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Exército Brasileiro

Defesanet 25 Agosto 2006
CB 25 Agosto 2006

O soldado brasileiro

Jarbas Passarinho
Foi ministro de Estado, governador e senador

Hoje se comemora o Dia do Soldado. Não apenas nos quartéis, mas no coração do povo brasileiro. Longe de ser uma casta, o Exército recruta seus oficias pelo mérito. Dei-lhe 28 dos mais fascinantes anos da minha vida. No concurso universal para ingresso na Escola Militar, estudante pobre, iniciei a carreira das armas. Três filhos de generais, nesse concurso, foram reprovados no exame intelectual.

Caxias não teve berço de ouro. Filho de oficial superior. Osório veio das fileiras de soldado, galgou promoções na tropa e alcançou o ápice da hierarquia militar, como general e marechal, colhendo vitórias nos campos de batalha. São duas vertentes bem distintas da carreira das armas. Um, patrono do Exército; o outro, da Cavalaria. Um, o maior general deste subcontinente, autor de manobras táticas de estilo napoleônico. O outro, padrão de bravura e denodo que o inimigo temia, desde sua fase de lanceiro. Fácil, dizia o intimorato vencedor, “é comandar homens livres”.

O brazilianist Alfred Stepan, no livro The Military in Politics (Princeton University Press, 1971), escreveu que “a idéia de que os oficiais do Exército brasileiro eram recrutados do estrato socioeconômico superior da sociedade era desmentida pelas tabelas que compus compulsando o arquivo da Academia Militar de Resende”. Entre 1941 e 1943 (coincidentemente meu tempo de aluno da Escola Militar), 19,8% da ocupação dos pais dos cadetes pertenciam ao que Stepan classificou de classe superior (latifundiários, embaixadores, advogados, engenheiros, dentistas, magistrados); à classe média (comerciantes, bancários, professores, pequenos fazendeiros), 74,6%; trabalhadores qualificados (eletricistas, mecânicos) 1,5%, e mão-de-obra não- qualificada (domésticas, camponeses) 2,3%. Já na geração de 1962/1966 a percentagem havia reduzido a classe superior de 19,8% para 6%, e aumentado de 76,4% para 78,2% na classe média. Ademais, chamou a atenção do escritor que nos 6% da classe alta, os filhos de latifundiários, que em 1941 eram 3,8%, haviam diminuído para só 0,5% em 1962.

A escritora Fay Haussman fez um estudo comparativo da formação do soldado de três países: Estados Unidos, Argentina e Chile. No seu livro coloca o soldado brasileiro acima de todos. Stepan diz que em 1971 o Brasil tinha 40% de analfabetos. A fonte não merece crédito, mas bem antes o Exército recebia recrutas analfabetos e os alfabetizava na escola existente em cada organização militar. Hoje, o soldado brasileiro maneja instrumentos que requerem tecnologia até de ponta. Em 1972, ministro da Educação, presente à reunião da Unesco, ouvi o ministro Faure relatar o livro Apprendre a apprendre, que serviria de base para as discussões internas, e referir-se como novidade à necessidade da educação continuada.

Ora, os militares já utilizavam, de há muito, a educação continuada. O curso da Escola Preparatória de Cadetes, dos que aspiram a ingressar na Academia Militar, se não prossegue já alcançou o nível de sargento. A Academia Militar prepara o tenente. Segue-se a Escola de Aperfeiçoamento e, se o oficial aspira a atingir o generalato, faz concurso para a Escola de Estado Maior. Uma década de ensino continuado, pois, para os oficiais. E uma escola específica forma os sargentos. A metodologia de ensino não abre mão dos meios auxiliares, conjugando a memória auditiva à visual. O soldado domina desde logo essa metodologia que ainda é desconhecida em boa parte das escolas civis. Um cabo, primeiro degrau da hierarquia, instrui recrutas servindo-se de um cavalete e dos meios auxiliares, o que era novidade na Unesco, em 1972.

A educação do soldado não fica apenas no aprendizado das técnicas para derrotar o inimigo. Cultua a moral. Ouviu dizer nas casernas o que lhe ficou para sempre: “À Pátria tudo se deve, nada se lhe pede”. André Maurois, biógrafo do general Lyautey, confessa que ao deixar o serviço militar foi que percebeu quanto estava errado e preconceituoso ao entrar para o Exército francês. O mesmo tem sido a regra dos brasileiros que, recrutas a contragosto, hoje dizem quanto aprenderam a amar o Brasil onde se fizeram cidadãos. E a sociedade reconhece o seu patriotismo e seu valor. Nas pesquisas de opinião pública, o povo responde que as Forças Armadas são a instituição nacional em que confia mais.

Nos cinco dramáticos anos de guerra com o Paraguai, até mesmo gravemente ferido, em Itororó, o soldado seguiu Caxias, quando, no auge da peleja, bradou: “Sigam-me os que forem brasileiros!” Na Itália, quando a neve se dissolveu, corpos de soldados mortos nos combates e preservados pelo gelo, provaram a sacralidade do juramento de defender a pátria com o sacrifício da própria vida. Intrepidez e coragem foram postas à prova nos embates mortais em Montese, e em todos os confrontos da FEB, que venceu e aprisionou duas divisões do melhor exército do mundo. Quando o soldado não vê reconhecido o seu sacrifício na luta armada interna e premiado o agressor que combateu, não se abate. Sua missão é servir à pátria que se sobrepõe a governos que passam e ele é instituição permanente. Forja na caserna o caráter, respeita os valores éticos, honra em qualquer circunstância a Bandeira, que tremulou nos pântanos paraguaios e sob o sol ou a neve da Itália, sem jamais macular sua tríade, Pátria, Honra e Dever

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Estrutura Organizacional do Exército Brasileiro 2006
http://www.defesanet.com.br/eb/est_06.htm

 

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