COBERTURA ESPECIAL - Ecos - Guerras, Conflitos, Ações

13 de Maio, 2012 - 19:00 ( Brasília )

General despedido por Obama vai da guerra à sala de aula

Universidades dos EUA contratam militares como Stanley McChrystal, chefe das tropas no Afeganistão que deu entrevista polêmica

Por Elisabeth Bumiller

 

Em uma aula recente na Universidade de Yale, o general Stanley A. McChrystal falou sobre conflitos na Irlanda do Norte e na África do Sul, contando também um pouco de sua própria história como ex-comandante das Forças Armadas no Afeganistão.

Nas aulas anteriores ele falou a respeito da Baía dos Porcos e do Vietnã e, de acordo com seus alunos, contou detalhes a respeito do artigo publicado pela revista Rolling Stone que lhe custou seu emprego.

O seminário sobre liderança de McChrystal é quase tão restrito quanto a própria Yale: no semestre passado cerca de 200 estudantes se inscreveram para concorrer a apenas 20 vagas disponíveis em sua aula.

"No meu primeiro dia na universidade eles estavam esperando uma demonstração", disse McChrystal, que é aposentado do serviço militar, em uma entrevista depois de sua aula e pouco antes de sair para tomar cerveja com seus alunos em um bar em New Have. "Havia apenas nove pessoas na sala.”

Longe de reagir com desdém ou indiferença, a comunidade de Yale o acolheu - assim como as outras universidades da Ivy League (grupo de faculdades de primeira linha dos Estados Unidos), que começaram a abrir as portas para seus colegas.

O almirante Mike Mullen, o ex-presidente do Joint Chiefs of Staff, vai dar uma aula sobre assuntos militares e diplomacia em Princeton neste ano. O almirante Eric T. Olson, ex-chefe do Comando de Operações Especiais das Forças Armadas, irá ministrar um curso sobre estratégia militar em Columbia a partir de setembro.

O tema principal dos estudos de caso de liderança que McChrystal procura explorar nas suas aulas é a importância das relações pessoais - uma visão que ele demonstrou em outra aula recente na qual falou sobre o artigo publicado na Rolling Stone, que virou leitura obrigatória. Nele, McChrystal fez comentários depreciativos sobre algumas autoridades da Casa Branca. Poucos dias depois do ocorrido, o presidente Barack Obama o despediu.

"Foi uma situação completamente inesperada", disse McChrystal. "Na época você poderia ter me dito que eu seria morto atropelado por girafas e eu teria considerado essa situação mais possível do que ser acusado de algo como isso", disse, referindo-se às críticas de que ele foi desrespeitoso com autoridades da Casa Branca.

Ele baseou duas de suas lições de liderança na sua própria experiência, afirmando ter dito aos seus alunos: primeiramente, foram seus relacionamentos que o salvaram. "Eu tinha uma rede de amigos que me ajudou nessa situação", disse.

E, em segundo lugar, sua saída do cargo sem contestar o artigo foi a melhor coisa a ser feita. "Não tentei ir contra as acusações", disse ele, acrescentando que sabia "que até que uma investigação pudesse ter sido realizada, já seria tarde demais."
 

DefesaNet

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