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Caça
entrava venda de Supertucano
Brasil poderia vender
turboélices se retirasse AMX do pacote
O
Brasil não pode recorrer à Organização
Mundial do Comércio (OMC) para arbitrar a interferência
do governo americano na venda de 24 turboélices Super
Tucano para a Venezuela.
Segundo uma alta fonte da assessoria de Resolução
de Disputas da organização, o fórum
não discute operações que envolvam
fornecimento de equipamentos militares.
O funcionário disse ao correspondente do Estado em
Genebra, Jamil Chade, que se houvesse uma clara pendência
comercial, a questão poderia vir a ser analisada,
mas dificilmente aceita pela OMC. A possibilidade de um
recurso formal está sendo considerada pelo chanceler
Celso Amorim desde a semana passada. Até ontem a
tarde, a representação brasileira no organismo
não havia recebido orientações de Brasília
quanto a eventuais providências.
O
AMX DA DISCÓRDIA
Especialistas
no mercado internacional de produtos de defesa, entre os
quais dois ex-diretores da Embraer, acreditam que as coisas
ficariam mais fáceis se o negócio dos 24 Super
Tucanos, um contrato de US$ 230 milhões, fosse desvinculado
do fornecimento de 12 caças
bombardeiro AMX-T, encomenda avaliada em US$ 260 milhões.
A exportação desse lote foi anunciada em dezembro
de 2002, já tem linha de crédito aberta pelo
BNDES e só depende da assinatura da documentação.
A partir da formalização do processo, as primeiras
entregas serão feitas em 30 meses.
As
razões para a apreensão dos EUA em relação
ao AMX-T estariam nas características dos eficientes
e pequenos jatos desenvolvidos nos anos 80 pela Embraer
e por um consórcio de três empresas italianas
incorporando poucos componentes de tecnologia originalmente
americana. A FAB mantém uma frota de 53 aeronaves
e a aviação da Itália utiliza cerca
de 150 unidades. Nos dois países há em andamento
abrangentes programas de revitalização tecnológica
dos bombardeiros.
A
preocupação da administração
de George W. Bush com a exportação de aviões
ou quaisquer outros equipamentos militares
para a Venezuela envolve o temor de que, no futuro, o presidente
Hugo Chávez possa entrar em conflito armado com a
Colômbia e o Equador ambos sólidos parceiros
dos Estados Unidos. Os Supertucanos, mesmo em sua
versão de ataque leve, não desequilibram o
cenário sub-regional, o que é facultado pelo
bem mais poderoso AMX-T, que tem certa capacidade estratégica,
acredita o especialista em assuntos de defesa na América
Latina, Andrew Saunders. Cientista social, veterano da Guerra
do Golfo, Saunders lembra que o bom desempenho do AMX na
guerra do Kosovo, quando destruíram estações
de radar das forças sérvias voando a menos
de 100 metros e a 900 km/hora. No total, foram 180 missões
nos Balcãs, com 95% de sucessos.
Andrew
Saunders destaca que, na Itália o AMX
é armado com bombas guiadas por satélite GPS
e laser. Um pacote do mesmo tipo será aplicado
aos 53 caças bombardeiro da FAB. O ponto forte dessa
modernização é o sofisticado radar
digital SCP-01, da empresa Mectron, de São José
dos Campos, capaz de detectar alvos múltiplos em
terra, no ar e no mar. O AMX é o vetor aeroestratégico
da aviação do Brasil. Um ensaio decisivo foi
realizado em agosto de 2004 quando dois deles saíram
da base de Santa Maria (RS) e permaneceram no ar por mais
de 10 horas, realizando 3 reabastecimentos em vôo.
Cobriram 6.900 km. Não foram detectados. Teriam destruído
qualquer alvo na América Latina. Ou chegado à
África.
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