COBERTURA ESPECIAL - Embraer - Tecnologia

06 de Março, 2006 - 23:55 ( Brasília )

Embraer perto de fechar acordo com fornecedora local de aço


Embraer perto de fechar acordo com
fornecedora local de aço

 

Cesar Bianconi

SÃO PAULO (Reuters) - A Embraer espera fechar este mês um acordo com a Villares Metals para o fornecimento de aço inoxidável. Trata-se da primeira siderúrgica no Brasil qualificada para vender à quarta maior fabricante mundial de aviões comerciais.

De acordo com o responsável pela área de Suprimentos da Embraer, Almir Borges, a Villares Metals possui preços competitivos no mercado. A siderúrgica --localizada na cidade de Sumaré, interior de São Paulo-- pertencia à Aços Villares até 2004, quando foi vendida para a austríaca Bohler-Uddeholm AG .

"As negociações estão sendo finalizadas e a expectativa é fechar o acordo em março, iniciando a colocação de ordens assim que possível", comentou Borges, sem fornecer outros detalhes.

Nos últimos anos, a fabricante de aviões vem trabalhando para ampliar o conteúdo nacional em seus produtos e atrair parceiros internacionais para o país.

A Embraer tem tido sucesso na empreitada, ainda que no caso de alguns componentes ou peças seja impossível se imaginar em nacionalização, dado o pequeno número de fornecedores no âmbito global e da escala que seria necessária para justificar a presença de um deles no Brasil.

Os aços inoxidáveis do tipo 15-5PH da Villares Metals foram homologados pela Embraer no final de janeiro. Os aços com a designação "PH" são usados na fabricação de componentes da estrutura dos aviões e têm elevadas propriedades mecânicas e boa resistência à corrosão.

A Villares Metals informou que estão em processos de certificação junto à Embraer os aços do tipo 13-8MoPH, 17-4PH e 300M, o último utilizado para o trem de pouso de aeronaves.

Entre as produtoras internacionais na produção de aços do tipo "PH" estão Carpenter, Aubert & Duval, Latrobe e Allegheny.

DefesaNet

A ELETROMETAL S/A Metais Especiais - (ELETROMETAL), foi constituída em 1964, com o objetivo da fabricação, o comércio, a importação e a exportação de aços de alta liga e forjados para construção mecânica, metais ferrosos e não ferrosos. A Eletrometal pertencia à família Diniz, capitaneada pelo Dr José Diniz de Souza. Seu filho Marcos e sua filha, também trabalhavam na empresa, todos PHD em metalurgia.

A empresa localizada em Sumaré (SP), especializou-se na produção de aços especiais com o uso da tecnologia de fornos de refino VAR e Eletroslag, usados para fabricar entre outras coisas, tubos de canhão e peças de mísseis e aviões.

Todos as barras para os tubos do canhão Engesa 90mm (EE-9 Cascavel) foram fabricados lá e os do 30mm Mk164, do AMX, também. Testes pilotos das barras forjadas para o canhão 105 mm L7, para Argentina (carro TAM), peças para a Boeing (trem de pouso) , blindagens especiais (blank), forneceram as barras de torção do carro de combate Bernardini Tamoyo em aço ultra-refinado, etc..

Forneceu aços dos componentes do canhão Mk164 aço aeronáutico família 93xx. Todos os projetos especiais e estratégicos realizados nos anos 70/80 no Brasil tiveram a presença de ligas especiais ferrosas e não-ferrosas e forjados produzidos na ELETROMETAL.

A Eletrometal também produziu componentes para perfuração de poços de petróleo.

Por fim, absorveu tecnologia do CTA para produção de titânio, a partir da matéria prime Anatásio, da qual o Brasil tem as maiores reservas do mundo (Araxá - MG).

A Crise na segunda parte dos anos 80 e início dos 90 com as restrições de gastos em tecnologia no Brasil levaram a empresa a uma estagnação.

Em 1994 a Eletrometal foi vendida para a Villares. Após ser compartilhada com a ACESITA, e o grupo espanhol SIDENOR, em 2004 a empresa foi adquirida pela austríaco-sueca Bohler-Uddeholm AG.