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Chuva
destrói casas e destelha a Embraer
Vento atinge 100 km/h, derruba árvores e interrompe
fornecimento
de água e luz em S. José; pelo menos 20 ficam
feridos
Uma chuva de uma hora e meia e ventos de 100 km/h ontem
em São José foram suficientes para derrubar
casas e árvores, interromper o fornecimento de água
e luz e ainda destruir, parcialmente, pelo menos oito hangares
da Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica) e
um do CTA (Centro Técnico Aeroespacial).
O
temporal, que veio acompanhado de muitos relâmpagos,
teve início às 16h25. Em uma hora e meia,
foram 9 milímetros de chuva. O vento de mais 100
km/h chegou perto de ser considerado um tornado ou um tufão
(leia texto nesta página).
Ao
final do dia, a Defesa Civil de São José contabilizava
um total de 43 ocorrências registradas em razão
da chuva, a maioria referente a quedas de árvores.
Pelo menos seis veículos e 10 casas foram atingidos.
Apesar
dos estragos, não houve registro de vítimas
graves ou fatais em toda a cidade.
Mesmo
com o final da chuva, os moradores não puderam dormir
tranquilos. Ontem à noite, 100 mil pessoas estavam
sem água nas regiões sul e leste e outras
20 mil, sem energia na zona sul.
Outras
cidades da região, como Jacareí e Ubatuba,
também registraram estragos (leia texto nesta página).
PREJUÍZO
- Em São José, o parque industrial da Embraer
foi o mais atingido. Pelo menos oito hangares e uma portaria
foram parcialmente destruídos, segundo relato de
funcionários e de diretores do Sindicato dos Metalúrgicos.
O
maior prejuízo teria ocorrido no hangar F-30, que
teve metade da estrutura destruída, com queda da
cobertura e comprometimento das paredes. Somente neste galpão,
trabalhavam cerca de 200 pessoas no momento do incidente.
Situação
semelhante teria ocorrido nos hangares F-30/1 e F-51, com
queda de parte do telhado e agravos na estrutura.
Já
no hangar F-45, a cobertura foi totalmente retirada pela
força do vento. Pedaços e telhas de zinco
inteiras foram lançadas à distância
de até dois quilômetros.
Várias
telhas, além de árvores, caíram em
cima de pelo menos 10 carros de funcionários que
estavam estacionados em frente ao hangar.
Apesar
de a empresa não confirmar, pelo menos 20 funcionários
deram entrada no Policlin ontem para atendimento médico
(leia texto nesta página).
Uma
aeronave na linha de montagem também teria sido atingida
pelo vento. O avião teria tombado do suporte e tido
parte da fuselagem danificada.
CICLONE
- Alguns funcionários da Embraer e moradores vizinhos
à empresa contaram terem visto uma espécie
de "ciclone" passando pelo local no momento da
chuva. Segundo os relatos, o fenômeno teria a forma
de um cone, com nuvens negras na base.
NOTA
- Nenhum diretor da Embraer comentou ontem sobre o incidente.
Por meio de nota, a empresa informou apenas que "algumas
instalações foram danificadas e alguns funcionários
foram atingidos", sem confirmar o total de feridos
ou de prédios afetados.
"Foram
registrados dois casos de fratura, sendo que um demandou
maiores cuidados. Todos os casos receberam pronto-atendimento",
diz trecho da nota.
A
empresa informou ainda que "de maneira geral suas operações
não foram afetadas e providências estão
sendo tomadas para recuperação das instalações
danificadas".

Funcionários da Embraer caminham entre as telhas
dos
hangares levantadas pelo vendaval.
Familiares se aglomeram em hospital
Pouco
mais de uma hora depois do acidente na Embraer, amigos e
familiares dos funcionários começaram a se
aglomerar em frente ao Pronto-Socorro do Policlin, para
onde foram levados os feridos.
Segundo
familiares, pelo menos 20 feridos, dos quais três
em estado grave, teriam sido encaminhados à emergência.
"Já
estou mais tranquilo porque consegui informações
sobre o estado de saúde do meu filho. Graças
a Deus ele teve ferimentos leves e está bem",
disse Gilberto Marques Maia, 51 anos, pai de um dos funcionários
encaminhados ao PS.
Um
dos parentes, que também trabalha na Embraer, estava
preocupado com o sobrinho, um dos primeiros feridos a chegar
ao Policlin. Às 21h, o setor de atendimento do PS
informou que o rapaz tinha sido submetido a uma tomografia
e que estava com fratura na bacia e na parte frontal do
crânio.
Outro
funcionário, que não quis se identificar,
estava com a perna fraturada, aguardando a chegada de familiares
em uma cadeira de rodas. Ele disse que chegou a desmaiar
e só acordou no hospital.
O
Policlin informou que todos os dados referentes aos feridos
seriam divulgados pela empresa.
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