COBERTURA ESPECIAL - Ecos - Guerras, Conflitos, Ações - Naval

21 de Abril, 2015 - 09:00 ( Brasília )

Sistema de espionagem da II Guerra é descoberto em Israel

Pesquisadores identificaram que cabos no solo marinho do litoral de Haifa foram empregados pela Marinha britânica

Um grupo de pesquisadores descobriu um sistema de espionagem por meio de cabos submarinos, empregado pela Royal Navy durante a Segunda Guerra Mundial, nas imediações do porto de Haifa, no norte de Israel, informou o jornal "Haaretz", em 19 ABR 2015.

Segundo o estudo divulgado pelo Instituto Ben-Zvi, em Jerusalém, os pesquisadores chegaram a esta conclusão após rastrear cabos que repousavam no solo marinho do litoral de Haifa, conhecidos há décadas por mergulhadores e pescadores.

A descoberta revela o papel que desempenharam os sistemas de defesa no afundamento do submarino italiano Scire, que era o terror da Royal Navy, no Mar Mediterrâneo,  durante a Segunda Guerra, pois tinha afundado com seus torpedos seis embarcações britânicas.

Os cabos estavam cobertos por várias camadas de borracha, juta, chumbo e aço e foram usados pelos britânicos para proteger o porto de Haifa.

Sobre as camadas os especialistas encontraram uma fita com a inscrição Siemens London, 1940.

A companhia alemã tinha uma unidade em Londres desde antes da guerra e produziu equipamento de defesa para o exército britânico durante o conflito.

O local do naufrágio do submarino italiano, a cerca de 10 quilômetros da costa de Haifa, a 33 metros de profundidade, é um ponto de mergulho desde os anos 60.

Duas décadas depois, o arqueólogo marinho israelense Ehud Galili localizou uma entrada no submarino e encontrou os restos mortais da tripulação em seu interior.

O arqueólogo informou na época sobre a descoberta ao adido militar italiano em Israel, que não se interessou pelo assunto, segundo o "Haaretz".

Em 1985, quando se soube na Itália sobre a existência dos restos mortais dos 50 tripulantes, houve uma grande comoção no país. Um barco da Marinha foi então para a costa de Haifa resgatar os restos mortais de dentro do submarino.
Deste então, os italianos celebram uma cerimônia anual em memória dos soldados mortos, ainda que até agora não se soubesse as circunstâncias do naufrágio do submarino abatido pelos britânicos.

O jornal explica que em agosto de 1942 os italianos planejavam um ataque ao porto de Haifa, onde era armazenado combustível para o exército britânico, mas os ingleses conseguiram decifrar o código utilizado pelo submarino e interceptaram mensagens entre italianos e alemães.

Os pesquisadores encontraram documentos indicando que os britânicos não consideravam o porto de Haifa um ponto prioritário, mas mesmo assim instalaram um sistema de cabos para cobrir o local em caso de necessidade e que acabou sendo utilizado antes da aproximação do Scire.

O estudo detalha as últimas horas do submarino, em 10 de agosto de 1942, quando pouco após serr aparentemente detectado pelo sistema de espionagem, um comandante de costa ordenou que uma bateria de artilharia disparasse contra o Scire. Cinco minutos depois, foi anunciado que o submarino havia sido destruído.

O Scire

Lançado em 1938, o submarino Scirè, incoporado à Regia Marina da Itália operou no Mar Mediterrâneo. No início da Seguda Guerra Mundial ele foi modiificado para levar três mini submarinos (maiali).

Em 1940, o Scire incursionou na Baia de Gilbraltar com três mini submarinos, porém sem resultados.

Em Maio de 1941, entrou novamente na Baia de Gilbraltar afundando um navio mercante  e danificando dois outros.

A sua mais importante missão  foi em 3 Dezembro 1941.  O Scirè partiu de  La Spezia com três mini submarinos. Em 19 Dezembro 1941 o Scire alcançou Alexandria, no Egito, e os três torpedos tripulados entraram no porto e, em águas rasas afundaram as belonaves HMS Valiant e Queen Elizabeth, também danificando o tanque Sagona e o e destroyer Jervis.

A Marinha Italiana, em 2007, deu o mesmo nome a um submarino Classe U212 .