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20 de Fevereiro, 2015 - 15:00 ( Brasília )

CMS homenageia vetereno da FEB


O Museu Militar do CMS foi  palco de uma entrevista concedida pelo Major Rubem Barbosa, Veterano da Força Expedicionária Brasileira, a um grupo de jornalistas, no dia 19 de fevereiro.

O  Major Rubem Barbosa chegou ao Museu  a bordo do Jeep “Soldado Paim”, de propriedade do Coronel Everton Bueno, e de seu neto Lucas, que estava ao volante. A mais alta autoridade presente foi o General de Divisão Fernando Vasconcellos Pereira – Comandante da 3ª Região Militar.

O Major Barbosa, na época pracinha, chegou em um dos primeiros contigentes brasileiros na Itália, lá participou de praticamente todas as campanhas da FEB. Amigo do Sgt. Max Wolff o qual o chavama carinhosamente de "gauchinho".

A criação da FEB

A idéia de se criar uma força militar para participar do conflito surgiu em fevereiro de 1943, no encontro dos presidentes dos Estados Unidos e do Brasil, Franklin Roosevelt e Getúlio Vargas, na cidade de Natal, capital do Rio Grande do Norte. Na ocasião, Getúlio argumentou que o envio de tropas dependeria exclusivamente do reaparelhamento bélico das Forças Armadas Brasileiras.

No início de março, Vargas aprovou proposta do ministro da Guerra, general Eurico Dutra, sugerindo a criação da força expedicionária, mas condicionando-a ao recebimento do material bélico necessário inclusive para as tropas que garantiriam a defesa do território brasileiro.

A proposta concretizou-se em 9 de agosto, através da Portaria Ministerial nº 4744, que criou a Força Expedicionária Brasileira, formada pela 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) e órgãos não-divisionários. Sua chefia foi entregue ao general João Batista Mascarenhas de Morais.

A estruturação da FEB propriamente dita teve início com o envio de oficiais brasileiros aos Estados Unidos, para treinamento. Tratava-se de familiarizá-los com os métodos e táticas militares empregadas pelas tropas norte-americanas, substituindo a doutrina francesa, considerada já ultrapassda, historicamente ensinados nas escolas militares nacionais. Lá, o soldado brasileiro se reeducaria para reduzir o emprego das marchas a pé e a utilização de cavalos, trocando-os por deslocamentos motorizados, rápidos e audazes.

No final de 1943 decidiu-se o destino da FEB: o teatro de operações do Mediterrâneo. Na noite de 30 de junho de 1943, embarcou o 1º Escalão da FEB, composto por cerca de cinco mil homens e chefiado pelo general Zenóbio da Costa. Junto com eles, o general Mascarenhas de Morais e alguns oficiais de seu estado-maior.

Em setembro de 1943, foi a vez do 2º e 3º Escalões, comandados respectivamente pelos generais Osvaldo Cordeiro de Farias e Olímpio Falconière da Cunha.

Até fevereiro de 1945, dois outros escalões chegariam à Itália, juntamente com um contingente de cerca de 400 homens da Força Aérea Brasileira (FAB), estes comandados pelo major-aviador Nero Moura. Ao todo, a FEB contou com um efetivo de um pouco mais de 25 mil homens.

A Cobra Fumou

Na Itália, a FEB uniu-se às tropas do V Exército norte americano - integrante do X Grupo de Exércitos Aliados. Nesse momento, o objetivo das tropas aliadas ali sediadas era impedir o deslocamento alemão para a França, onde se preparava a ofensiva final aliada.

Era necessário, assim, manter o exército alemão sob constante pressão. As primeiras vitórias brasileiras ocorreram em setembro de 1944, com a tomada das localidades de Massarosa, Camaiore e Monte Prano.

No início do ano seguinte, os pracinhas participaram da conquista de Monte Castelo, Castelnuovo e Montese. O conflito, no entanto, não se estendeu por muito mais. A 2 de maio, o último corpo do exército alemão na Itália assinou sua capitulação, e a 8, a guerra na Europa chegava ao fim, com a rendição definitiva da Alemanha.

A FEB perdeu 454 soldados que durante muitos anos permaneceram no cemitério de Pistóia (Itália). Em outubro de 1960, suas cinzas foram transferidas para o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, erguido no Rio de Janeiro, no recém-criado aterro do Flamengo.

Sua participação no conflito foi importante pois tornou evidente a contradição vivida pelo Estado Novo, que enviava tropas para lutar pela democracia no exterior, mas internamente mantinha um regime ditatorial. O retorno dos contingentes da FEB precipitou, assim, a queda de Vargas em 1945.

Neste ano, comemoramos os 70 anos do final da 2ª Guerra Mundial. O próximo sábado, dia 21 de fevereiro, marcará os 70 anos da Conquista de Monte Castelo, batalha histórica, protagonizada pela Força Expedicionária Brasileira.


Com Com Soc CMS e CPDOC | FGV / Regina da Luz Moreira