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07 de Julho, 2016 - 10:40 ( Brasília )

Iraque - Líderes ocidentais devem ser julgados

Iraquiano que atacou estátua de Saddam Hussein diz que líderes ocidentais devem ser julgados

Um iraquiano que foi filmado atacando a estátua de Saddam Hussein com uma marreta quando tropas dos EUA entraram em Bagdá, em 2003, disse que o Iraque estava em melhor forma sob o comando do ex-ditador, e acrescentou que George W. Bush e Tony Blair devem ser julgados por “estragar” o país.

Kadhim Hassan al-Jabouri falou, nesta quarta-feira, após o ex-funcionário público britânico John Chilcot ter lançado um esperado relatório criticando o papel da Grã-Bretanha na invasão e ocupação do Iraque, comandada pelos Estados Unidos. 

O relatório disse que “a política no Iraque era feita com base em inteligência e avaliações falhas”, e que alegações de que o Iraque representava uma ameaça por possuir armas de destruição em massa foram “apresentadas com certeza injustificada.”

O documento disse que a situação tumultuada no Iraque desde a invasão não deveria ser uma surpresa. 

“Eu me arrependo de marretar a estátua”, disse Jabouri, um xiita que perdeu diversos parentes sob o regime de Saddam, que era sunita. Ele disse que seus parentes foram mortos por se oporem ao então líder iraquiano, enforcado em 2006.

A estátua de Saddam foi derrubada por fuzileiros navais norte-americanos pouco após Jabouri e outros iraquianos a terem atacado em 9 de abril de 2003. Imagens do acontecimento foram transmitidas ao vivo por todo o mundo e simbolizaram o fim da brutalidade do governo de Saddam.

“Eu gostaria que Saddam retornasse; ele executou muitos da minha família, mas ele ainda é melhor do que estes políticos e clérigos que levaram o Iraque para o lugar onde está agora”, disse ele, referindo-se aos partidos xiitas que assumiram o país após a invasão.

Inquérito critica ex-premiê britânico Tony Blair por atacar Iraque sem base legal

Um inquérito britânico a respeito da guerra do Iraque repreendeu o ex-primeiro-ministro Tony Blair e seu governo, nesta quarta-feira, por terem se juntado à invasão comandada pelos Estados Unidos sem uma base legal satisfatória ou planejamento adequado.

Blair respondeu que tomou a decisão de ir à guerra no Iraque "de boa fé", que ainda acredita que foi melhor derrubar o ditador iraquiano Saddam Hussein e que não vê a ação como a causa do terrorismo atual, seja no Oriente Médio ou em outro local.

Longamente aguardado, o relatório da investigação não chegou a dizer que a ação militar foi ilegal, uma posição que certamente irá decepcionar os críticos de Blair.

"Concluímos, entretanto, que as circunstâncias nas quais foi decidido que havia uma base legal para a ação militar estavam longe de satisfatórias", disse John Chilcot, que presidiu o inquérito, em um discurso no qual apresentou suas conclusões.

Blair argumentou que o relatório deveria exonerá-lo das acusações de ter mentido.

"O relatório deveria colocar uma pá de cal nas alegações de má fé, mentiras ou falsidade", afirmou o ex-premiê em um comunicado. "Quer as pessoas concordem ou discordem de minha decisão de adotar uma ação militar contra Saddam Hussein, eu a tomei de boa fé e porque acreditei ser de interesse do país".

Parentes de alguns dos soldados britânicos mortos no Iraque disseram que irão estudar o documento para descobrir se existe a possibilidade de processar os responsáveis pela ação militar.

O relatório de Chilcot disse que não havia uma ameaça iminente de Saddam em março de 2003, e que o caos desencadeado no Iraque e na região também deveria ter sido previsto. A invasão e a instabilidade subsequente do Iraque resultaram nas mortes de pelo menos 150 mil iraquianos até 2009, a maioria civis, e no deslocamento de mais de um milhão.

O documento diz que o Reino Unido se aliou à invasão sem ter esgotado as opções pacíficas, subestimou as consequências da invasão e que seu planejamento foi totalmente inadequado.

Publicado sete anos depois da instauração do inquérito, o relatório tem 2,6 milhões de palavras –-cerca de três vezes o tamanho da Bíblia-– e inclui detalhes de conversas entre Blair e o então presidente dos EUA, George W. Bush, a respeito da invasão.

"Está claro agora que a política para o Iraque foi determinada com base em inteligência e avaliações imprecisas. Elas não foram questionadas, e deveriam ter sido", afirmou Chilcot.