COBERTURA ESPECIAL - Ecos - Guerras, Conflitos, Ações - Geopolítica

24 de Março, 2014 - 15:06 ( Brasília )

1914-2014, a Europa vulcânica

Uma comparação dos mapas políticos europeus no último século é altamente ilustrativa das profundas mudanças produzidas em uma realidade ainda magmática

ENRIQUE BARÓN CRESPO
 
No centenário de 1914, um exercício de comparação entre os mapas políticos europeus às vésperas da Primeira Guerra Mundial, ao final da Segunda Guerra Mundial e na atualidade é altamente ilustrativo das profundas mudanças produzidas em uma realidade ainda magmática, em especial ao leste do Continente.
 
1914. Da Europa das nações à Europa dos acordos. Na segunda metade do século XIX, a Europa das nações foi consolidada, com a unificação italiana realizada pelo Piamonte, a unidade alemã pela Prússia de Bismarck (que ganhou território em guerra contra Dinamarca, Áustria e França, que perdeu a Alsácia-Lorena, enquanto o Império Otomano se enfrentou com as nacionalidades balcânicas. A triplo aliança se formou entre o Império alemão, o austro-húngaro com o Império Otomano e a Bulgária e a Itália (que mudou de bloco em 1915). Em frente a ela se formou a entente cordial entre o Império Britânico, França, Rússia e depois Rússia e Estados Unidos. Depois da guerra, impulsionaram os impérios austro-húngaro, otomano e russo; a Polônia ressuscitou; A Hungria perdeu dois terços de território; nasceram a Irlanda, Estônia, Letônia e Lituânia, Checoslováquia, Ucrânia, Armênia, Georgia e Azerbaijão e o Reino da Iugoslávia como Estados.
 
"O continente europeu vai se configurando em dois blocos"
 
1945-1992. A guerra fria. O continente e a Alemanha ficaram divididos pela cortina de aço, com o equilíbrio do terror pela arma atômica. Em sua parte ocidental, a Aliança Atlântica a a OTAN como braço armado, com os EUA como potência dominante e a criação da Comunidade Euroeia. Em sua parte centro oriental, a URSS, potência euroasiática, com o Pacto de Varsóvia e o COMECON. Stálin redesenhou o mapa europeu com as sobreposições e deslocações de países, como o termo de Kaliningrado (a antiga Könisberg, capital da Prússia oriental).
 
1992-2014. Depois da queda do muro de Berlim em 1989, impulsionaram, em guerra, a Iugoslávia e, de modo pacífico, a URSS. Nasceu a União Europeia (UE) em 1993 com 15 Estados e entraram as neutras Áustria, Suécia e Finlândia. Depois, quando puderam decidir livremente, Polônia, Hungria, Estônia, Letônia e Lituânia, Chéquia e Eslováquia (depois do "divórcio de terciopelo"), mais Malta e Chipre aderiram à UE. Das repúblicas procedentes da antiga Iugoslávia, Eslovênia e Croácia entraram na UE. Sérvia, Montenegro, Bósnia-Herzegovina, Macedônia e Kosovo negociam para entrar. Também é o caso da Albânia e Turquia.
 
Em paralelo, os novos membros se integraram na Associação para a paz promovida pela OTAN, com uma substancial retirada militar dos Estados Unidos no continente europeu.
 
O Conselho da Europa com o Tribunal Europeu de Direitos Humanos tem como membro todos os Estados europeus (47 Estados), exceto a Bielorrússia.
 
"O papel da Ucrânia seria fundamental no projeto de União Euroasiática"
Na etapa atual, o continente europeu vai se configurando em dois blocos. Ao oeste, o processo de consolidação da UE, que passou de 15 a 28 Estados, e ao mesmo tempo de ampliação da mesma para o leste. Em seu seio, o núcleo central é a União Monetária com a Eurozona que por enquanto inclui 18 Estados.
 
As relações com a Rússia se estabeleceram sobre a base do Acordo de Cooperação firmado em 1997, pendente de renovação desde 2007 por diferenças sobretudo nos temas de democracia e direitos humanos. Por sua vez, o presidente Putin lançou o projeto da União Euroasiática, com a Bielorrússia e Cazaquistão como sócios fundadores, para 2015, a partir da Comunidade Econômica Euroasiática, seguindo o modelo de construção da União Europeia a partir da união alfandegária por passos.
 
Em sua concepção, o papel da Ucrânia neste projeto seria fundamental, por seu peso econômico e geopolítico além das razões históricas. Nesta situação, a estabilização da fronteira leste da UE adquire um valor político decisivo.
 
Enrique Barón foi deputado do Parlamento Europeu entre 1986 e 2009.