FAB
chama a Embraer para
desenvolver novo avião
Virgínia
Silveira
São
José dos Campos (SP), 7 de Julho de 2005 - O Comando
da Aeronáutica encomendou à Embraer um estudo
sobre a possibilidade de desenvolvimento de um novo avião
de patrulha marítima, que substituirá, num
prazo de 15 anos, a frota de P-3 Orion, atualmente em
fase de modernização. Segundo o comandante
da Aeronáutica, Luiz Carlos da Silva Bueno, os
jatos Embraer 190 e 195, com capacidade para transportar
de 100 a 110 passageiros, foram incluídos nesse
estudo e são a opção mais provável
para a nova geração de aeronaves de patrulha
marítima da Força Aérea Brasileira
(FAB).
Os
estudos iniciais para o desenvolvimento desses aviões,
de acordo com o comandante Bueno, estão sendo coordenados
pelo Estado Maior da Aeronáutica, que, junto com
a Embraer, criará um grupo de trabalho encarregado
de elaborar as especificações técnicas
do novo avião.
Novo
avião de patrulha marítima substituirá
em 15 anos a frota de P-3 Orion
O
vice-presidente executivo da Embraer para o Mercado de
Defesa, Romualdo Monteiro de Barros, disse que a empresa
estaria à disposição do Comando da
Aeronáutica, mas que não comentaria nada
sobre o projeto das novas aeronaves.
Na
época em que a FAB decidiu modernizar a frota de
P-3 usados, que adquiriu da Força Aérea
dos Estados Unidos, a Embraer ofereceu o modelo P-99,
baseado na plataforma do jato ERJ-145, como uma alternativa
para as missões de patrulha marítima. O
modelo já é utilizado pela Aeronáutica
no projeto Sivam, em missões de vigilância
terrestre e sensoriamento remoto. A proposta da Embraer,
no entanto, segundo Bueno, não foi aceita porque
o modelo P-99 não atendia os requisitos definidos.
"Precisávamos
de um avião maior e com mais autonomia. Acredito
que a plataforma do jato Embraer 190 ou 195 poderá
atender a Força Aérea Brasileira (FAB) futuramente",
afirmou. Os modelos também estão sendo avaliados
pelo exército americano, no contexto do Programa
Aerial Common Sensor (ACS), em substituição
ao ERJ-145, que também não atendeu às
especificações do projeto por restrições
de peso e autonomia.
"Acredito
que o Embraer 190 tem todas as chances de ser escolhido
pelo governo dos EUA", disse. O exército americano,
porém, segundo fontes do mercado de defesa internacional,
estaria avaliando outras opções de aeronaves,
como o modelo Gulfstream 550 e o Boeing 737.
A
Embraer foi incluída no programa ACS pela Lockheed
Martin, líder do consórcio vencedor do contrato
de desenvolvimento da nova geração de sistemas
de vigilância de campos de batalha. O contrato envolve
o fornecimento de 38 aviões, ao longo de 20 anos.
O
governo da África do Sul, segundo Bueno, também
está interessado no jato Embraer 190 como futura
plataforma para emprego em missões de patrulha
marítima e ofensivas contra submarinos. A Embraer
já acumula experiência no desenvolvimento
desse tipo de aeronave, com o modelo P-99.
"Temos
uma urgência em garantir a cobertura dos sete mil
quilômetros de costa marítima e o patrulhamento
de 6,4 milhões de quilômetros quadrados dentro
da área oceânica sob a jurisdição
brasileira para missões de busca e salvamento",
disse o comandante da Aeronáutica. O primeiro P-3
modernizado será entregue à FAB em agosto
de 2008 e o último em 2010. O contrato de modernização
está avaliado em US$ 298,7 milhões.
Segundo
a Aeronáutica, 16 países operam hoje cerca
de 420 aeronaves P-3 em missões de patrulha marítima.
O P-3 tem autonomia para operar até 16 horas em
vôos a baixa altitude e transportar, além
da tripulação, cerca de 10 toneladas de
armamentos, o equivalente a duas aeronaves Bandeirante
de Patrulha, usadas hoje pela FAB.
Mirage
O
comandante da Aeronáutica disse que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva assinará ainda
este mês um memorando de entendimento com o governo
da França, visando a compra de 12 aviões
Mirage 2000 usados. O acordo será formalizado no
próximo dia 14, durante visita do presidente Lula
à França.
A
compra dos aviões está avaliada em US$ 60
milhões. "Não posso dar detalhes sobre
valores, mas a proposta dos franceses equivale a metade
do que nos ofereceram os russos e muito mais baixa ainda
do que a dos suecos, com o leasing dos caças Gripen",
disse.
Os
Mirage oferecidos pelos franceses, segundo Bueno, ainda
estão sendo utilizados pela Força Aérea
daquele país e serão entregues ao Brasil
revitalizados.
O
Ministério da Defesa em conjunto com o Comando
da Aeronáutica já vinha estudando a compra
de caças usados como uma solução
temporária para resolver o problema dos velhos
Mirage III, que serão desativados até o
final deste ano. O programa FX, que prevê a compra
de caças novos de última geração,
segundo o comandante, não está cancelado.
"A compra desses aviões foi temporariamente
adiada", afirmou.