Indonésia compra oito jatos
Super Tucano da Embraer
Acordo entre Brasil e
EUA poderá abrir o mercado americano
Virgínia
Silveira, para o Valor,
de São José dos Campos
A Embraer acaba de
fechar a venda de oito jatos Super Tucano, aeronave
de treinamento avançado e ataque leve, para
a Força Aérea da Indonésia. A
informação foi divulgada ontem pelo
Comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti
Saito, durante evento de certificação
do foguete sub-orbital VSB-30 e do teste do motor
do foguete de sondagem VS-40, no Departamento de Ciência
e Tecnologia Aerospacial (DCTA), em São José
dos Campos.
A Embraer, procurada
pelo Valor, informou, por meio da assessoria de imprensa,
que não iria se pronunciar sobre essa operação.
Com este novo contrato de venda, o terceiro fornecimento
internacional do Super Tucano em 2009, as encomendas
da aeronave este ano totalizam 40 unidades. As vendas
do modelo já somam 177 unidades, das quais
100 já foram entregues, sendo 75 para a Força
Aérea Brasileira (FAB) e 25 para a Colômbia.
O valor do contrato
com a Indonésia também não foi
divulgado, mas a versão básica do Super
Tucano custa cerca de US$ 10 milhões. O crescimento
das vendas do Super Tucano também deve aumentar
a participação da área de defesa
no faturamento da Embraer. Em 2008, por exemplo, a
aeronave foi responsável por mais da metade
das exportações desse segmento da empresa,
que totalizaram U$$ 504 milhões.
A FAB, de acordo com
o comandante Saito, recebe royalties pela venda do
Super Tucano, uma vez que financiou o desenvolvimento
da aeronave e adquiriu 99 unidades, projeto avaliado
em R$ 449,7 milhões. As vendas do jato de defesa
e ataque brasileiro ainda podem dar um grande salto
este ano, caso a Força Aérea dos Estados
Unidos (USAF) decida-se pela compra de um lote inicial
de 100 aeronaves. A viabilização do
negócio, segundo o Ministro da Defesa, Nelson
Jobim, depende da formalização de um
acordo de cooperação na área
de defesa, que está sendo costurado entre o
Brasil e o governo dos Estados Unidos.
"A proposta de
um acordo-quadro entre os dois países nessa
área está sendo analisada neste momento
pelo Itamaraty e pretendo acelerar este processo ainda
hoje em uma reunião com o ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim". Segundo Jobim, o interesse
do governo americano pelo Super Tucano foi reafirmado
durante visita recente do representante do Secretário
de Estado daquele país ao Brasil. "Existe
a possibilidade da compra direta, sem licitação,
de até 200 aeronaves", afirmou.
O Comandante Saito
disse que o Super Tucano já está sendo
avaliado pela Marinha americana há mais de
um ano, com um modelo adquirido da Embraer em 2008.
"Já existe uma sinalização
do governo americano para a compra do Super Tucano,
caso o acordo de cooperação com o Brasil
seja assinado". O ministro Jobim ressaltou que
a escolha do jato pela USAF não tem nenhuma
relação com a aquisição
dos caças do programa F-X2.
"São duas
coisas independentes", afirmou. Independentemente
desse acordo, a Embraer participa do processo de seleção
aberto pela USAF, no final de julho, para a compra
de 100 aeronaves turboélice de ataque leve,
na categoria do Super Tucano. A Embraer é apontada
por especialistas do setor como a grande favorita
da competição, pois o Super Tucano é
o único modelo no mundo com operação
comprovada em missões anti-guerrilha na Colômbia,
país que possui 25 aeronaves em sua frota.
Em janeiro, a República
Dominicana comprou oito aeronaves do Super Tucano
e o Equador adquiriu outras 24 unidades. O acordo
com a Força Aérea Equatoriana (FAE)
inclui um pacote de Suporte Logístico Integrado
(da sigla em inglês ILS) e um avançado
Sistema de Suporte ao Treinamento e à Operação
(TOSS), que inclui não só a aeronave,
mas também estações de apoio
em solo e um simulador de vôo.
Em agosto de 200,
a Embraer anunciou a venda de 12 Super Tucano para
a Força Aérea Chilena (FACh). A primeira
aeronave tem entrega prevista para o dia 3 de novembro.
A primeira venda internacional do Super Tucano foi
feita para a Força Aérea Colombiana,
em 2006. O contrato, no valor de US$ 235 milhões,
incluiu a compra de 25 aeronaves e um pacote de treinamento
e suporte à operação do jato
semelhante ao que foi adquirido pelo Equador.