| Brasil
suspende financiamento de
24 Supertucanos ao Equador
Negócio de US$ 261 milhões
é vetado em retaliação
às ameaças de calote ao BNDES feitas
por Rafael Correa
Tânia Monteiro
e Lu Aiko, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - O governo brasileiro
suspendeu a autorização para que o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) financie a venda de 24 aviões
Supertucanos à Força Aérea
do Equador, um negócio de US$ 261 milhões.
A medida é mais uma retaliação
ao calote anunciado na semana passada pelo presidente
equatoriano, Rafael Correa, que decidiu recorrer
à Corte Internacional de Arbitragem para
não pagar a dívida de US$ 243 milhões
ao BNDES - dinheiro investido na construção
da Usina Hidrelétrica de San Francisco, obra
tocada pela construtora brasileira Norberto Odebrecht,
que foi expulsa do país.
Formalmente, o governo
brasileiro ainda não negou o financiamento
do BNDES para a compra dos Supertucanos pelo Equador,
mas fontes do Planalto foram categóricas,
ontem, ao tratar do assunto: "Temos todo o
interesse em fechar o negócio. A Embraer
não é a Odebrecht, os negócios
são completamente diferentes, mas eles (equatorianos)
terão de encontrar outra fonte de financiamento."
O negócio
da venda dos aviões da Embraer foi anunciado
em abril passado pelo próprio Correa. Recentemente,
os equatorianos pediram à empresa brasileira
para antecipar a entrega de quatro dos aviões
para maio do ano que vem. O acordo preliminar foi
acertado, mas o contrato não foi assinado
e, agora, ele poderá sofrer restrições
porque a idéia era financiar a operação
de exportação com recursos do BNDES.
Diante do calote
no financiamento da hidrelétrica, o próprio
banco mandou um recado informal aos negociadores
equatorianos: o BNDES não vai analisar novas
operações até que se resolva
o impasse que envolve a obra da Odebrecht. Com isso,
se quiser mesmo receber os aviões em maio,
como pediu, Corrêa terá de encontrar
outra forma de financiar a compra.
O Brasil tem todo
o interesse em concretizar o negócio - comercial
e estrategicamente. Comercialmente, porque ele é
importante para a Embraer, uma vez que aumenta a
área de influência dos seus negócios
na América Latina. Mas um ministro assegurou
ontem ao Estado que, nessas condições,
"não há possibilidade de o financiamento
ser aprovado". Colômbia, Chile e El Salvador
já possuem Supertucanos integrados às
suas Forças Aéreas.
Isso facilita a
integração entre as forças,
permitindo melhor comunicação durante
os exercícios e, em caso de necessidade,
de uma operação conjunta de combate
ao narcotráfico, por exemplo - além
de dar mais equilíbrio à região
e uma relativa independência em relação
à equipamentos estrangeiros.
A configuração
escolhida pelo Equador é a chamada Versão
Colômbia, com instrumentos eletrônicos
comprados de Israel e capacidade para o uso de armas
inteligentes - bombas e mísseis guiados por
laser e GPS. Cada avião pode levar até
1,5 tonelada de carga de ataque, mais duas metralhadoras
orgânicas .50. As aeronaves eletrônicas
do tipo AEW têm um custo básico unitário
de US$ 80 milhões - fora o material de suporte.
O ministro da Defesa
do Equador, Javier Ponce, disse na ocasião
que "o equipamento, centralizado no sistema
do radar sueco Erieye, aumentaria de maneira significativa
a capacidade de pronta resposta da aviação
e defesa aérea."
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