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Helibras
planeja criar novo pólo
Patrícia Nakamura
O consórcio
aeroespacial europeu EADS, o governo brasileiro
e a Helibras articulam a criação de
um pólo de produção de helicópteros,
projeto que deverá atrair até 1 bilhão
de euros em investimentos de fabricantes de peças,
fornecedores de serviços, transferência
tecnológica e a instalação
de um simulador de vôo. Só a construção
de uma nova fábrica em Itajubá (interior
de MG) consumiria 200 milhões de euros. A
intenção é que as atividades
do novo pólo tenham início no mês
de junho, quando a Helibras comemora 30 anos de
atividades.
A EADS é
controladora da Eurocopter, uma das maiores fabricantes
de helicópteros do mundo. Por sua vez, a
Eurocopter possui 45% do capital votante da Helibras,
fundada em 1978 em São José dos Campos
(SP). Até hoje, é a única fabricante
de helicópteros da América Latina.
O governo de Minas Gerais tem 25% do capital votante;
a composição acionária é
completada pelo grupo financeiro Bueninvest, com
30% do capital votante. É líder de
mercado no Brasil, respondendo por mais de 50% da
frota de helicópteros a turbina.
Para que o projeto
saia do papel, é necessário que o
governo brasileiro se comprometa em adquirir pelo
menos 50 unidades da nova e mais sofisticada versão
do Super Cougar, helicóptero militar com
capacidade para 22 pessoas, que voa a até
300 quilômetros por hora e que pode ser utilizado
para transporte ou ataque. Dependendo dos equipamentos
instalados, o preço do Super Cougar pode
beirar os US$ 30 milhões, segundo especialistas.
Os defensores mais entusiasmados do plano já
se referem a ele como o "segundo pólo
de aviação brasileiro", numa
referência ao da Embraer. Se o projeto se
concretizar, o governo brasileiro poderá
receber seu primeiro helicóptero em até
dois anos e meio, afirmou ao Valor Jorge Viana,
ex-governador do Acre e presidente do conselho da
Helibras.
Em reunião
realizada na semana passada, em Brasília,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acenou
positivamente com o prosseguimento do projeto, apesar
de não haver, por enquanto, nenhum documento
formalizando a construção do pólo.
Participaram do encontro o comandante da Aeronáutica,
brigadeiro Juniti Saito, o ministro Miguel Jorge
(Desenvolvimento) , Christian Gras (vice-presidente
da EADS Latin America), Marwan Lahoud (diretor-executivo
de estratégia da EADS), Eduardo Marson (diretor-geral
da EADS no Brasil), Jorge Viana e o presidente do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), Luciano Coutinho. O banco estatal
deve financiar parte dos investimentos do pólo.
Amanhã, Viana
deve apresentar o projeto ao governador de Minas
Gerais, Aécio Neves. Nas próximas
semanas, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio
Cabral, deve se reunir com o presidente do conselho
da Helibras. Um dos principais fornecedores de turbinas
para helicópteros deve se instalar no Rio.
"Minas, Rio e São Paulo devem abrigar
os principais fornecedores", afirmou Viana.
Antes do aval de
Lula, interlocutores da Helibras e dos ministérios
da Defesa e do Desenvolvimento vinham discutindo
a criação do pólo desde setembro.
De acordo com Viana, o projeto começou a
ser delineado pela Helibras em meados de 2007, quando
a Força Aérea Brasileira iniciou um
processo internacional de aquisição
para 32 helicópteros, sendo 20 de transporte
e 12 para ataque. Avaliado em R$ 600 milhões,
o processo atraiu propostas de empresas como as
americanas Bell e Sikorsky , a italiana Agusta,
a Eurocopter e a russa Rosoborobnexport.
A Helibras não
apresentou proposta, mas encaminhou ao Ministério
da Defesa uma carta de intenções para
a fabricação local desses aparelhos.
A facilidade de manutenção dos equipamentos
também pesou favoravelmente ao projeto. Ainda
não é certo se o governo cancelará
a compra após a formalização
do pólo.
A produção
do pólo não se restringirá
apenas às encomendas governamentais. A descoberta
de novos campos de petróleo e gás
na costa brasileira deverão elevar a demanda
do mercado "off-shore", acredita a direção
da Helibras. A Petrobras é hoje a maior usuária
de helicópteros do país, movimentando
10% da frota brasileira, de cerca de 1,1 mil unidades.
O novo complexo
também poderá servir de base de exportação
para a Eurocopter, penalizada com os altos custos
da produção doméstica em euros.
Tanto é que o planejamento estratégico
da EADS até 2020 prevê que, dos 50
bilhões de euros previstos para expansões,
pelo menos 40% devem ser investidos fora da Europa.
O presidente executivo
da Helibras, o francês Jean Nöel Hardy,
confirmou a existência do projeto e as conversas
com o governo, mas disse não participar diretamente
das negociações. Em 2007, a empresa
registrou vendas recordes de US$ 92 milhões
(55% superior a 2006) e a entrega de 25 helicópteros.
A carteira de encomendas é de 48 unidades,
o que preenche toda a produção deste
ano. A fila de espera do modelo Esquilo, o mais
vendido pela Helibras, vai até 2010. "O
Brasil possui a quarta maior frota do mundo e um
potencial enorme de crescimento. "
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