COBERTURA ESPECIAL - Ecos - Guerras, Conflitos, Ações - Terrestre

18 de Julho, 2017 - 14:35 ( Brasília )

Cinquentenário da Guerra dos Seis Dias


Clodomiro Rodrigues Matozo Junior – Cap Instrutor do CI Bld
Ádamo Luiz Colombo da Silveira – Cel Comandante do CI Bld


Conhecida também por Terceiro Conflito Árabe - Israelense, a Guerra dos Seis Dias teve como beligerantes o Estado de Israel e uma União de Repúblicas Árabes (Egito, Jordânia e Síria), lideradas pelo Egito, que eclodiu em 05 de junho de 67.

À época, o Egito era governado por Gamal Abdel Nasser, líder popular que poderia conduzir à união todos os povos árabes. Israel tinha como Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa, Levi Eshkol, político conhecido pela falta de carisma, liderança e decisão.

Num cenário de constante atrito, o Egito recebeu a visita de um oficial de inteligência da URSS, Anwar Al Sadat, que informou sobre uma concentração de tropas israelenses na fronteira com a Síria, o que motivou os árabes a iniciarem uma mobilização de sua reserva.

Essa informação, contudo, não foi confirmada pelo serviço de inteligência egípcio, que não encontrou nenhuma tropa israelense na fronteira. Para Israel, a concentração de meios árabes ainda não representava uma declaração de guerra, apenas uma ameaça caso os israelenses atacassem.

Levado pela enorme pressão popular e promessa de apoio das repúblicas árabes, principalmente do Rei Hussein da Jordânia, Nasser ordenou a saída das tropas da ONU da fronteira com Israel (que cumpriam missão de paz desde 1956) em 18 de maio de 1967.



Em 22 de maio, fechou o Estreito de Tiran, único acesso de Israel ao mar pelo sul, o que causaria sua asfixia econômica. Essa ação egípcia foi vista como clara intenção de levar os dois países à guerra, insuflando árabes e israelenses em todo o mundo.

Nasser havia entrado em um caminho sem volta para o conflito armado, sob intensa pressão política e popular. Eshkol, sob igual pressão, manteve a decisão de não iniciar a guerra e acabou abdicando do cargo de Ministro da Defesa, cedendo lugar ao General Moshe Dayan, famoso herói de Suez, em 1956.

O Gen Dayan, agora Ministro da Defesa de Israel, defendeu a idéia de manter a iniciativa, realizando um ataque preventivo ao Egito, que ele lideraria horas depois. Às 07h45min do dia 05 de junho de 1967, quase toda a Força Aérea israelense decolou de suas bases ao mesmo tempo, tendo como objetivos destruir as pistas e as aeronaves egípcias ainda em solo.

Voando baixo para evitar os radares árabes, os aviões de Israel destruíram, em 3 horas, praticamente toda a Força Aérea Egípcia. Em duas horas mais, estavam destruídos os aviões sírios e jordanianos. Trinta minutos após a ação aérea, Israel lançou sua ofensiva terrestre sobre a Península do Sinai, com suas divisões blindadas em três grande eixos.

Pelo Norte, o Gen Israel Tal iniciou sua ofensiva tomando os territórios de Gaza, Rafah e El-Arish. Os egípcios demonstraram grande capacidade de defender-se em El-Arish, pois haviam construído posições para seus carros de combate, com excelente camuflagem e desenfiamento, facilitados pelo terreno arenoso.

Estavam tão bem desenfiados que tiveram dificuldade de manobrar. Por sua vez, os israelenses avançavam tão rápido que conseguiram transpor a primeira linha defensiva egípcia. Desbordaram-na e atacaram as posições árabes, destruindo-as.

Surpresos com a velocidade e ímpeto dos M48 israelenses, os egípcios abandonaram as posições e se renderam. A surpresa, a manobra e a ofensiva isralenses acabaram contribuindo para o grande êxito no eixo norte, rumo ao oeste.



Na porção central da península, o Gen Avraham Yoffe contava com cerca de 100 Centurions, dotados de canhão 105mm, que progrediram em terreno muito difícil, em direção ao entroncamento de Bir-Lahfan. Durante a progressão, encontraram uma divisão blindada egícpia, dotada de T-55 com canhões de 100 mm.

Nesse combate de blindados, as grandes e rígidas formações egípcias, aliadas ao menor alcance do canhão dos T-55, contrapuseram-se a uma divisão israelense que manobrava de forma ágil, ocupava posições de tiro protegidas e buscava sempre os flancos e a retaguarda dos árabes. Ao final do dia 06 de junho, a divisão blindada egípcia havia sido destruída nas proximidades de Bir Lahfan.

Na porção Sul do Sinai encontrava-se a principal linha defensiva egípcia, e constituía o principal desafio israelense na península. Tal ofensiva coube ao Gen Ariel Sharon, que encontrou um inimigo em posições muito bem preparadas, com linhas de trincheiras e fortificações da doutrina soviética; obstáculos e campos de minas largos e profundos, batidos por fogos e artilharia; inúmeras posições de aprofundamento e largo emprego de mísseis anticarro.



A ofensiva teve como combate decisivo a Batalha de Abu Agheila, onde se confrontaram 14.000 soldados israelenses e 8.000 egípcios. Em número de blindados, eram cerca de 150 Centurion, AMX-13 e Super Shermans com canhão 105mm do lado israelense, contra 66 T-34 egípcios com canhão de 85mm.

Após o êxito inicial de Israel na Batalha, o Marechal Amer ordenou uma retirada do Exército do Egito, o que determinou a total destruição dos árabes no Sinai. Em 4 dias de combate, Israel havia conquistado o Sinai até o Canal de Suez, e reaberto o Estreito de Tiran.

Enganado pelas falsas notícias de vitórias árabes, a Jordânia iniciou o bombardeio da parte israelita de Jerusalém. Porém, graças ao grande êxito no Sinai, Israel pode focar seus esforços nos combates urbanos de Jerusalém, contra atacando e empurrando o exército jordaniano para fora da cidade velha de Jerusalém, até então sob controle dos árabes.

A 06 de junho, a cidade velha de Jerusalém estava tomada por Israel, que agora dominava grande parte dos territórios sagrados para árabes e judeus, além da totalidade da península do Sinai.

Em 08 de junho, uma proposta de cessar fogo da ONU é aceita com restrições por Israel, em relação a Egito e Jordânia, pois ainda restava a frente norte, na fronteira com a Síria.

Nas Colinas de Golã, os combates geraram inúmeras baixas em pessoal e material, terminando com vitória de Israel sobre os sírios, com consequente anexação dessa parte do território por parte dos judeus.

Após as vergonhosas derrotas, o presidente egípcio renunciou ao cargo, reassumindo por aclamação popular. O conflito terminou às 18:00 horas do dia 10 de junho de 1967, com um novo mapa de Israel, que agora dominava a Faixa de Gaza, a Península do Sinai, a cidade velha de Jerusalém, as Colinas de Golã e toda a margem direita do Rio Jordão (antiga Cisjordânia).

Esse território, porém, seria contestado e redesenhado inúmeras vezes, agravando a situação entre povos árabes e israelenses.



 


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