COBERTURA ESPECIAL - Ecos - Guerras, Conflitos, Ações

29 de Maio, 2013 - 18:34 ( Brasília )

Desmanche de armas de guerra gera muito dinheiro na Alemanha

O metal reciclado de um tanque de guerra pode valer até R$ 800 mil. Quem enxergou o filão foi um empresário que tinha um pequeno ferro velho na cidade alemã de Rockensussra.

Apresentado Jornal Nacional 28 Maio 2013

Na Alemanha, o desmanche de armas de guerra rende muito dinheiro. Nos últimos 24 anos, quinze mil tanques e blindados foram desmontados numa cidade visitada pelos enviados especiais Marcos Losekan e Sérgio Gilz.

Eles estão em guerra contra o desperdício. Um arsenal que muitos exércitos do mundo não têm, está na mira da reciclagem, no maior desmanche de carros de combate da Europa, que fica na cidade alemã de Rockensussra.

A empresa nasceu em 1989, com o fim da União Soviética e a reunificação da Alemanha. Era preciso desmilitarizar a antiga Alemanha Oriental, um país comunista que tinha um exército obsoleto. Eram cerca de 13 mil tanques, muitos deles dos tempos da Segunda Guerra Mundial. Quem iria reciclar tudo isso? Lá, esse lixo militar passou a ter valor.

O metal reciclado de cada tanque pode valer até R$ 800 mil. Quem enxergou o filão foi um empresário que tinha um pequeno ferro velho em Rockensussra antes de receber a missão.

Ele conta que depois da reunificação, o governo da Alemanha tinha mais o que fazer do que ficar cuidando dos tanques obsoletos. ''Assumi a tarefa'', diz ele.

Depois de 20 anos, quando o trabalho já estava perto do fim, a União Europeia assinou novos tratados de desmilitarização, obrigando os exércitos do bloco a limitar o arsenal. Resultado: o desmanche de Rockensussra tem trabalho que não acaba mais.

''Agora somos vigiados por satélite'', explica o gerente. ''Até para mover um tanque aqui no pátio de um lado para o outro, precisamos de autorização da Otan - a Aliança Militar do Ocidente”, diz.

O consultor militar do governo alemão explica que muitos tanques são novinhos em folha e que por isso todo controle é pouco. ''Uma máquina de guerra dessas ainda pode fazer muito estrago'', diz ele.

Muitas dessas armas de segunda-mão são vendidas principalmente para países em desenvolvimento. Mas a grande maioria é mesmo desmontada, e acaba servindo para a paz: a empresa de desmanche compra os tanques dos governos europeus, que assumem o compromisso de investir o dinheiro em projetos sociais.