COBERTURA ESPECIAL - Doutrina Militar - Terrestre

22 de Novembro, 2016 - 10:40 ( Brasília )

Manobra Escolar 2016 encerra o ano de instrução com “chave de ouro”


O final do ano de instrução de 2016 foi de integração entre os estabelecimentos de ensino do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx). Em oito dias, a Manobra Escolar uniu oficiais e praças do Exército, de todas as armas, quadros e serviços, em uma enorme demonstração de poder da Força em defesa do País.

Foram investidos cerca de R$ 750 mil reais, entre alimentação, munição, combustíveis e medicamentos, além da contratação de serviços. Empregaram-se mais de 4.500 cadetes e centenas de alunos de dez escolas do Exército, além de 556 viaturas, 10 aeronaves e grande parte do armamento disponível. Foi contabilizado o consumo de mais de 48 mil unidades de ração operacional, 118 mil litros de óleo diesel e 10 mil de gasolina. Os meios foram oriundos de quase todos os Comandos Militares de Área.

“A Manobra Escolar é o coroamento de todo o ano de instrução, não só da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), mas de quase todas as Escolas que compõem o Sistema de Educação e Cultura do Exército”, resumiu o Comandante da AMAN, General de Brigada André Luis Novaes Miranda.

Tecnologia e integração

Na Manobra Escolar, o poder da Força Terrestre foi exposto no emprego dos mais modernos armamentos e tecnologias, além dos produtos pertencentes aos Projetos Estratégicos. Para exercer as atividades que aprenderam nas Escolas, os militares aplicaram os conhecimentos teóricos e, assim, puderam praticar as competências em um ambiente complexo, que envolve as funções de combate em todos os escalões do Exército Brasileiro.

“Daqui a muito pouco tempo, esses alunos e cadetes serão entregues ao Exército e vão mobiliar as diversas unidades da Força, de Norte a Sul. Irão comandar muitas pessoas que estiveram aqui com eles”, destaca o General Novaes. “É o último polimento nas competências, conhecimentos, habilidades e atitudes”, destaca.

As atividades buscaram retratar a realidade dos grandes conflitos mundiais atuais, que estão focados em áreas urbanas e com a constante presença de civis. “É um ambiente que traz a guerra para dentro da cidade, envolvendo pessoas. A guerra está acontecendo em ambiente humanizado, muito contemporâneo, como é a de hoje”, explica o General Novaes.

Além da simulação de guerra

No contexto de integração, além da simulação de guerra, a Manobra Escolar promoveu trabalhos sociais, com o emprego dos alunos da Escola de Saúde do Exército e Escola de Sargentos de Logística do Exército. A campanha de combate ao mosquito aedes aegypti trouxe para a população que vive em distritos próximos à AMAN o conhecimento de como eliminar o transmissor do vírus da zica, dengue e chicungunha.

As Ações Cívico-Sociais em comunidades carentes levaram médicos especialistas, dentistas e veterinários até a população com dificuldade de acesso à saúde, visando melhorar a qualidade de vida e fortalecer o relacionamento do Exército com os moradores locais.

A promoção do Estágio de Correspondente de Assuntos Militares (ECAM) trouxe alunos de faculdades de Jornalismo, de Marketing e Publicidade e de Propaganda, responsáveis pela cobertura da Manobra. A atividade colocou os formadores de opinião em contato com o Exército e auxiliou alunos e cadetes a lidarem com a mídia.

Manobra Escolar recebe, pela primeira vez, laboratório móvel

O 1o Batalhão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (1o Btl DQBRN) empregou, pela primeira vez durante a Manobra Escolar, o laboratório móvel de análises. O espaço tem como objetivo atuar na simulação de defesa química e biológica.

O laboratório realiza análise de primeira instância de amostras ambientais para a identificação do agente de guerra químico e biológico. A mobilidade e a blindagem garantem a atuação tanto no local onde ocorreu o incidente (área quente), quanto em ambiente livre de qualquer contaminação (área fria). Sua autonomia de até 72 horas traz segurança para quem está dentro do espaço, em caso de estacionamento em ambiente impróprio.

“Após o ataque, o material é recolhido pela equipe de coleta de amostra e encaminhado para nós, onde é feita uma análise para a identificação rápida do agente. Assim, podemos optar pela melhor forma de descontaminar o militar”, explica a Chefe dos Laboratórios Móveis do 1o Btl DQBRN, 1º Tenente Camila Spinola Gonçalves Ferreira. A tecnologia, pioneira na América Latina, é do Centro de Tecnologia do Exército, por meio do Instituto de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear.

Simulações

Na Manobra Escolar, com o reforço de 150 cadetes da AMAN e de alunos da Escola de Sargento das Armas (EsSA), os militares, em posição no terreno, recebem fogos de artilharia com agentes químicos. Após, é feito um reconhecimento do material infeccioso. Há a evasão da tropa e das viaturas da área quente para um posto de descontaminação, colocando todos em situação de segurança. “O laboratório serve como nível de validação na detecção de uma ameaça”, contextualiza o Capitão Klaiser Cleverson de Lima, do 1º Batalhão DQBRN.

 

Durante a Manobra Escolar, o Batalhão realizou cinco simulações de incidentes de ataques contendo elementos contaminados. Para o emprego da Unidade, foram deslocados cinco módulos: Comando e Controle; Identificação; Análise de Produtos; Reconhecimento e Vigilância (da área quente), Proteção; e Descontaminação. Para isso, foram empregados 57 militares e 11 viaturas, sendo todo o material orgânico da própria Organização Militar.