COBERTURA ESPECIAL - Ecos - Guerras, Conflitos, Ações - Aviação

07 de Dezembro, 2013 - 11:25 ( Brasília )

Relato do Coronel-Intendente Panissa, “padrinho” do T-27 Tucano


Academia da Força Aérea
Seção de Comunicação Social
scs.afa.fab@gmail.com

No ano de 1981, eu era cadete intendente do último ano da Academia da Força Aérea, quando foi realizado um concurso, pela EMBRAER, para escolha do nome para a aeronave EMB-312, aberto somente aos cadetes da AFA, onde ela entraria em operação, destinada à instrução dos cadetes aviadores.

As orientações do Concurso eram simples e estabeleciam apenas que: o nome deveria ser de fácil pronúncia para um estrangeiro; deveria ter no máximo quatro sílabas; e cada cadete poderia concorrer apenas com uma sugestão.

No momento em que vi a foto do avião, devido às suas linhas alongadas e pelo colorido da pintura, reportei-me à infância nas cercanias de Campo Grande-MS, associando-a imediatamente com a ave brasileira. Coloquei minha sugestão no envelope e depositei na urna.

Tinha tanta confiança que a minha proposta seria o nome ideal, que comentei com um amigo de Turma o seguinte: “Tenho uma boa sugestão para o nome do EMB-312, vou vencer este Concurso e, ganhando, usarei parte do prêmio em dinheiro para oferecer um churrasco num final de semana aos amigos laranjeiras”.

Os dias foram se passando e diversas atividades acadêmicas foram sendo realizadas (provas, competições esportivas, exercício de sobrevivência etc.) que a expectativa do resultado foi-se esvaecendo. Num belo dia, dirigia-me ao Departamento de Ensino, quando fui abordado pelo meu comandante, que perguntou onde eu havia arranjado aquele nome, deixando-me momentaneamente perplexo, quando ele completou, dizendo “TUCANO” e assim concluí que havia ganhado o Concurso.

Foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Contive a emoção, mas por dentro vibrava intensamente, era para mim uma felicidade imorredoura.

Passados alguns dias, fui convidado a fazer uma visita à EMBRAER num avião Regente. Lá chegando, fui recebido com muita atenção, sendo levado para conhecer as instalações da Empresa, em especial a linha de montagem do TUCANO. Em seguida, entrevistado pelo pessoal do setor de Relações Públicas.

Naquele momento, foi comentado que o nome seria muito importante para o sucesso do avião e esperava-se que esse trouxesse muita sorte, imediatamente respondi o seguinte: que se dependesse de mim já seria um sucesso, pois era abençoado por Deus e bem sucedido em tudo que fazia.

No dia 23 de outubro de 1981, Dia do Aviador, foi realizada uma solenidade na AFA para a entrega dos prêmios pelo CEL OZIRES SILVA, então diretor-superintendente da EMBRAER e, em seguida, batizei oficialmente o avião TUCANO com um excelente champanhe.
 
MEU PRIMEIRO VOO NA AERONAVE
 
Somente em meados do ano de 1986, servindo na AFA, tive a oportunidade de voar no TUCANO numa viagem administrativa de Pirassununga para Brasília, fui como carona no assento traseiro. A ansiedade era tamanha e a emoção muito maior, parecia que eu estava vivendo um sonho.

Era uma linda manhã, o sol começava a dar o ar de sua graça e o céu de “brigadeiro”, tudo transcorria “às mil maravilhas”, quando na metade do trajeto, comecei a me sentir enjoado e infelizmente não consegui me controlar...

Hoje, sou conhecido como o “padrinho do TUCANO”. Sinto-me orgulhoso por fazer parte de sua história e tenho certeza que transmiti “sorte”, no que tange ao desempenho e sucesso da aeronave.
 
CARLOS FERNANDO DE SOUZA PANISSA – CEL INT R1