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EDITORIAL
DEFESA@NET 20 Maio 2008
DEFESA@NET

Editorial
O Leão que Guincha*

Enquanto a situação geopolítica da América do Sul continua em profunda transformação e os tambores da guerra tocando em allegro a posição do governo brasileiro continua inerte .

Aliás, corrigimos, não está inerte, mas sim em movimento, o movimento de ladeira abaixo.

Ladeira abaixo impulsionada por uma nova classe de análises: as cantânias. São um mixto de análises e notícias produzidas, com um claro viés político, por jornalistas gravitando na Esplanada dos Ministérios. Algumas não mais que um velho e mofado agit-prop ao criar notícias inexistentes.

O insólito ministro da Defesa que é pródigo em dar entrevistas a jornalistas da área política tem produzido uma miscelânea de confusos e ilegíveis sinais. Missão digna de um Champollion ao decifrar os hieróglifos egípcios ou modernamente um Turing ao quebrar o segredo das máquinas de cifrar alemãs ULTRA, da Segunda Guerra Mundial.

Contratos assinados, amores e declarações definitivas que são, digamos, esquecidas, momentos após proferidas.

Neste cenário está a mais nova cantânia que é o artigo “Em vez de comprar, FAB vai construir caça”, uma pérola de desinformação e confusão.

A sorte das autoridades brasileiras na área de defesa é que Chávez é uma usina de produção de factóides, o suficiente para distrair a imprensa e o leitor brasileiro desatento.

Porém, no mesmo dia o analista político venezuelano Edgar Otálvora, enviava a sua análise: Las adquisiciones bélicas que realiza el gobierno venezolano poco a poco dejan de ser estrictamente defensivas.

Contrapondo a esta temos a citação: “Além da decisão de implantar uma política industrial de defesa, o governo evoluiu para o projeto de construir um caça sob encomenda e adaptado às necessidades da FAB”.

Após lermos a pérola acima resta-nos, embasbacados, a segunda: “Os caças mortíferos de quarta e quinta gerações disponíveis no mercado têm uma combinação indigesta: barreiras para a transferência de tecnologia, preços estratosféricos e performance marcadamente de ataque - o que passaria uma mensagem de ameaça aos vizinhos sul-americanos se o Brasil tivesse dinheiro para comprar, por exemplo, o F-22/Raptor, um caça “made in USA” com preço unitário que, dependendo da tecnologia agregada, pode variar entre US$ 130 milhões e US$ 240 milhões".

“Na avaliação da Defesa e do comando da Aeronáutica, os caças à venda de múltiplas funções - interceptação, defesa e ataque - têm preço aceitável e permitem uma aliança estratégica em matéria de transferência de tecnologia. “Nesse caso,em vez de comprarmos lá fora, decidimos gastar os US$ 2 bilhões do projeto FX-2 para revitalizarmos o que já temos e investirmos no projeto de construção de um caça brasileiro”, disse ao Estado o ministro da Defesa, Nelson Jobim".

Sejam claros Srs. Ministro da Defesa e Comandante da Aeronáutica, explicitem limpidamente a posição do Governo pois o que foi apresentado está mais para samba do crioulo doido do que para uma real política de desenvolvimento.

*O título desse artigo é uma menção ao filme de Peter Sellers, “O Rato que Ruge”.

DEFESA@NET -
Em vez de comprar, FAB vai construir caça - Artigo OESP
http://www.defesanet.com.br/fx2/oesp_18mai08.htm
Editorial O Leão que Guincha -
http://www.defesanet.com.br/editorial/leao.htm
Nota FAB NOTA PROJETO F- X2
http://www.defesanet.com.br/fx2/fab_19mai08.htm

   
   
   
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