COBERTURA ESPECIAL - Embraer - Aviação

26 de Fevereiro, 2009 - 12:00 ( Brasília )

Lula pede que Embraer ajude funcionários demitidos


Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

 

Brasília - Em encontro na quarta-feira (25) com dirigentes da Empresa Brasileira de Aeronáutica (EMBRAER), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo ao presidente da fabricante de aviões, Frederico Curado, para que ajude as famílias dos 4,2 mil funcionários demitidos. Lula não pediu que a fabricante de aviões recontratasse os funcionários.

“O presidente não pediu que recontratasse os 4 mil [empregados], porque entendeu perfeitamente que era uma questão de demanda”, disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que também participou da reunião no Palácio do Planalto. A EMBRAER alega que 30% das encomendas caíram por conta da crise financeira mundial, que tem bombardeado a economia dos países desenvolvidos, principal mercado da fabricante brasileira.

Curado disse que a direção da empresa vai avaliar o apelo do presidente. A EMBRAER cobrirá as despesas médicas dos demitidos e de suas famílias por um ano. Segundo Curado, o presidente está consternado com a situação. Durante o encontro, Curado disse a Lula que não vai rever as demissões e que não haverá novas dispensas.

De acordo com o ministro Miguel Jorge, o presidente ficou sabendo das demissões quinta-feira passada (19), quando Curado reuniu-se com Jorge em Brasília. Ainda conforme o ministro, não há negociação para o governo ajudar a empresa ou os demitidos. “Não é possível dar tratamento desigual em relação a outras pessoas dispensadas de outras empresas”, justificou.

Jorge negou que exista financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) direto para a Embraer. “O BNDES financia os aviões para as empresas compradoras. O financiamento é para quem compra, e não para quem vende”, explicou.

O BNDES informou que foram disponibilizados no ano passado US$ 542 milhões para a Embraer exportar seus aviões – a empresa destina 90% da produção ao mercado externo. O financiamento é uma condição para a empresa participar de licitações internacionais, já que precisa oferecer financiamento às empresas importadoras. A EMBRAER toma emprestado o dinheiro com o BNDES e repassa ao importador, que paga diretamente ao banco.

O uso de recursos do banco oficial é um dos argumentos de sindicalistas e representantes dos trabalhadores demitidos para que o governo interfira na decisão da Embraer. Os empregados querem ainda entrar com uma ação judicial contra a empresa