COBERTURA ESPECIAL - Ecos - Guerras, Conflitos, Ações - Geopolítica

26 de Abril, 2013 - 11:14 ( Brasília )

Guerra do Pacífico - Evo: escolas devem ensinar que Bolívia perdeu saída para o mar em invasão


O presidente da Bolívia, Evo Morales, instruiu os professores locais a ensinarem que o país perdeu o acesso ao Oceano Pacífico em 1879 em uma invasão, e não em uma guerra. Em um discurso na região andina de Oruro, o líder disse ter encontrado alguns erros nas lições que são distribuídas nas escolas bolivianas sobre a chamada Guerra do Pacífico, na qual o país perdeu seu acesso ao litoral para o Chile.

"Dizem que houve uma guerra. Eu discordo do termo 'guerra'. Para mim, foi uma invasão e não uma guerra. A invasão começou no dia 14 de fevereiro de 1879, prosseguiu e só no dia 23 de março desse ano houve resistência. Quantos dias de invasão? Mais de um mês", bradou Morales.

Ainda de acordo com o presidente, embora o governo do Chile tenha declarado guerra depois, a Bolívia já tinha sido invadida por pelo menos 40 dias. "Não cometam o erro de continuar ensinando que houve uma guerra no ano de 1879. Expliquer a seus alunos que houve uma invasão", pediu.

Tropas chilenas ocuparam a então costa boliviana em 1879, provocando uma guerra com a Bolívia e o Peru, que também perdeu territórios. Por isso, inclusive, os peruanos têm em curso um processo na Corte Internacional de Justiça de Haia (CIJ).

A Bolívia perdeu naquela disputa (1879-1883) 400 quilômetros de costa e 120 mil quilômetros quadrados de superfície. Uma equipe do país, liderada pelo chanceler David Choquehuanca e pelo ex-presidente Eduardo Rodríguez Veltzé (2005-2006), apresentou na quarta-feira perante a CIJ um processo contra o Chile pela restituição da saída ao Pacífico.

Morales decidiu recorrer à Corte ao considerar que o Chile tinha prolongado as negociações sem oferecer até o momento uma proposta "concreta, útil e viável" à reivindicação boliviana.

O Chile lamentou que a Bolívia tenha iniciado uma ação, a considera "sem fundamentos de fato e de direito" e comentou que não é obrigado a negociar um acordo para ceder soberania ao país andino unicamente pela reivindicação apresentada na CIJ.