COBERTURA ESPECIAL - Eleições - Pensamento

06 de Dezembro, 2018 - 14:00 ( Brasília )

Armando Brasil - DEFESA, MINERAIS E TERRAS RARAS.




Armando Brasil
Pensando o Brasil

 

Desde seu descobrimento o Brasil se apresentou como detentor de grandes ocorrências de minerais. Cerca de mais de um quarto do ouro do mundo teve sua origem no Brasil. Ferro, manganês, nióbio e outros minerais têm imensas reservas no território brasileiro. Nesse artigo, contudo, vamos nos dedicar a falar das chamadas terras raras.

Os elementos Terras Raras (ETR) compõem um grupo de elementos químicos da série dos Lantanídeos (número atômico entre 57 a 71, grupo IIIB da Tabela Periódica), começando por lantânio (La) e terminando por lutécio (Lu), acrescidos do escândio (Sc) e do ítrio (Y), que apresentam comportamentos químicos similares. Os ETR estão contidos, principalmente, nos minerais dos grupos da bastnaesita (Ce, La)CO3F, monazita (Ce, La)PO4, argilas iônicas portadoras de terras raras e xenotímio (YPO4).

As maiores reservas detectadas de bastnaesita, em carbonatitos, estão na China (Baotou, Mongólia Interior) e nos Estados Unidos da América (EUA) (Mountain Pass, Califórnia). No Brasil se tem informações de ocorrência na Amazônia. Ainda no Brasil, bem como na Austrália, Índia, África do Sul, Tailândia e Sri Lanka, os ETR ocorrem na monazita em areias de paleopraias, junto com outros minerais pesados (ilmenita, zirconita e rutilo) e também em carbonatitos, cujas principais reservas do Brasil se encontram em Catalão (GO), Araxá (MG), Tapira (MG), Jacupiranga (SP), Mato Preto (PR), dentre outras.

A demanda por esses tipos de mineral se explica pelo aumento de sua aplicação em novos processos de produção industrial e por possuir propriedades químicas magnéticas e fluorescentes únicas. O prolongamento do tempo de vida útil das baterias, bem como a capacidade de torná-las menores e mais leves, depende essencialmente da utilização das terras raras.

A indústria das energias renováveis, a exemplo da energia eólica, também depende da aplicação das terras raras, especialmente no que diz respeito ao acúmulo e à conservação da energia gerada. Esses metais são, portanto, utilizados na produção de energias renováveis, no processamento de petróleo, em aplicações metalúrgicas, na fabricação de laser e na fabricação de produtos de tecnologia de ponta como: catalisadores, iluminação de displays, telas de computadores, telas de plasma, LED’s, tablets, smartphones, geradores eólicos, veículos híbridos, fibras óticas, motores de aviões, componentes de cápsulas espaciais e satélites, baterias recarregáveis, ímãs de alto rendimento, supercondutores, luminóforos, equipamentos de comunicação à distância, memórias de computadores e de telefones celulares.

Na área de defesa, no que se referem a equipamentos militares, as ligas metálicas com terras raras são fundamentais para o funcionamento de diversos armamentos e equipamentos. As munições de precisão perdem a sua eficiência de seu trajeto rumo ao alvo na falta de terras raras, ou seja, há uma perda importante na capacidade de precisão e, consequentemente, poderia haver um aumento no índice de baixas civis (KIGGINS, 2015). O Samário (Sm) e o Neodímio (Nd) são as terras raras mais utilizadas em equipamentos militares.

São essenciais para a produção de sistemas de radar, ímãs que suportam altas temperaturas, utilizados em mísseis teleguiados, “bombas de precisão”, turbinas eólicas e caças (HUMPHRIES, 2012). Talvez seja por esse aspecto, o da possibilidade de redução do suprimento de terras raras para viabilizar a eficiência dos equipamentos militares, que os países sintam a percepção de insegurança, principalmente aqueles que possuem os equipamentos militares tecnologicamente mais avançados.

De acordo com o U.S. Geological Survey (USGS), as reservas de terras raras seriam aqueles recursos prontos para o uso industrial. O Brasil aparece em primeiro lugar, com 37,01%, seguido da China, com 25,33%, da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), com 13,37%, e, em quarto lugar, do Vietnã, com 10,42%..O mercado dos 17 elementos químicos individualizados é da ordem de US$ 5 bilhões anuais, tendo crescido 1000%nos últimos dez anos.

Esse mercado é estratégico. O significado da palavra estratégico ficou muito claro em 2010 quando a China, produtora de mais de 90% desses minerais, anunciou que imporia cotas de exportação destas terras raras, jogando os preços para o céu, e, de forma mais chocante, ameaçou não mais entregá-las para o Japão, depois de uma escaramuça de fronteira marítima.

Tratou-se de um claro perigo à supremacia japonesa em produção de carros híbridos, cuja tração elétrica se baseia em super ímãs. Países industrializados, em especial a União Europeia, os Estados Unidos e o Japão, têm-se mostrado preocupados com a possibilidade de não ter acesso a certas matérias-primas, incluídas as terras raras, cuja oferta, caso seja reduzida, pode ter importantes implicações para o funcionamento de suas economias.

O aumento da competição propiciado pela globalização tem incentivado alguns países a perseguir estratégias de desenvolvimento industrial e comercial através de medidas que reservam seus recursos para uso próprio. Nesse caso, as terras raras deveriam merecer especial apreço do governo e da indústria nacional devendo ser vistas como essenciais à segurança e defesa nacionais, merecendo, portanto, uma política própria e adequada


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