Embraer
estuda linha de montagem na Rússia
Assis
Moreira
De Genebra
A
Embraer tem interesse de estabelecer parcerias com empresas
da Rússia, inclusive para a instalação
de linha de montagem e comercialização da
família de jatos ERJ-145 (de 50 assentos) no mercado
russo. A intenção foi manifestada esta semana,
em Moscou, durante reunião da Comissão Mista
Brasil-Rússia.
Oficialmente,
a empresa mantém sua tradicional posição
de não fazer comentários sobre possibilidades
de negócios. Mas fontes próximas do construtor
ressalvam que nada está definido.
Na
verdade, a idéia de produção na Rússia
parece ter partido dos russos e foi levantada durante
a visita do presidente Vladimir Putin ao Brasil, no ano
passado. A proposta de Moscou era similar ao acordo firmado
entre a Embraer e a indústria aeronáutica
chinesa, que deu origem a Harbin Embraer Aircraft Industry.
A instalação do construtor brasileiro na
China até agora não resultou nos negócios
prometidos pelos chineses.
Autoridades
russas, quando visitaram o Brasil, argumentaram que tinham
interesse nos jatos da Embraer que não concorrem
com os russos, apontando especificamente para os modelos
de 50 assentos. A cooperação nessa área
pode voltar a discussão dentro de duas semanas,
na visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
a Moscou.
A
Rússia e a China ameaçam ser justamente
os futuros concorrentes do Brasil no mercado de jatos
regionais. Os chineses tem planos de produzir um aparelho
de 70 lugares. A Sukhoi, principal fabricante aeronáutico
militar da Rússia, anunciou este ano sua intenção
de colocar no mercado um jato de 90 assentos, a um preço
até 20% mais barato que Embraer e a canadense Bombardier.
No
entanto, o presidente da Embraer, Mauricio Botelho, disse
na ocasião que esses competidores não conseguem
chegar ao mercado de jatos regionais em menos de cinco
anos. Nesse período, a Embraer espera ter vendido
muitos aparelhos e consolidado sua preeminência
nesse segmento.