Lula e Putin discutem sobre fábrica
da Embraer na Rússia
Proposta prevê linha de montagem do ERJ 145 em
território russo, diz Itamaraty
São
José dos Campos - A possibilidade de instalação
de uma fábrica da Embraer (Empresa Brasileira de
Aeronáutica) na Rússia voltou a ser discutida
ontem entre os presidentes Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) e Vladimir Putin, que estiveram reunidos em
Moscou.
A instalação em território russo
de uma unidade da fabricante brasileira sediada em São
José foi mencionada pela primeira em novembro do
ano passado, durante visita do chefe da Agência
Federal da Indústria da Rússia, Boris Alioshin,
à Embraer.
Na época, o presidente Vladimir Putin apresentou
ao governo brasileiro projeto para a produção
de jatos pela Embraer no país, em associação
com a indústria aeronáutica russa.
Putin demonstrou interesse das empresas de seu país
em constituir joint-ventures (associações)
industriais e comerciais para alavancar as relações
comerciais entre os dois países.
Segundo nota divulgada ontem pelo Itamaraty sobre a visita
de Lula à Rússia, os dois presidentes "assinalaram
a disposição da empresa brasileira de estabelecer
parceria com empresas russas, inclusive a possibilidade
de estabelecimento de linha de montagem de jatos ERJ 145
na Rússia".
O ERJ 145, com 50 assentos, é o jato da Embraer
com mais unidades em operação no mundo e
o principal responsável pela retomada do crescimento
da fabricante brasileira após sua privatização,
em 1994.
A proposta russa se assemelha ao acordo entre a Embraer
e a indústria aeronáutica chinesa Avic 2,
que deu origem à Harbin Embraer Aircraft Industry,
instalada na China desde 2003.
A instalação na Rússia ajudaria a
Embraer a ter mais acesso ao mercado daquela região
e poderia alavancar vendas, assim como aconteceu na China.
Ontem, a assessoria de imprensa da empresa confirmou as
negociações mas informou que ainda não
há nada definido sobre o assunto.
A linha de jatos regionais da Embraer contempla aeronaves
com capacidade entre 37 e 110 assentos.
HELICÓPTEROS
- Segundo a nota do Itamaraty, a parceria entre os
dois países na área de aviação
também inclui a compra pelo Brasil de helicópteros
e hidroaviões russos, especialmente do helicóptero
MI-171A e do avião BE-103, já certificados
no país.
A
empresa russa Mil estuda a instalação de
uma fábrica de helicópteros no Brasil, abrindo
a possibilidade de parcerias tecnológicas, científicas
e industriais para a indústria brasileira.
Rússia
e Brasil alcançaram um intercâmbio comercial
de US$ 2,1 bilhões nos sete primeiros meses deste
ano.
Atualmente,
o comércio entre Brasil e Rússia movimenta
cerca de US$ 2 bilhões anuais e a meta é
atingir US$ 5 bilhões até 2006, com a inclusão
de produtos de maior valor agregado e conteúdo
tecnológico.