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25 de Abril, 2018 - 10:10 ( Brasília )

Embaixada brasileira exibe em Londres obras doadas durante Segunda Guerra

Das 168 pinturas e desenhos que fizeram a travessia até a Europa em 1944, 24 obras originais estão reunidas em exposição inédita na Embaixada do Brasil

Md Matheus Dantas

Aberta ao público desde 6 de abril, na Embaixada do Brasil em Londres, a exposição A arte da diplomacia vem atraindo olhares dos mundo todo. A exposição é fruto de um esforço diplomático do governo brasileiro, em 1944, realizado durante a Segunda Guerra Mundial, no qual artistas tupiniquins doaram 168 pinturas e desenhos para o Reino Unido.

Na época, a mostra foi um recorde de público, atraindo cerca de 100 mil pessoas, atraindo a atenção de todos. Entre os artistas que doaram obras estão Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Iberê Camargo, Lasar Segall, Milton Dacosta, Roberto Burle-Marx e Tarsila do Amaral.

Após uma extensa pesquisa para localizar as obras, Adrian Locke, curador sênior da Academia Real de Artes, e Hayle Gadelha, adida cultural da Embaixada do Brasil em Londres, localizaram, após 74 anos, 24 das obras originais. Elas pertencem a acervos públicos britânicos e foram cedidas para a mostra, onde ficarão expostas até 22 de junho.

Embaixada do Brasil em Londres restaurou 24 para a exposição 'A arte da diplomacia'
(foto: Divulgação/Brighton and Hove Museums and Art Galleries)

A história

Visto pelos embaixadores brasileiros e britânicos como um ato mais político que artístico, as obras doadas serviram para estreitar as relações entre brasileiros e britânicos, além de ter sido uma forma de usar a cultura para fortalecer a imagem do Brasil no exterior.

"Em novembro de 1944, quando 25 mil integrantes da Força Expedicionária Brasileira combatiam os nazistas na Itália, outra iniciativa nossa em prol da causa aliada era lançada em Londres: uma exposição de 168 pinturas, de autoria de 70 artistas contemporâneos brasileiros – nomes como Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, Guignard, Cícero Dias, Burle Marx, Pancetti e Lasar Segall – cujo objetivo era reverter o produto das vendas para a Força Aérea Real (RAF)", diz explicação no site da mostra.

Na época, o diplomata britânico Victor Perowne, que era responsável pela América Latina, escreveu num documento oficial que se tratava de um assunto artístico, conforme ofício encaminhado ao governo do Reino Unido.

Porém, quando a embarcação atracou no Reino Unido a resposta não foi das melhores: as obras foram rejeitadas. Após negociações e uma intervenção política para convencer a Royal Academy a aceitar o material doado, a instituição sedeu três salas para a exibição.

"Lucy with Flower", de Lasar Segall, foi a escolhida a melhor obra da exposição de 1944
(foto: Divulgação/Brighton and Hove Museums and Art Galleries)

Curiosidades

A exposição de 1944 recebeu a visita da rainha Elizabeth. Os artistas brasileiro se comprometeram a doar o dinheiro das possíveis vendas das obras para a Força Aérea Britânica. Foram vendidas 80 obras - 47 delas na primeira noite - e o dinheiro arrecadado foi, de fato, doado para a Força Aérea Britânica, que combatia o exército de Hitler.

A mostra passou por sete cidades britânicas: Norwich, Reading, Manchester, Bristol, Glasgow, Edimburgo e Bath.