Cartas
& Opiniões - Embraer contesta turbulência
apurada pelo jornal
( ver artigo GM 03OUT05)
6
de Outubro de 2005 - A nota presente na seção
Primeiro Plano intitulada "Turbulência na Embraer",
publicada na primeira página da edição
de segunda-feira, dia 3 de outubro, da Gazeta Mercantil,
e a reportagem "Perda de contrato prejudica Embraer",
à página A-5 do Caderno Nacional da mesma
edição do jornal, causaram-nos perplexidade
e estranheza em face do viés alarmista assumido
pelos autores ao longo de ambos os textos, que abordam
a possível perda, por parte da Embraer, de sua
participação no programa conhecido como
Aerial Commom Sensor (ACS), do Exército dos Estados
Unidos. Pelos seguintes motivos:
1)
O Programa ACS tem previsão de duração
de 15 anos, com valor total estimado em US$ 7 bilhões.
Deste valor, uma parcela da ordem de 25% competiria à
Embraer. A fase atual, contratada pela Lockhead Martin
e conhecida como Systems Development and Demonstration
(SDD) Phase, tem valor estimado em US$ 870 milhões
e duração de três anos. Conquanto
de inegável importância para o crescimento
do segmento de Defesa da Embraer no mercado dos EUA, é
fácil constatar que a contribuição
desse programa para o faturamento total anual da empresa,
que foi de US$ 3,5 bilhões em 2004, é bastante
limitada, não se justificando de forma alguma a
associação de uma eventual interrupção
do programa com o "enfrentamento de uma das fases
mais críticas vividas pela Embraer desde sua privatização,
em 1994".
2)
Não se justifica igualmente tal afirmação
sob quaisquer outros ângulos a partir dos quais
se queira mirar a situação atual da Embraer.
Em 2004, ano em que a empresa entregou 148 jatos civis,
foram batidos todos os recordes de faturamento e lucro
de seus 35 anos de história. A receita líquida
atingiu R$ 10,231 bilhões, 55,7% superior ao exercício
anterior. O lucro líquido mais que dobrou em comparação
ao ano de 2003 e atingiu R$ 1,256 bilhão. O volume
de encomendas firmes em carteira superou US$ 10 bilhões.
3)
Para 2006 a Embraer mantém sua previsão
de entregas de 145 jatos civis, tendo recentemente certificado
o jato Embraer 190 e entregue a primeira unidade do mesmo
ao seu cliente lançador JetBlue, empresa de baixo
custo e baixa tarifa de grande sucesso nos EUA, com quem
mantém contrato para 100 aeronaves firmes e mais
100 opções do mesmo modelo. Essa família
de produtos Embraer 170/190, já com três
modelos em operação comercial, abre uma
perspectiva de crescimento jamais vivida antes pela empresa.
4)
No plano da Defesa, continuam as entregas à Força
Aérea Brasileira (FAB) do ALX Super Tucano, dos
quais 65 ainda deverão ser entregues, tendo sido
recentemente recebida, pela mesma FAB, a primeira unidade
do caça F5 BR, alvo de programa de revitalização
a cargo da Embraer, e novas negociações
se desenvolvem no momento em várias partes do mundo.
5)
Por último, é de se ressaltar que o título
da reportagem "Perda de contrato prejudica Embraer"
é incorreto e contribui para o tom injustificadamente
alarmista adotado ao longo da matéria. Como declarado
pelo presidente da Lockhead Martin para a América
Latina, sr. Ronald Covais, ouvido e citado pela repórter
em seu texto, "o ERJ-145 nunca foi desqualificado
do Programa ACS" e uma decisão sobre o programa
não se dará antes do final do ano.
Maurício
N. Botelho
Diretor-presidente da Embraer
São José dos Campos, SP
N.
da R. - A reportagem supracitada mereceu a mesma seriedade
e respeito com que este jornal sempre tratou a Embraer,
uma das mais importantes empresas do País. Para
tanto, a repórter considerou informações
do informativo de circulação interna da
empresa, "Em Tempo", em que o próprio
presidente, Maurício Botelho, ressalta, entre outros
dados, vendas 40% abaixo da meta no primeiro semestre
e a perda de 18% em faturamento em relação
a 2004. A fonte das informações, portanto,
foi a melhor possível.