil - Como surgiu a idéia de um diesel desenvolvido
a partir do óleo vegetal?
Expedito
Parente - Em 1977, eu trabalhava na Universidade Federal
do Ceará com tecnologia, com processos de produção
de álcool a partir de matérias-primas não
convencionais, basicamente de celulose e de materiais como
mandioca, batata. Isso me causava certa estranheza, porque
eu via que, com o Proálcool, nós estávamos
resolvendo o problema errado. Por quê? Porque a matriz
energética dos combustíveis brasileiros deve
contemplar o transporte, que é feito com óleo
diesel. O álcool é para veículo de
passeio.
O
Proálcool surgiu por uma necessidade de mercado.
Na época, o açúcar estava muito barato,
e os usineiros precisavam de alternativas. Então,
o programa do álcool não nasceu pela necessidade
energética. E contemplava veículos leves,
quando o Brasil precisava de um combustível para
veículos pesados e máquinas agrícolas.
ABr
- Como o senhor chegou à formula do biodiesel?
Parente
- Um certo dia, em 1977, eu estava no meu sitio, em
Pacoti, aqui na serra, sozinho tomando uma cachaça
na beira de uma cachoeira e debaixo de um ingazeiro. De
repente, olhando para uma vagem de ingá, eu vi a
molécula do biodiesel. Era assim, comprida, lá
dentro tinha uns grãos ligados... Aquilo tem óleo...
Tudo aquilo, aquele arquétipo da natureza fomentou
a molécula do biodiesel, com os ésteres de
ácidos graxos. Isso foi num sábado. E aí,
pronto, a coisa ficou na minha cabeça remoendo...
Na
segunda feira, quando cheguei no laboratório, eu
fiz a síntese a partir do óleo de algodão,
que era o óleo que tinha, porque se usava naquela
época para cozinhar. E examinando a substância,
eu verifiquei que a viscosidade e as características
aparentes se assemelhavam às do óleo diesel.
Então eu fiz um ensaio de combustão num algodão.
Aí eu vi que queimava muito bem, e a chama era muito
bonita, muito viva. Então, durante a semana, eu produzi
dois litros desse combustível.
ABr
- Como o sr. testou o funcionamento do biodiesel num motor?
Parente
- Havia um cidadão aqui no Ceará que já
tinha mais de 80 anos na época, Bernardo Gondim.
Ele era um prático, um mecânico com um conhecimento
muito grande de motores e gostava muito de coisas não
convencionais. Então eu pedi a ele que me arranjasse
um motorzinho pequeno para experimentar o combustível.
Ele me mostrou um que ele tinha lá, que era muito
velho, não funcionava direito nem com óleo
diesel. Ele me ofereceu, mas avisou: "Não vai
funcionar".
ABr
- Funcionou?
Parente
- Funcionou perfeitamente com o biodiesel. E o Bernardo
disse pra mim: "Professor, se esse motor conseguiu
funcionar com o seu combustível, então é
porque esse seu combustível é muito bom, é
melhor que óleo diesel". Isso me incentivou
a prosseguir com os testes. Nos dois primeiros anos, eu
trabalhei muito nesses testes, usando outros óleos
vegetais, como babaçu, soja... A mamona, não,
porque eu achava que o óleo da mamona deveria ser
reservado para biolubrificantes.
ABr
- O sr. procurou alguma parceria, alguém que financiasse
a produção?
Parente
- Em 1980, quando eu já tinha concluído
essa fase de pesquisas, eu arranjei uma grande parceria,
com um grande banqueiro de São Paulo chamado Amedeu
Augusto Papa, que era dono do Banco Lavra. Juntos, nós
criamos uma empresa que se denominou Proerg Produtora
de Sistemas Energéticos Ltda. O objetivo era dar
agilidade ao desenvolvimento do biocombustivel.
Aí,
nós partimos para requerer a patente e construímos
um protótipo de produção que poderia
obter 100 litros por dia, ou melhor, em 8 horas. E aí
começamos a testar em veículos mesmo. Testamos
vários, mas o que usamos mais foram aqueles jipes
Bandeirante da Toyota. O lançamento oficial do nosso
Prodiesel foi com os veículos da Coelce, a Companhia
de Eletricidade do Ceará.
ABr
- Era a sua versão do Proalcool?
Parente
- Só que nós íamos mais longe. Já
naquela época, a gente tinha concebido toda a cadeia
produtiva integrando as atividades agrícolas, com
a geração de emprego, as transversalidades
com o setor de alimentos. Tudo isso de que se fala hoje,
naquela época já estava previsto no nosso
projeto.
Inventor
brasileiro do biodiesel também criou vaca mecânica
e bioquerosene para aviões
ABr
- Na época da invenção do biodiesel,
vocês fizeram contato com o governo?
Parente-
Bem, o Amedeu Papa (banqueiro que era sócio de Parente)
era muito do amigo do então ministro da Aeronáutica,
brigadeiro Délio Jardim de Mattos, que conheceu o
projeto e colocou o CTA (Centro Tecnológico da Aeronáutica),
em São José dos Campos, à nossa disposição.
Ali foram realizados testes aprofundados nesse combustível.
Isso nos dava o carimbo de uma das instituições
de pesquisas mais importantes do hemisfério sul.
Só que aí eu cometi uma das maiores irresponsabilidades
da minha vida.
ABr - Como assim ?
Parente - O ministro Délio disse que não
queria se envolver muito com o biodiesel, porque o combustível
da Aeronáutica não era o diesel, mas a querosene
de aviação. E que ele se interessaria se fosse
um bioquerosene. Eu então virei pra ele e disse:
"Pois ministro, o seu bioquerosene de aviação
vai sair".
Eu me comprometi a assinar um protocolo, garantindo que
ia desenvolver o bioquerosene de aviação e
que o biodiesel seria um subproduto. Eu cometi essa irresponsabilidade!
Mas, como sou uma pessoa de muita sorte, logo em seguida
eu concebi o querosene que passou a ser o nosso carro-chefe.
Era o prosene.
ABr
- Vocês chegaram a testar esse prosene?
Parente
- Primeiro, nós fizemos ensaios em turbinas estacionadas,
em bancada. Depois de muitos testes, nós decidimos
fazer o teste num vôo. Usamos um Bandeirante, da Embraer,
que saiu de São José dos Campos no dia 23
de outubro de 1984. Era o Dia do Aviador. E voou até
Brasília. Eu quis ir nesse avião, mas me foi
negado o acesso, porque eu não era militar. Eles
fizeram questão de voar só com o prosene,
sem uma gota de combustível de petróleo. O
tanque estava cheio de querosene vegetal. E isso foi fantástico,
porque lá em cima não tem acostamento, não!
ABr
- Quer dizer que o prosene deu certo, então?
Parente
- Sim, o vôo foi um sucesso. Eu ganhei uma das mais
altas condecorações da Aeronáutica,
que é a Medalha do Mérito. Como se tratava
de um combustível estratégico o avião
inclusive voava mais alto , eu cedi a patente para
a Aeronáutica. Evidentemente, não era o momento
para o desenvolvimento do projeto. Era final de governo.
Aí terminou o nosso contrato. E tudo isso foi encerrado.
ABr - O sr. acha que houve alguma injunção
política nisso?
Parente - Não. Não creio. O país
não estava motivado. Além disso, a produção
de petróleo do país começou a crescer,
o preço do petróleo caiu. E a Petrobrás
não deu a mínima bola para o combustível,
apesar de eu ter procurado a empresa muitas vezes. Na verdade,
eles nunca deram realmente valor, não enxergaram.
ABr - E o projeto morreu, então.
Parente - É, mas em 1991 a Alemanha e a Áustria
ressuscitaram a idéia. E aí a Europa passou
a produzir o biodesel.
ABr - Com a sua patente?
Parente - Era o mesmo processo. No entanto, a minha
patente caducou em 1991, no ano em que eles começaram.
Eu nem estava sabendo. Na verdade, eu já tinha mudado
o foco, quando eu vi que a idéia do biodiesel tinha
sido frustrada em 84.
Naquela época, o Nordeste enfrentava um período
de seca que já durava cinco anos, com o povo morrendo
de fome no interior. Então mudei o foco: por que,
em vez de pensar em combustível para máquina,
eu não vou pensar num combustível para gente,
que é o alimento? Aí eu passei a me interessar
pelo leite de soja.
Um fato que me inspirou foi que nessa época eu adotei
uma menina. Eu só tinha filho homem, então
adotei uma menina, a Livia, que tinha um ano e meio. Ela
tinha sido abandonada pelos pais na época da seca
e estava morrendo de fome. E foi por causa dela que eu me
voltei para o problema. E eu comecei a pensar na solução.
ABr - E encontrou?
Parente - Eu desenvolvi uma máquina para fazer
leite de soja que eu chamei de vaca mecânica. Já
existia uma na Universidade de Campinas (SP). Nós
apresentamos um modelo aperfeiçoado, que fazia não
só leite de soja, mas sopas e sucos de qualquer matéria-prima
alimentícia. Eu fiz essa máquina e nós
viajamos pelo interior. Eu tirei férias e fomos até
os Inhamuns, que era a capital da fome. A gente saiu levando
a máquina a reboque no carro. Não era muito
grande, media 2,2m por 0,8m. E se chamava Amélia,
"a mulher de verdade", que alimentava gente.
Usávamos um quilo de soja para fazer oito litros
de leite. Dava pra fazer leite para 1.500 pessoas num dia.
Nós fomos até Picos, no Piauí. O problema
é que, quando nós chegamos lá, estava
todo mundo esperando, o prefeito tinha anunciado. Tinha
30 mil pessoas para ver a máquina. E só tinha
leite pra 3 mil pessoas. Aí invadiram o recinto,
quebraram a máquina e a gente acabou virando assunto
de uma reportagem do Gervásio de Paulo, com o titulo
"Amélia no Pais da Fome".
ABr - Foi o fim da Amélia?
Parente - Não. Franco Montoro, que era governador
de São Paulo, na época, me convidou para implantar
o projeto, para a merenda escolar. Eu transferi a tecnologia
para uma metalúrgica, a Ceil, do Ceará, que
passou a produzir esse equipamento. Eles faziam 30 equipamentos
por mês. Aí o projeto se espalhou pelo Brasil.
Nós produzimos cerca de 700 máquinas. E exportamos
umas 50. Só em São Paulo, segundo nosso controle,
chegaram a tomar leite de soja cotidianamente 3 milhões
de crianças. Eu posso dizer que nós introduzimos
o leite de soja no hábito alimentar brasileiro.
ABr - E o que aconteceu depois?
Parente - Depois eu fui para o Piauí, a convite
do governador Alberto Silva. Lá, nós montamos
uma fábrica de alimentos que fazia cerca de 700 mil
merendas escolares por dia. A gente fazia oito tipos de
produtos que compunham a merenda: macarrão, sopas
desidratadas. Foi uma grande experiência, que infelizmente
acabou quando terminou o governo do Alberto Silva.
ABr - A velha questão da descontinuidade das políticas
públicas...
Parente
- Esse foi o grande problema da vaca mecânica.
E é o que sempre acontece. Os governos que se sucedem
abortam os projetos do governo anterior. É um grave
erro da administração brasileira, e você
pode denunciar isso. Mas felizmente está servindo
de exemplo para um projeto que nós estamos introduzindo
no Brasil, que é o Biodiesel Municipal.
ABrl
- Depois do período em que a idéia ficou esquecida
no país, como foi o retorno do projeto do biodiesel?
Parente
- Há cinco anos, quando acabou a experiência
de produção de merenda escolar no Piauí,
eu voltei para Fortaleza para "ressuscitar" o
biodiesel a partir do sucesso que ele estava tendo na Europa.
Nós passamos a ver o biodiesel dentro de uma feição
diferente, considerando suas externalidades e suas transversalidades.
Nós fizemos aprofundadas reflexões sobre o
conceito de biodiesel.
A
primeira coisa que mudou foi o nome, que era Prodiesel,
por causa do Proálcool. Passou a ser biodiesel, como
já estava sendo chamado na Europa. Mas a grande mudança
foi no foco. Nós começamos por colocar no
conceito o homem e a natureza. Então, o biodiesel
deixou de ser simplesmente um sucedâneo do óleo
diesel mineral e passou a ser algo muito maior.
Passamos
a ver o biodiesel como instrumento de inclusão social
e de limpeza da natureza. Foi aí eu optei pela mamona.
É uma espécie vegetal que dá em qualquer
lugar, ela se presta para o semi-árido e para a agricultura
familiar. Tem o poder de acabar com a miséria do
Nordeste. Essa é a proposta da Tecbio. Mas a idéia
não é só minha. Eu tive um grande parceiro
para isso, que foi o senador Alberto Silva (PMDB-PI). Ele
é um visionário.
ABr
- Qual foi o papel dele?
Parente
- Ele me provocou: é possível fazer biodiesel
de mamona? Aí nós começamos a discutir.
E dessa discussão acabou nascendo a idéia
da fábrica que nós montamos lá em Floriano
(PI), que o presidente Lula inaugurou agora em agosto. É
uma usina que processa o óleo da mamona e transforma
em biodiesel. Claro que ainda não começou
a distribuição do biodiesel, mas, a partir
de 2008, será obrigatória a adição
de 2% de biodiesel ao óleo diesel. Parece pouco percentualmente,
mas, em quantidade, é muita coisa. São pelo
menos 800 milhões de litros por ano. Esse já
é um desafio inicial.
ABr
- Nós não corremos o risco de repetir o problema
do álcool, com a proliferação de plantações
imensas, latifúndios, monocultura?
Parente
-
Em primeiro lugar, o Programa Brasileiro de Biodiesel deve
ser alguma coisa dez vezes maior do que o Proalcool. E eu
vou lhe dar as razões, que eu já mencionei:
as externalidades e as transversalidades. O biodiesel tem
condições de empregar, de gerar renda, de
promover a limpeza ambiental, porque não polui. Essas
são as externalidades. E as transversalidades são
as seguintes: em primeiro lugar, envolve o setor de alimentos,
porque toda oleaginosa, sem exceção, é
composta de duas porções: a porção
lipídica, que é o óleo, e a porção
protéica, que resulta em alimentos. Produzir biodiesel
implica necessariamente em produzir alimentos.
Serve
pra fazer ração, que serve para criar frango,
produzir ovos. Serve para criar animais e produzir carne,
leite. E também se pode usar a torta (porção
separada do óleo, após o esmagamento) como
biofertilizante. Isso significa agricultura, frutas, verduras.
Ora, as duas maiores necessidades do mundo são diesel
e alimentos.
ABr
- Por que o diesel?
Parente
- Porque o diesel é o combustível produtivo.
Os motores movidos a diesel produzem eletricidade, movem
tratores na agricultura, caminhões no transporte
de cargas, ônibus, trens, navios. Não é
como o álcool, que só serve para veiculo de
passeio. Esse é um lado. Mas tem um outro, que é
o lado internacional. Das relações internacionais.
De equilíbrio internacional.
ABr - Como o biodiesel se relaciona a esse equilíbrio
internacional?
Parente
- A Amazônia tem cerca de 100 milhões de hectares
de terras em degradação, por causa do desmatamento.
São terrenos de solo raso, que se prestam a culturas
permanentes. Nós temos que fazer ali um reflorestamento
enérgico, com cultura de palmáceas, evidentemente
tendo o cuidado de manter a floresta equilibrada ecologicamente.
Isso é feito mesclando as espécies que são
de lá mesmo. Nós já testamos mais de
cem oleaginosas da Amazônia que podem produzir biodiesel.
ABr
- É suficiente para produzir muito mais do que o
que o Brasil necessita, não?
Parente
- Esse reflorestamento tem fôlego para abastecer toda
a Europa em combustível. Eu já disse a eles,
este ano, lá no parlamento alemão. Eles estão
muito interessados! O preço do barril de petróleo
vai continuar subindo. E deve passar dos US$ 100 em 2006.
Ora, isso danifica a economia européia mais do que
a americana. Será que os europeus não sabem
disso? E não estão buscando alternativas?
O Brasil será o grande parceiro da União Européia.
ABr
- Eles então consumiriam esse biodiesel produzido
na Amazônia?
Parente
-
Sim. Recursos para isso? Os fundos bilionários do
Tratado de Quioto! Uma vez produzido, o biodiesel pode ser
transportado pela calha do rio Amazonas até a Europa.
Isso é possível. É viável.
ABr
- Mas, esse seria um megaprojeto, para grandes empresas.
Como ficariam os pequenos produtores?
Parente
-
O programa tem que ter espaço para o grande e para
o pequeno. Se a gente não cuidar do pequeno, o programa
pode virar um programa de exclusão social, como aconteceu
com o Proalcool. Daí a idéia do Biodiesel
Municipal, que eu mencionei antes. É um artifício
político e um arranjo produtivo para preservar as
pequenas unidades de produção de biodiesel.
É o conceito de um poço de petróleo
em cada município. É o petróleo verde!
ABr
- Algum município já aderiu a esse programa?
Parente
- Três municípios em Goiás: Catalão,
Paraúna e Guaraíta vão começar
agora. Em Varginha (MG), já está funcionando
há dois anos. E aqui no Ceará já existe
um consórcio de municípios que está
se formando a partir de Maranguape.
ABr
- O biocombustível pode chegar a substituir o petróleo?
Parente
-
Plenamente. Mas só até o dia em que a gente
puder colocar numa caixinha do tamanho desse gravador toda
a energia necessária para fazer funcionar um carro
ou uma casa. Mas isso ainda vai demorar um pouco...
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