COBERTURA ESPECIAL - Doutrina Militar - Terrestre

09 de Junho, 2015 - 20:00 ( Brasília )

O RCB como Paradigma de Organização da Tropa Blindada do Brasil



Alex Alexandre de Mesquita – TC
Comandante do Centro de Instrução de Blindados
com a colaboração:
2º Sgt de Cavalaria Rodrigo Vargas Ubal
Auxiliar da Seção de Doutrina do CI Bld



Os Regimentos de Cavalaria Blindados (RCB) são organizações militares da Arma de Cavalaria, que, juntamente com os RC Mec, formam os elementos de manobra das Brigadas de Cavalaria Mecanizadas (Bda C Mec).

O RCB é organizado em dois Esquadrões de Carros de Combate (Esqd CC) e dois Esquadrões de Fuzileiros Blindados (Esqd Fuz Bld), além de um esquadrão de comando e apoio. Os Esqd CC tem a mesma organização das subunidades dos Regimentos de Carros de Combate (RCC) e os Esqd Fuz Bld a mesma organização das Companhias de Fuz Bld dos Batalhões de Infantaria Blindados (BIB).

O fato do RCB ser organizado em duas subunidades CC e duas Fuz desde o tempo de paz confere ao regimento uma característica única e extremamente desejável para a tropa blindada: poder realizar a instrução e o adestramento das Forças-Tarefas (FT) dentro da própria organização militar.

As forças blindadas, normalmente, organizam-se para o combate em FT com CC
e Fuz Bld. Uma das principais dificuldades logísticas para as Bda Bld é adestrar as suas FT Regimento e Batalhão quando as OM de Cavalaria e Infantaria estão fisicamente distantes.

A estrutura de FT é inspirada nos Kampfgruppe (grupos de combate) da doutrina
alemã, que consistiam em agrupamentos de tamanho variável, organizados sob medida para cada missão a ser cumprida.

O novo uso combinado das diferentes armas, surgido sobretudo a partir da Segunda Guerra Mundial, levou os exércitos a criar agrupamentos táticos flexíveis interarmas, que receberam diversas designações conforme o país de origem.

Diversos exércitos adotaram o conceito de battlegroup (grupo de batalha). Na França, adotou-se o termo régiment de marche (regimento de marcha). Nos EUA, essa força é denominada task-force (força-tarefa).

O conceito de task-force originou o regimental combat team (equipe de combate regimental), um agrupamento provisório com base em um Regimento de Infantaria, ao qual eram acrescentados elementos de carros de combate, de artilharia, de engenharia, entre outros, conforme a missão.

Conforme o C 17-20, o emprego do combinado CC/Fuz Bld permite o máximo de aproveitamento das características particulares de cada elemento. O emprego de CC e Fuz Bld separadamente ocorrerá eventualmente, e deve estar limitado ao tempo e à distância que permitam o apoio mútuo.

Além desta característica endógena, o RCB pode, ainda, reforçar os RC Mec, para operações em áreas humanizadas ou em Operações Defensivas que envolvam movimento, como os Movimentos Retrógrados.

Por isso que o RCB é um elemento tão importante para a Tropa Blindada do Brasil. Graças à sua organização, é possível constantemente adestrar as subunidades da mesma forma como serão empregadas, o tão buscado objetivo de treinar da mesma maneira que irá combater.

A instrução e o adestramento realizado nos RCB permite identificar deficiências e oportunidades de melhorias que podem ser expandidas para as FT RCC e para as FT BIB, de modo a permitir-lhes uma maior eficiência.

É fácil constatar os aspectos positivos da organização do RCB durante os Exercícios de Adestramento Tático com Simuladores Virtuais (EATSV) realizados anualmente no Centro General Walter Pires.

A preparação prévia das FT Subunidade, realizada de forma centralizada, permite um entrosamento muito mais efetivo ao se comparar com subunidades oriundas dos RCC e dos BIB.

Os ensinamentos advindos dos RCB seriam bem mais efetivos e realmente passíveis de pleno compartilhamento no âmbito das FT Bld, se esta OM possuísse os mesmos meios da FT BIB e RCC. Isto quer dizer, possuir as VBTP M113 BR e as VBCCC Leopard 1A5 BR, em substituição aos M113 B e aos Leopard 1A1 BE e M60A3 TTS.

Um dos principais aspectos reside no combate noturno, com o uso de equipamentos de visão noturna passiva e uma melhor mobilidade das VBTP, graças ao pacote de modernização dos M113 BR.

Não resta dúvida de que o RCB é um elemento que confere modernidade à Bda C Mec. Para o combate atual, os Exércitos do mundo têm buscado constituir, assim como ocorre nas Bda C Mec, forças de natureza mista, ou seja, tropas blindadas de lagartas e de rodas, até o escalão mais elementar.

O poder de combate de uma FT Bld repousa no emprego combinado dos CC e dos Fuz Bld. A prática desde o tempo de paz é um importante diferencial na busca da sinergia entre todos os elementos subordinados, de forma que as deficiências de uns sejam anuladas pelas possibilidades e características dos outros.

O RCB é a única unidade blindada que permite atingir este resultado e ser um laboratório para o emprego das FT Bld, isto, por si só, já credencia como o verdadeiro paradigma da Tropa Blindada do Brasil.


AÇO, BOINA PRETA, BRASIL!



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