COBERTURA ESPECIAL - Doutrina Militar - Terrestre

23 de Setembro, 2015 - 10:20 ( Brasília )

Operação Centauro 2015 – Cel Dos Anjos CAAdEx



Ricardo Fan
Desde o Campo de Instrução de Saicã (RS)



O Coronel Neuzivaldo dos Anjos Ferreira é o comandante do Centro de Avaliação de Adestramento do Exército (CAAdEx), unidade militar sediada na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

O comandante do CAAdEx detalha as atividades do Centro e a interação deste na Operação Centauro 2015.

O CAAdEx vem participando de várias atividades de emprego de tropa do Exército  Brasileiro (EB).  Na realidade ele foi criado na década de noventa com a finalidade avaliar as principais tropas do EB. Devido a uma necessidade básica de qualquer comandante. Este quando recebe uma missão, como por exemplo, o Tenente-coronel Glicério (Comandante da Força Tarefa Centauro 2015), recebeu. Essa missão que é uma operação de exercício (Operação Centauro 2015) e mais ainda, as dúvidas são mais evidentes quando o comandante recebe uma missão real: vai ocupar a Maré, vai ocupar o Alemão, ou uma Missão de Paz, etc.

A primeira pergunta que o comandante vai fazer é: minha tropa está preparada? Ela está em condições de cumprir essa missão?

Ele pode estar seguindo o planejamento do plano de instrução dele, porém ele nunca vai ter certeza plena ou absoluta daquilo ali. Essa dúvida sempre vai ter na cabeça do comandante. Por isso foi criado o Centro de Avaliação de Adestramento do Exército (CAAdEx). No decorrer  dos anos viu-se que o CAAdEx  faz muito mais que avaliar. Hoje nos treinamos mais, nos adestramos mais do que avaliamos e por isso até esta sendo repensado a estrutura do centro, está sendo repensado o próprio nome do centro. Por que centro de avaliação? Avaliação é uma parte do processo.

Outra ideia equivocada, por exemplo, e que nos estamos apenas trabalhando com a simulação viva,  um centro de treinamento não deve trabalhar apenas com tipo de simulação.

Isso que nós estamos fazendo aqui com: Simulação  Virtual, Viva e Construtiva. Um centro de treinamento, necessita das três simulações, para ter condições em determinada situação ter a integração, é o que está se buscando aqui para ganharmos expertise, kwon how para integrar, mas as vezes o mais importante que integrar é sequenciar.

 Trabalhar primeiro numa Construtiva e numa Virtual e depois ir para o terreno (Viva), como se diz: se não tem chuva não tem sofrimento, não se aprende, não se aprende só no virtual, não se aprende só na construtiva, tem que ir para o terreno, tem que sentir frio, tem que atolar a viatura, tem que ver a dificuldade do terreno. Sofrer para poder aprender, e a viva é isso daí.

Porque eu falei do sequenciamento, porque quando vamos para o terreno nós colocamos todos os meios, tem um consumo enorme: de munição, de combustível, de pessoal, de tempo, porque na virtual se ganha tempo.

Então quando vamos para a viva no terreno, nós não podemos ficar repetindo a atividade porque um elemento cometeu um pequeno erro, então se trabalha bastante na virtual, porque os erros acontecem na virtual e ali ele vai poder repetir sem maiores custos, mas quando vamos para o terreno vamos buscar diminuir ao máximo esse erro e vai adestrar e vai treinar e vai sentir a dificuldade do terreno. E estaremos lá executando a viva na Operação Centauro 2015.

Um conceito que é importante em se ter em mente, é o seguinte: o nosso objeto de estudo, através da simulação viva. O que é simulação e o que é modelagem, na simulação viva ela trabalha no terreno e tem que reproduzir com maior fidelidade possível no terreno as condições do combate, isso é a modelagem, nós vamos modelar é o que: missão, inimigo, terreno, meios e agora também há as considerações.

E quanto mais próximo possível da realidade, maior fidelidade eu vou obter nos dados coletados durante o exercício de simulação viva, que iremos trabalhar exatamente do DOAMEPI (DOutrina, Adestramento. Material, Educação, Pessoal e Infraestrutura), etc.

E em todos aqueles aspectos que impactam no preparo daquela tropa. Então nosso objeto de estudo vai ser DOAMEPI e quanto mais for real.

Por que a simulação viva é a mais próxima do combate real? Porque só o efeito letal do armamento é simulado, só isso, o resto é tudo igual. Vocês vão estar na sua plataforma de combate, a guarnição vai estar atirando e apenas não vai sair o tiro real ali. Só não vai sair a munição de 105mm (referencia ao tiro do Leopard), a 5,56mm,  a 7,62 do atirador, do fuzileiro. Ele só não vai produzir o efeito letal no oponente, na FOROP (Força Oponente) ou da FOROP nele. O resto é tudo igual.

E ninguém, a guarnição do carro de combate, o comandante do Grupo de Combate, o comandante do pelotão vai querer "morrer" em combate na frente da fração dele e aí está a maior contribuição da simulação viva. Ela atua e no afetivo do combatente, ete vai ter cuidado na hora de progredir, a guarnição do carro de combate vai ter o máximo de cuidado na hora de tomar a posição de tiro e atirar não expondo sua silhueta, porque se não ele vai ser atingido.

E  tenham a certeza que a FOROP (Força Oponente) quer vencer o combate. A FOROP vai querer vencer a guerra, assim como a tropa avaliada também quer vencer e cumprir sua missão. E na guerra vai ser isso, o inimigo vai querer te destruir e você vai querer destruir o inimigo. Isso atua no afetivo do combatente e faz que ele tenha o máximo de cuidado em seguir as técnicas, táticas e procedimentos previstos e treinados exaustivamente antes de ir para a simulação viva.

Então a maior contribuição da simulação viva está no afetivo do combatente, e aí ele vai realmente combater como se fosse um combate real, só não vai morrer ali ou ser ferido ou matar ou ferir alguém só vai faltar isso para ser um combate real, mais do que isso é só colocar munição real e colocar o pessoal para combater.

O CAAdEx vai estar lá com os seu meios,  apoiando o exercício da brigada e fazendo a coleta dos dados objetivos através do equipamento, através do game, através dos simuladores de engajamento táticos e também com os OCAs (Observador, Controlador  e Avaliador), de cada fração que vai coletar dados subjetivos que nossos equipamentos que as vezes não conseguem coletar. Juntando os dados objetivos com os dados subjetivos, nós obtemos todos os dados que precisamos para fazer uma APA (Análise Pós-Ação) e verificar realmente, coletar, aprendizagem e até mesmo alguns conhecimentos doutrinários.

Notas DefesaNet

Definições de termos usados conforme o Centro de Avaliação de Adestramento do Exército(CAAdEx)

Observador, Controlador e Avaliador (OCA): pilar insubstituível de uma avaliação, militar experiente, capacitado e adestrado, imparcial e responsável. Julga as mais diversas situações do combate e arbitrando baixas, não interfere no cenário a menos que a situação ofereça algum risco. É o condutor da Análise Pós-Ação;

Dispositivo de Simulação de Engajamento Tático (DSET): é a parte tecnológica da Avaliação, o DSET é um equipamento que simula, o mais próximo possível, o combate. Nele podemos retirar diversos dados, tais como, número de tiros disparados, quantidade de acertos, se o militar estaria morto ou ferido e atualmente nos equipamentos mais modernos podemos verificar os itinerários bem como a localização de cada combatente no cenário. Ele funciona basicamente com um emissor laser acoplado ao armamento e diversos receptores espalhados no equipamento individual.

Força Oponente (FOROP): tropa altamente adestrada e capacitada, não obedece a uma doutrina. Sua formação leva em média dois anos e seu adestramento ocorre praticamente o ano todo. Oferece certa dificuldade a altura das tropas avaliadas pelo Centro. Possuem total liberdade de ação após o contato com a força avaliada. Integram o CAAdEx

Análise Pós-Ação (APA): diferentemente da conhecida Crítica, na APA os assuntos são conduzidos buscando-se obter o conhecimento, de preferência ouvindo o executante, com as suas dificuldades e as suas respectivas decisões. Aprende-se na APA que não existe uma “fórmula do bolo”, mas sim uma situação encontrada e uma decisão, normalmente quem conclui se agiu acertadamente ou não durante a ação é o próprio avaliado, com base, logicamente, nos dados apresentados durante a análise.

Após a avaliação o Centro remete um relatório para o COTER e para a própria Unidade Avaliada, para que a mesma possa constar em seus arquivos um estudo fundamentado da realidade do adestramento de sua tropa.

Atualmente o CAAdEx avalia as Unidades integrantes da Força de Ação Rápida e Estratégica do Exército, no valor SU, mas também realiza alguns Pedidos de Cooperação de Instrução com a ESAO, AMAN e EsSA, bem como participa da última etapa do preparo das tropas que formarão os Contingentes de Força de Paz, o Estágio Avançado de Operações de Paz, ministrado pelo Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB).

 Dessa forma, o CAAdEx viaja por todo o país, avaliando o adestramento das Unidades do Exército Brasileiro. sendo atualmente uma das melhores “ferramentas” que a Força Terrestre possui na constituição do seu “Braço Forte”.