COBERTURA ESPECIAL - Ecos - Guerras, Conflitos, Ações - Geopolítica

08 de Maio, 2014 - 10:30 ( Brasília )

Alemanha se rendeu várias vezes em 1945


Estranhos se abraçaram e se beijaram ao término da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Mas nem sempre no mesmo dia – 60 anos depois, as nações comemoram a rendição alemã em dias distintos. A Rússia o faz em 9 de maio.

A primeira grande capitulação de uma grande formação do exército alemão aconteceu no dia 4 de maio de 1945. O marechal de campo britânico Bernard Montgomery recebeu a rendição parcial do almirante Hans Georg von Friedeburg. A intenção de Friedeburg era possibilitar ao maior número de alemães, tanto soldados quanto civis, a fuga para o Ocidente. Foi assim que surgiu a situação em que um comandante suplicou ao inimigo que o tornasse prisioneiro, para assim escapar de outro inimigo.

Montgomery aceitou a rendição, mas descreveu mais tarde, de maneira descontraída, que deixou o almirante alemão esperando por um longo tempo. A primeira capitulação em Lüneburg se estendeu a todos os soldados que combatiam ao Norte e ao Oeste do país, mas não para toda a Wehrmacht. Esta outra rendição foi recebida pelo general Dwight D. Eisenhower (EUA), em Reims, na França. Novamente Friedeburg foi o encarregado das negociações, e fez a seguinte oferta: os alemães continuariam resistindo no Leste, se o Ocidente estivesse disposto a uma paz moderada.

Recusa

Mas Eisenhower recusou a proposta. Por um lado, o "gentleman" não quis violar os acordos com o russos, e por outro, uma paz separada não seria viável politicamente. Os norte-americanos ainda tinham grande simpatia por Stalin. Eles tampouco cederam quando grande almirante Karl Dönitz enviou, logo após a morte de Hitler, o general Alfred Jodl com as mesmas intenções. Com a frase "Isso é tudo!", Eisenhower rechaçou a oferta de Jodl. E o general alemão saiu mudo e aceitou tudo.

Na madrugada do dia 7 de maio de 1945, Jodl assinou o que talvez seja o documento mais importante da Segunda Guerra. Depois de cinco anos e nove meses e cinqüenta milhões de mortos em uma guerra de dimensões inimagináveis, terminava a grande matança na Europa.

Stalin fora de si

Mas Stalin se irritou porque o fim oficial da guerra havia sido decidido sob direção dos norte-americanos. Entre outras coisas, devido às grandes perdas que a União Soviética havia tido, ele insistiu que deveria ser realizada uma nova e definitiva rendição, mesmo que fosse apenas uma encenação. E que isso deveria acontecer onde tudo começou: em Berlim.

O comandante de Berlim, Helmuth Weidling, já havia se rendido no dia 2 de maio. Desde então, a Escola de Engenharia da Wehrmacht, em Karlshorst, era o quartel-general russo. A nova rendição deveria ser assinada na presença dos oficiais, e foi planejada por Stalin até os seus últimos detalhes.

Pelo lado dos aliados ocidentais, assinaram o documento o general norte-americano Carl Spaatz, o marechal britânico do ar William Tedder e o general francês Jean de Lattre, que nada mais eram mais do que comparsas.

Os protagonistas

Os verdadeiros protagonistas foram Wilhelm Keitel e Georgi Shukov. O marechal de campo alemão se esforçou para demonstrar compostura, mas o marechal da União Soviética não o permitiu. Com palavras ásperas, ordenou a Keitel que assinasse o documento já preparado. Keitel obedeceu – assinou, levantou-se e se retirou. Para as festividades posteriores, a mesa para os alemães foi posta num edifício anexo.

Keitel havia entregado aos aliados "todas as forças armadas sob comando alemão". Mesmo assim, muitas unidades continuaram combatendo, menos por fanatismo do que para romper a frente ocidental. Em meados de maio, todas as armas definitivamente se calaram. A guerra havia terminado.

A primeira grande rendição de tropas alemãs aconteceu em 4 de maio, a primeira capitulação general, no dia 7 em Reims. O cessar-fogo estava previsto para as 23h01min do dia 8, mas na verdade aconteceu às 0h16min do dia 9, quando Keitel assinou o documento. O relógio do Cremlin inclusive já apontava 2h16min.

Por isso, muitos norte-americanos recordam o fim da guerra no dia 7, os alemães no dia 8, e os russos, no dia 9. Nenhuma das datas, no entanto, está correta: o conflito continuou ainda por quatro meses e custou a vida de outras dezenas de milhares de pessoas até a rendição do Japão, no dia 2 de setembro de 1945.