COBERTURA ESPECIAL - Ecos - Guerras, Conflitos, Ações - Geopolítica

23 de Novembro, 2013 - 16:27 ( Brasília )

Top Secret – Ingleses em Canoas - Veja - EMBRAER dá a Pista

Enquanto as Chancelarias trocam notas confusas VEJA traz um informe vazado pela EMBRAER, no Salão de Le Bourget, do interesse da RAF pelo EMB312 Tucano.

Nota DefesaNet

Index das matérias publicadas na Série Top Secret – Ingleses em Canoas- O uso de Bases Brasileiras para pousos de aviões ingleses em rota para as Malvinas. As negativas diplomáticas e no fim o real objetivo da permissão Brasileira. Inclui matérias do Jornal Zero Hora, revista Veja e outros jornais da época:

1 - Abertura Top Secret – Ingleses em Canoas Link
2 - Exclusivo Zero Hora 24 Junho 1983 - Na Base de Canoas o avião inglês que abastece as Malvnas Link
3 - Top Secret - Brasil tenta a "estória" dos Pousos Técnicos Link
MMMatérias dos jornal Zero Hora dos dia 25 Junho 1983
4 - Top Secret - Ingleses Detonam - Confirmam os pousos Link
MMMatéria do jornal Zero Hora do dia 27 Junho 1983
5 - Top Secret – Ingleses em Canoas - VEJA - EMBRAER dá a Pista
      Matéria de VEJA 29 Junho 1983

 

5 - Top Secret -  VEJA - EMBRAER dá a Pista

 

DIPLOMACIA
Rumo às Malvinas
Hercules inglês pousa na base de Canoas

 
 
O Hercules C-130. prefixo 298, com a inscrição "Royal Air Force" na fuselagem, varou um maciço de nuvens e pousou na base aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul, exatamente às 11h10 da ultima quinta-feira (23JUN83). Oficiais da Aeronáutica que, desde a manha, aguardavam o avião inglês, mantendo as luzes da pista e da torre acesas, como medida de cautela pelo tempo chuvoso, recepcionaram os tripulantes do avião no hangar da base. Este ritual se repete desde o fim da guerra entre a Inglaterra e a Argentina, no ano passado, nascida da disputa em tomo das Ilhas Malvinas, mas só na semana passada pôde ser documentado por um fotógrafo do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, que assistiu ao desembarque oculto nas   cercanias  da Base Aérea.
 
CASOS  DE EMERGÊNCIA — A freqüência dos pousos varia muito, mas eu diria que a média é um avião a cada dez dias", admitiu na sexta-feira o major-brigadeiro Thales de Almeida, Comandante do V COMAR. Àquela altura parecia inútil negar a  utilização da base por aviões militares ingleses — para desconsolo do Itamaraty. No começo do mês, confrontado com a notícia publicada pelo jornal The Guardian, de Londres, de que aviões de transporte da Real Força Aérea  estavam usando o território brasileiro em suas operações de reabastecimento. o chanceler Ramiro Saraiva Guerreiro reagiu prontamente: "Estas notícias são falsas", sustentou. "São pura fantasia." Pelo menos o governo argentino faz o possível para acreditar na versão brasileira. Na sexta-feira, mesmo depois de publicadas pelo jornal Zero Hora as fotos que mostram o avião pousando em Canoas, o embaixador Gustavo Figueroa, chefe de gabinete do chanceler argentino Aguirre Lamari, esbanjava boa vontade. "Nós vamos continuar acreditando na palavra do governo brasileiro, que afirma que isto não é verdade". declarou Figueroa em Buenos Aires.


 


Diante das fotos, todavia, o Itamaraty preferiu mudar de tática — e, na sexta-feira, emitiu uma nota informando que os vôos não eram regulares. "Somente em emergências ou casos  excepcionais de caráter humanitário", alega o documento. "são concedidas autorizações para que aeronaves ou embarcações britânicas, que cumprem a rota para as Ilhas Malvinas, toquem o território brasileiro." A julgar pelos calculou do brigadeiro Thales, já ocorreram ao menos  trinta emergências desse gênero. "No meio da vôo", explica o brigadeiro, "a tripulação inglesa entra em contato com o governo de Londres que procura o Itamaraty. Como a aeronave é militar, a Aeronáutica expede a licença de sobrevôo e pouso."
 
Essas emergências, que frequentemente surpreendem os aviões ingleses no trecho entre a Ilha de Ascensão e as Malvinas, com viveres e medicamentos para os soldados, que permanecem em Port Stanley, não ajudam apenas a contornar problemas técnicos de voo. Também reduzem à metade os gastos de reabastecimento dos Hercules, em pleno ar, pelos aviões-tanque "Victor". Ao permitir que a Inglaterra poupe quase 100.000 dólares, em cada pouso, o governo brasileiro pode estar somando  pontos para consumar uma rendosa operação comercial.
 
A Embraer quer vender aos ingleses 100 aviões de treinamento militar EMB312 Tucano. A Inglaterra, que a princípio pareceu pronta a fechar negócio, hoje dá sinais de relutar entre o produto brasileiro e um suíço.
 
Em conversa com jornalistas ingleses que visitavam o show aeronáutico internacional, no Aeroporto Le Bourget, em Paris, um executivo da Embraer deixou vazar a notícia dos pousos dos aviões no Brasil. A notícia se espalhou e, assim, a estratégia montada pelo governo brasileiro de, mantendo em sigilo os pousos, agradar aos ingleses sem desgostar os argentinos naufragou. Na sexta-feira, ao saber do incidente, o embaixador do Brasil na Argentina. Carlos Duarte da Rocha, limitou-se a murmurar. "Que burrada..."

 




SURGE o Tucano S


Um acordo foi assinado, em Maio de 1984, entre a Embraer e a Shorts Brothers, Irlanda do Norte, para modificar o EMB 312, para atender aos requisitos da  Royal Air Force (RAF) para um treinador  de alta performance para substituir o Jet Provost. Estes requisitos tinham sido formalizados em 1983. A Shorts Brothers ficou como responsável pela montagem final e a produção de  60%  da aeronave, embora as asas, trem de pouso e o canopi fossem produzidos no Brasil.

Em março de 1985,  após uma competição, em especial com a Pilatus, o Shorts Tucano foi declarado o vencedor com um contrato de  £126 milhões de libras para  130 aeronaves e uma opção para mais 15.

 Além da produção da Royal Air Force, o Short Tucano foi  exportado para o Quênia (12 Tucano Mk.51) e ao Kuwait (16 Tucano Mk.52).

Foi adotado uma turbina mais potente Garrett de 1100 SHP, para aumento de velocidade ao nível do mar de 210 para 270 Nós. Reforço estrutural par que a aeronave alcance 12.000 ciclos. Os avionicos também foram alterados.,