COBERTURA ESPECIAL - Doutrina Militar - Terrestre

20 de Agosto, 2018 - 10:50 ( Brasília )

Centro de Educação a Distância do Exército, recém-criado e com foco na inovação pedagógica


Núcleo do Centro de Educação a Distância do Exército iniciou suas atividades na modalidade de educação a distância (EaD) a partir de 1º de julho de 2015, ocupando as dependências da antiga sede da Escola de Comunicações, dentro da estrutura do aquartelamento da Escola de Sargentos de Logística.

Em 20 de julho desse mesmo ano, foi elevado a Centro de Educação a Distância do Exército (CEADEx), como organização militar, tendo sido descrita na Portaria nº 900, do Comando do Exército. Sua criação visa atender a macro objetivos, dentre eles, o de “implantar um novo e efetivo Sistema de Educação e Cultura”, contidos no Planejamento Estratégico do Exército, para os anos de 2016 a 2019.

O CEADEx está subordinado à Diretoria de Educação Técnica Militar; no entanto, seu universo de relacionamento estende-se às demais Diretorias, aos Centros, aos estabelecimentos de ensino subordinados e aos Centros de Instrução, visando à coordenação e orientação das atividades atinentes à modalidade EaD e, ainda, ao processo de capacitação dos recursos humanos no âmbito do Exército.

A implantação do Centro de Educação a Distância do Exército visa propiciar uma maior sinergia e racionalização no emprego dos meios destinados à EaD, atualmente existentes e a serem incorporados. O CEADEx trabalha em prol do cumprimento das metas estabelecidas pelo Comando do Exército, bem como em função do alcance de sua visão de futuro, que é compor um centro de referência em EaD, responsável por acompanhar e difundir, permanentemente, a evolução dessa modalidade de educação e oferecer formação continuada aos agentes envolvidos nos diversos processos correlatos.

Com essa recém-criada organização militar voltada à inovação pedagógica, o Exército Brasileiro vislumbra a ampliação da capacidade educacional de seu Sistema de Educação e Cultura.

Segundo a Diretriz de educação a distância para o Exército, o Centro possui como missão capacitar recursos humanos para atuar na modalidade EaD, coordenar e orientar a execução desse tipo de ensino no âmbito do Exército, além de realizar estudos sobre ele.

Para isso, dentre as principais atividades do CEADEx, encontram-se operacionalizar o Portal de Educação; realizar a gestão do ambiente virtual de aprendizagem (a EBAula); dar suporte tecnológico à condução de cursos, estágios e programas; e promover capacitação continuada no âmbito do Exército, atinentes aos assuntos de EaD.

Diante da crescente demanda e importância da sistemática de educação a distância para o Exército, o CEADEx busca aprimorar processos e produtos sob sua responsabilidade, visando à melhoria da qualidade que essa modalidade requer.

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO EXÉRCITO BRASILEIRO - inovação em tempos de transição*

A educação transformou-se, nas últimas décadas, em tema prioritário nas discussões sobre políticas públicas , trabalho, empregabilidade e cidadania.

Muito embora tal preocupação possa parecer, à primeira vista, originária do ideário pedagógico, o fato é que a transição da sociedade industrial para a controversa sociedade pós-industrial passou a exigir um novo perfil profissional capaz de atender às demandas do mercado de trabalho.

Se, até décadas atrás, o mundo do conhecimento e o mundo do trabalho mantinham apenas relações de aproximação, do período que sucedeu a Segunda Guerra Mundial até os dias atuais, conhecimento e trabalho passaram a manter relações viscerais de interdependência.

A informação passou a constituir-se no principal fator de produção da Revolução Informacional, superando assim o protagonismo da matéria-prima e da mão-de-obra que outrora marcaram a sustentação do sistema produtivo (LOJKINE, 1999) .

Não por acaso, a educação ( inicial e continuada – em seus múltiplos níveis, formas, tipos e modalidades) passou a ser considerada como condição sine qua non à subsistência do sistema econômico. Em tempos de transição, o investimento em educação deixa de ser algo acessório ou opcional devido ao seu caráter decisivo e, portanto, obrigatório.

Nesse sentido, para além da constatação de uma transformação radical nas dinâmicas sociais, econômicas e culturais que reclamam cada vez mais por projetos educacionais inovadores, a prevalência das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) aponta para a necessidade de desenvolvimento de novas estratégias capazes de fazer frente aos desafios da sociedade globalizada.

Em outras palavras, não se trata apenas de garantir “mais educação”, no sentido de promover o acesso a mais conteúdos, ou mudança quan titativa; mas de “melhor educação”, o que requer novas metodologias, ou transformação qualitativa.

Diante do cenário sui generis da cibercultura , a educação a distância passa a ser considerada como alternativa viá vel para o desdobramento de ações atreladas à educação formal, não-formal e informal . Curiosamente, há quinze anos atrás, Silva (2003) anunciava o declínio da expressão “a distância” diante do processo de popularização das tecnologias digitais. Para o autor :

[...] as duas modalidades coexistirão: o uso da web, dos suportes multimídia e a sala de aula tradicional com professor e alunos frente a frente. O aluno terá a aula na escola, na universidade, e terá também o site da disciplina com exercícios e novas proposições conf igurando a sala de aula virtual.

Na mesma linha de raciocínio, Santaella ( 2010 ) ressalta que diante das novas possibilidades de articulação decorrentes da denominada aprendizagem ubíqua, a té mesmo os conceitos convencionais de educaçã o formal e educação a distância passam a ser colocados em xeque pelas novas perspectivas de educação sem distâncias e de aprendizagem sem ensino

[...] tanto a educação a distância quanto a educação on line caracterizam-se como educação formal na medida em que apresentam procedimentos sistematizados de ensinoaprendizagem. Já a aprendizagem ubíqua, espontânea, contingente, caótica e fragmentária aproxima-se, mas não coincide exatamente com a educação informal. A não coincidência se deve ao fato de que as condições que se apresentam são tão novas que parecem merecer que seja estabelecida a distinção entre educação e aprendizagem. Ou seja, inaugura-se uma modalidade de aprendizagem que é tão contingencial, inadvertida e não deliberada que prescinde da equação ensinoaprendizagem caracterizadora dos modelos educacionais e das formas de educar. O que emerge, portanto, é um novo processo de aprendizagem sem ensino. (SANTAELLA, 2010 , p.21)

No caso específico do Exército Brasileiro, as políticas educacionais do último vintênio apontam diretamente para a necessidade de uma nova mentalidade no que diz respeito às relações com o conhecimento.

Aproximação com o meio acadêmico, desenvolvimento do pensamento crítico , interdisciplinaridade e utilização de tecnologias digitais para fins pedagógicos são alguns dos pontos destacados no Processo de Modernização do Ensino (PME, 1995), um verdadeiro marco de inovação nos contornos da Força.

Desde então, com a publicação dos documentos de defesa tais como a Política de Defesa Nacional¹ (2005 ), a Estratégia Nacional de Defesa (2008 ), o Livro Branco de Defesa Nacional (2013) e, mais especificamente, o Ensino por Competências (2011), as ideias de flexibilidade, formação continuada, cooperação e iniciativa têm ganhado força nos documentos oficiais e nas práticas de ensino da instituição.

É justamente no contexto de transição da Sociedade em Rede que as Forças Armadas, respeitadas as suas peculiaridades, também assumem o compromisso com a inovação, em suas múltiplas dimensões .

Muito embora a temática da Defesa possa suscitar, à primeira vista, reflexões focadas na indústria bélica, equipamentos e afins, o fato é que a formação profissional assume especial destaque nos planos e diretrizes das instituições militares .

Nesse sentido, as ações de capacitação passam a receber especial atenção por parte dos escalões superiores e, ademais, impõem o domínio das TDIC como um compromisso inadiável.

Diante do exposto, entendemos que o processo de transição em curso no Exército Brasileiro, apesar de ser gradativo, já apresenta alguns indícios de inovação.

O incentivo ao desenvolvimento da pesquisa, das metodologias ativas e de eventos de caráter pedagógico nos estabelecimentos de ensino , por exemplo, evidencia a importância do diálogo com instituições civis de ensino e pesquisa e a articulação entre teoria e prática.

No que diz respeito à EAD propriamente dita, há desafios de natureza tecnológica e pedagógica, u ma vez que além da aquisição de hardware e software compatíveis com as demandas atuais, faz-se necessário esclarecer que a educação online não se limita à transposição, no ambiente virtual de aprendizagem, das práticas de ensino convencionais.

Mais do que equipamentos e materiais didáticos, as dinâmicas de aprendizagem merecem especial atenção quando se pretende garantir a qualidade dos processos educativos.

A EAD no Exército Brasileiro: breve histórico

O Exército Brasileiro é responsável pela formação profissional de mais de 200.000 militares que atuam em todo território nacional. Apesar de sua notória tradição no que diz respeito à excelência educacional na modalidade presencial, são pouco conhecidas suas iniciativas relacionadas à educação a distância.

Devido à capilaridade do EB e de suas efetivas contribuições no processo de institucionalização da EAD, no Brasil, faz-se necessário apresentar, ainda que de forma sucinta, alguns apontamentos sobre a gênese e o desenvolvimento dessa modalidade educacional nos contornos da instituição.

Se a criação da Real Academia Militar (1811) é tida como um marco de referência na história da educação militar, é mister destacar que existem registros que comprovam, para além da tradição, indícios de inovação, desde tempos remotos, atrelados aos “estudos domiciliares”, precursores do que hoje se convencionou denominar de educação a distância.

Os primórdios da EAD, no Exército Brasileiro, remontam ao século XVII, como destaca Albuquerque (2011), autora de uma das principais pesquisas acadêmicas que versam sobre o tema.

Fundamentando-se na investigação de Cardoso (2007), a oficial verificou que, em meados de 1642, já havia “um livro de autoria desconhecida sobre ensinamentos de aritmética, geometria, fortificação e artilharia para estudos domiciliares sem mestre, com o objetivo de instruir o Exército do Brasil Colônia na arte militar”. Ao que tudo indica, trata-se, provavelmente, da primeira iniciativa do gênero em solo nacional.

Já no século XX, com a disseminação do ensino por correspondência e, posteriormente, dos cursos online, o Exército também marcou presença nos anais da história da EAD no Brasil.

As dimensões continentais do Brasil, as restrições orçamentárias e a impossibilidade, em alguns casos, de frequência regular dos militares em cursos presenciais, dentre outros fatores, contribuíram para a ascendência da educação a distância como estratégia de formação profissional.

De acordo com Silva e Vilas Boas (2009), vale destacar que o ensino oferecido na modalidade presencial não era capaz de atender às necessidades da instituição no que diz respeito à participação dos militares em algum tipo de seleção para cursos e missões especiais, no caso dos residentes em áreas de fronteira ou assemelhadas.

Dada a preocupação do Alto Comando em relação à igualdade de condições de acesso às oportunidades de formação, os cursos oferecidos na modalidade a distância passaram a comparecer com mais frequência na dinâmica institucional e, na década de 70, atingiram seu ápice no Centro de Estudos de Pessoal (CEP), responsável pelo oferecimento de cursos de idiomas para militares de todas as regiões do território nacional.

Após a consolidação do ensino de idiomas, a parceria com universidades permitiu a ampliação da oferta de cursos e, enfim, a popularização das TDIC (Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação), passou a evidenciar a tendência irreversível de exploração do ciberespaço para fins educacionais.

Segundo as autoras, o Exército investiu no desenvolvimento do portal de ensino para realizar a gestão acadêmica e, concomitantemente, o ambiente virtual de aprendizagem para realizar a gestão do conhecimento. Durante aproximadamente uma década, a gestão da EAD, no âmbito da Força, esteve a cargo de uma fundação.

Em 2015, o Comando do Exército decidiu criar o Centro de Educação a Distância do Exército (CEADEx) e delegou a esta nova organização militar as missões de desenvolver e administrar o novo portal, que passou de ensino a educação, bem como o novo ambiente virtual de aprendizagem, transferindo, desta forma, a gestão da EAD para a própria Força.

A Diretriz de Educação e Cultura do Exército Brasileiro 2016-2022, publicada em novembro de 2015, ratificou como essencial o papel da EAD para a oferta de capacitação do profissional militar de forma progressiva, econômica e efetiva, sem afastá-lo, por muito tempo, de suas funções na organização militar na qual esteja servindo. Consequente dessa visão norteadora emanada pelo escalão superior, o CEADEx, como organização militar responsável pela implantação da nova sistemática de funcionamento das atividades de ensino e aprendizagem, na modalidade de educação a distância, representa um divisor de águas na transição de uma administração para outra, tanto no domínio tecnológico quanto na esfera pedagógica.

A partir desse momento, passa-se a mapear todos os cursos e estágios em EAD conduzidos pelos Estabelecimentos de Ensino (Estb Ens), com gestão quantitativa de espaço em disco, acessos e usuários (administradores, agentes de ensino e alunos), tendo como resultado, nos anos de 2016 e 2017, a constatação de que houve um aumento significativo nas solicitações oriundas das escolas para criação de cursos/estágios ou atualização dos já existentes para redistribuição de carga horária para fase EAD.

Contudo, nesse cenário de transição, era preciso pensar também na gestão qualitativa da EAD, o que incluía a produção de recursos educacionais, a dinamização dos conteúdos trabalhados e as práticas de tutoria no ambiente virtual de aprendizagem.

Não obstante a relevância da EAD para capacitação profissional de militares no Brasil e no exterior, o órgão gestor da educação no Exército Brasileiro entende que a modalidade deve “propiciar a articulação entre os processos formativos presencial e a distância, atendendo aos padrões de qualidade do ensino militar” (BRASIL,2016), como estabelecido na Diretriz de Educação a Distância, publicada em novembro de 2016.

No intuito de operacionalizar tal intenção, orienta que o uso do ambiente virtual de aprendizagem (AVA) nos processos de ensino e de aprendizagem não é exclusivo da modalidade EAD; o que aponta para seu emprego nas atividades de apoio ao ensino presencial.

Para percorrer os novos caminhos delineados para a educação, em consonância com as necessidades de formação do profissional do século XXI, mostra-se imprescindível o preparo dos Estb Ens, dos gestores pedagógicos e dos docentes para a introdução de práticas educacionais inovadoras, com o emprego de modernas metodologias e tecnologias digitais para o ambiente presencial ou virtual de aprendizagem.

A incorporação das novas tecnologias ao processo de ensino e aprendizagem modifica a dinâmica das práticas pedagógicas no AVA, cujas atividades passam a exigir uma parceria de trabalho entre professores e alunos, os quais devem interagir constantemente, trocando ideias e participando como atores e coautores do processo educativo, considerando que:

[...] práticas pedagógicas implicam necessariamente decisões e ações que envolvem o destino humano das pessoas, requerendo projetos que explicitem direção de sentido da ação educativa e formas explícitas do agir pedagógico (LIBÂNEO, 2017, p. 17).


Moore e Kearsley (2008, p.152) afirmam que “o ensino a distância eficaz depende de uma compreensão profunda da natureza da interação e de como facilitá-la por meio de comunicações transmitidas com base em tecnologia”, o que nos leva a reafirmar que o AVA é o principal espaço de comunicação e circulação das informações na educação online.

Nesse cenário, o espaço da sala de aula virtual ganha novas dimensões e exige a mediação de um profissional filiado às novas metodologias; o qual possa direcionar seus alunos a um percurso de navegação que rompe com as práticas tradicionais e lineares de construção do conhecimento.

No Exército Brasileiro, a sala de aula virtual não se opõe ao espaço da presencial; na maioria das vezes, uma complementa a outra, possibilitando a oferta de cursos e estágios com etapas diferentes, prática que se alinha aos pressupostos de fomento à intensificação da EAD na Força.

O CEADEx: da transição à inovação

A criação do CEADEx, como já destacamos, constitui-se num marco de transição na história da EAD do Exército Brasileiro. Após completar dois anos de existência e de consolidar a estrutura tecnológica de acesso, o sistema acadêmico, a atualização do ambiente virtual de aprendizagem MOODLE e as oficinas de capacitação para utilização de seus recursos, o centro se prepara para enfrentar os desafios de caráter pedagógico.

Trata-se, pois, de concluir a etapa de transição para investir nas possibilidades de inovação. Por compreendermos que a inovação na/da educação a distância, no Exército Brasileiro, não pode correr o risco de transformar-se em “mais do mesmo”, insistimos na necessidade de uma reflexão pedagógica consistente para orientar uma utilização tecnológica potente. O

continuum transição/inovação, tal qual o entendemos, não se restringe à mera reprodução ou transposição das práticas tradicionais presenciais para os ambientes virtuais de aprendizagem. Se assim fosse, estaríamos diante de uma mudança de caráter quantitativo (mais), quando, na verdade, tencionamos promover uma transformação de caráter qualitativo (mais e melhor).

A esse respeito, Pallof e Pratt (2015, p.15) ressaltam que:

[...] as instituições acadêmicas supõem que, caso ofereçam programa e cursos e online, os professores saberão como ensinar nesse ambiente e, mais importante, os alunos saberão como aprender ou como lidar com esse material. [...] os docentes precisam de capacitação e auxílio na realização da transição para o ambiente online. [...] O ensino e a aprendizagem por meio de uso da tecnologia exigem mais do que o domínio de um software, embora esse continue a ser o foco do treinamento de professores. É necessária uma consciência do impacto que essa forma de aprendizagem tem sobre o próprio processo de aprendizagem.

A ideia de inovação pela via tecnológica, no entanto, carece de uma ressalva, uma vez que mantém íntimas relações com o determinismo tecnológico que atribui àstecnologias a garantia do desenvolvimento econômico, social e cognitivo.

Como bem destaca Duran (2010, 2016) em suas reflexões sobre letramento digital e EAD, não existe uma relação monocausal entre tecnologias e desenvolvimento, de modo que o foco equivocado nos equipamentos deve ser desviado para os letramentos. Em outras palavras, importa destacar que novos equipamentos, apesar de poderem garantir o avanço tecnológico, não podem atestar nenhum tipo de avanço pedagógico sem a devida consideração das dinâmicas de ensino e aprendizagem que os envolvem.

Sendo assim, os letramentos digitais devem ser cuidadosamente considerados, uma vez que apontam para as práticas sociais cujos motivos e ações norteiam o curso da utilização das tecnologias digitais para fins educacionais.

(...) entendemos que a EAD pode contribuir para os processos de inovação em
educação, uma vez que tende a instilar transformações qualitativas e não apenas quantitativas. Contudo, um erro muito comum é confundir inovação tecnológica com inovação pedagógica, como se toda e qualquer iniciativa realizada a distância fosse sinônimo de desenvolvimento. Os elogios vocalizados a favor dessa modalidade educacional geralmente apontam para as ideias de democratização e superação do paradigma tradicional de ensino, mas nem sempre esclarecem sobre suas limitações, problemas e limites. É justamente nesse ponto que nos deparamos com a questão da qualidade da EAD, já que existem certas condições que devem ser atendidas para que o “sonho se transforme em realidade”. (DURAN, 2016)


Alinhada com os pressupostos supracitados, a Divisão de Pesquisa e Produção do CEADEx, em parceria com as demais equipes de trabalho, atua no sentido de realizar pesquisas de caráter pedagógico e tecnológico para fundamentar a produção de materiais e, fundamentalmente, o desenvolvimento de novas metodologias que envolvam o uso das TDIC para os cursos oferecidos na modalidade a distância e, quiçá, presencial.

As ideias de pesquisa e produção são faces de uma mesma moeda, isto é, estão articuladas num todo indiviso, uma vez que sem pesquisa não há repertório teórico nem design criativo para orientar a produção, em sentido amplo.

A produção sem pesquisa, por seu turno, carece da devida fundamentação pedagógica e tecnológica, o que pode culminar no retrabalho e na falta de coerência quando a palavra de ordem é inovação.

Em consonância com Demo (2000, 2002, 2005), entendemos que a pesquisa é
“diálogo com a realidade”, uma vez que a postura problematizadora que impele a investigação não se dá no vazio, mas no contexto das atividades cotidianas nas quais emergem as novas demandas formativas.

Não se trata, portanto, de elucubração teórica desvinculada da realidade, mas, ao contrário, de uma teorização que parte da prática e a ela se dirige, em forma de produtos/processos.

Assim, precisamos compreender muito melhor as forças e limitações das diferentes mídias para sermos exitosos em selecionar a mídia adequada para o trabalho. No entanto, dada a vasta diferença dos fatores contextuais que influenciam a aprendizagem, a tarefa da seleção de mídias e tecnologias torna-se infinitamente complexa. É por isso que se provou impossível desenvolver simples algoritmos ou árvores de decisão para tomar decisões eficientes nesta área. Mesmo assim, há algumas orientações que podem ser usadas para identificar o melhor uso de diferentes mídias em uma sociedade dependente da Internet. (BATES, 2016, p.268-9).

Em face do exposto, uma importante iniciativa do CEADEx em parceria com a Assessoria de Desenvolvimento e Avaliação (ADAE), do DECEx (Departamento de Educação eCultura do Exército), foi a criação do Novo Portal de Educação.

Trata-se de um projeto inovador no âmbito da instituição, uma vez que foi concebido com base numa estrutura tripartite que prevê a articulação entre informação, formação e colaboração. Além da divulgação de notícias, eventos e outros textos institucionais, de caráter informativo, pretende-se avançar no sentido de se publicar conteúdos de caráter formativo que possam contribuir, apesar das limitações, para a capacitação dos agentes diretos e indiretos de ensino.

Ademais, um aspecto inovador diz respeito à participação dos estabelecimentos de ensino na dinâmica de atualização do portal por meio da elaboração e publicação de artigos. A organização da jornada de EAD, em 2016, também apresentou indícios de inovação ao articular encontros presenciais e virtuais com a presença de militares e civis.

Com vistas à articulação entre teorias e práticas, foram convidados, além dos representantes dos estabelecimentos de ensino do Exército Brasileiro, especialistas da demais Forças Armadas, Forças Auxiliares, acadêmicos e demais profissionais que atuam na área para desenvolver reflexões teóricas e compartilhar experiências.

Atualmente, outros projetos estão em andamento e pretendem dar continuidade ao processo de transição, com iniciativas marcadas pela inovatividade. Dentre eles, podemos destacar o Estágio Setorial de Autoria, em fase de aprovação. Trata-se de um curso que pretende capacitar militares e civis que atuam na EAD do Exército Brasileiro para a autoria, em sentido ampliado, como autores de projetos inovadores para cursos online, com foco no design educacional interativo.

Encontra-se também em fase de elaboração uma coleção de e-books gratuitos sobre temáticas atinentes à EAD cuja publicação será compartilhada com civis e militares. Como bem ressalta Duran (2016), uma experiência inovadora não é sinônimo de metodologia excepcional ou ineditismo no uso de recursos.

Até mesmo para experts que se debruçam sobre a temática, como é o caso do Manual de Oslo, o grau de novidade de uma inovação é que impõe a medida do grau da denominada inovatividade. Sendo, portanto, esse grau uma medida comparativa entre o novo (presente) e o que havia (passado), entendemos que existe, aí, uma perspectiva qualitativa de avaliação.

Desse modo, dadas as rupturas e processos de transformação em curso, as iniciativas do CEADEx, ainda que aparentemente singelas, representam, no âmbito do Exército Brasileiro, indícios incontestes de um processo de transição alinhado com desafio da inovação.


*Por: Débora Duran (Departamento de Educação e Cultura do Exército - profdeboraduran@gmail.com) e Sandra Nascimento da Hora (Centro de Educação a Distância do Exército – snhora@gmail.com)


¹A primeira versão da PDN foi atualizada em 2012 e renomeada para Política de Defesa Nacional. A Estratégia Nacional de Defesa foi atualizada no mesmo ano.

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