COBERTURA ESPECIAL - Doutrina Militar - Terrestre

17 de Maio, 2015 - 13:41 ( Brasília )

O Esquadrão de Cavalaria Mecanizado Continua Atual?

Interessante artigo do Centro de Instrução de Blindados sobre a atualidade do Esquadrão de Cavalaria Mecanizado

 


O Esquadrão de Cavalaria  Mecanizado Continua  Atual?

CI Bld — Escotilha do Comandante — Ano I — Nº 09



TC Alex Alexandre de Mesquita
Comandante do Centro de Instrução de Blindados
Colaborou 2' Sgt de Cavalaria Rodrigo Vargas Ubal
Auxiliar da Seção de Doutrina do CIBld

 

 
Para tratar do Esquadrão de Cavalaria Mecanizado (Esqd C Mec), é preciso entender o surgimento da atual Cavalaria Mecanizada no Exército Brasileiro, desde o maior escalão, a Brigada de Cavalaria Mecanizada (Bda C Mec).

A Bda C Mec do Exército Brasileiro foi concebida, por transformação das antigas 1ª, 2ª e 3ª Divisões de Cavalaria (DC), a partir do final da década de 1960 e início da década de 1970, conforme relata o manual de campanha C 2-1 — Emprego da Cavalaria. Os Regimentos de Cavalaria (RC) e os Regimentos de Cavalaria Motorizados (RC Mtz) transformaram-se em Regimentos de Cavalaria Mecanizados (RC Mec). Já os Esquadrões de Reconhecimento Mecanizados foram transformados em Esquadrões de Cavalaria Mecanizados (Esqd C Mec).

Esta transformação está relacionada à influência da Doutrina Militar Terrestre (DMT) do Exército dos Estados Unidos da América (EUA), que passou a ser o paradigma de organização e emprego da Força Terrestre (F Ter) a partir da participação do Exército Brasileiro (EB) na II Guerra Mundial (II GM) e durante a Guerra Fria. Em 1957, no contexto da Guerra Fria e sob a real possibilidade de um conflito nuclear, os EUA reorganizaram as suas Divisões Blindadas por meio da iniciativa denominada Reorganization of The Current Armored Division (ROCAD).

As mudanças implementadas pela reorganização das divisões blindadas do Exército Norte-americano tiveram por objetivo geral aumentar a capacidade de aquisição de alvos e reduzir a quantidade de veículos no campo de batalha nuclear. Além disso, a ROCAD lançou as bases para o aumento da capacidade dos meios de comunicações e da mobilidade estratégica. O manual que transcreveu as determinações da ROCAD foi o FM 17-35 - Armored Cavalary Units , editado em 1960.

Esta publicação contém inúmeros conceitos que foram adotados pela C Mec do EB. O Capítulo 5 do referido manual, por exemplo, trata do Pelotão de Cavalaria Blindado, que encontra no EB o similar Pelotão de Cavalaria Mecanizado (Pel C Mec). Foi desta forma que o atual Esqd C Mec chegou à Doutrina Militar Terrestre Brasileira, permanecendo com a sua atual organização. Mas a pergunta inicial ainda não foi respondida: o Esqd C Mec continua atual?

Para responder a esta pergunta, é necessário observar a questão sob a ótica da sua organização, com três pelotões de armas combinadas (Pel C Mec), do seu equipamento, meios da década de 1970, mas principalmente, do Conceito Operativo do Exército, as Operações no Amplo Espectro do Conflito.

As Operações no Amplo Espectro exigem frações com flexibilidade suficiente para rapidamente executarem missões bem distintas; com adaptabilidade, para uma rápida evolução frente às mudanças nas condicionantes em qualquer faixa do espectro do conflito; com modularidade condizente para adotar estruturas de combate "sob medida" para cada situação de emprego; com elasticidade, que permita variar o poder de combate pelo acréscimo ou supressão de estruturas, com oportunidade; e com sustentabilidade, conferida pelo Apoio Logístico. Quanto à organização, o fato de possuir pelotões de Armas Combinadas, indica que o Esqd C Mec continua atual.

Os pelotões organizados desta forma permitem melhor atender às imposições do Conceito Operativo do Exército com maior rapidez. Por se tratar de uma fração cujas principais missões são o Reconhecimento c a Segurança, muito provavelmente, o Esqd será o primeiro a detectar a necessidade de mudar a atitude no Espectro dos Conflitos (1).

Contudo, ao dedicar tempo a apreciar os equipamentos existentes no Esqd C Mec a situação se altera.  As viaturas da família ENGESA já apresentam restrições significativas para o cumprimento da missão; a falta de optrônicos para as frações de exploradores também restringe a eficiência em ver primeiro; e se faz necessário novos equipamentos de Comunicações e de Comando e Controle, de modo a manter a fração realmente eficiente.

A VBTP-MR 6X6 Guarani e a nova VBR2, somadas ao Gerenciador do Campo de Batalha (GCB), aos radares de vigilância terrestre e aos Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP), são algumas das iniciativas reais, já em curso, que irão corrigir a deficiência dos Esqd C Mec em equipamento.

Desta forma, considerando o Princípio Operativo do Exército e a sua organização, pode se chegar à conclusão de que o Esqd C Mec ainda está atual. Contudo, sem a modernização dos meios não será possível a esta fração de Cavalaria continuar a cumprir a sua missão primordial de ser os olhos e os ouvidos do Comandante Tático.

AÇO, BOITA PRETA, BRASIL!

 
1) Alterar entre Operações Ofensivas, Defensivas, de Pacificação ou de Apoio a Órgãos Governamentais.
2) VBTP (Viatura Blindada de Transporte de Pessoal), VBR (Viatura Blindada de Reconhecimento).

Nota DefesaNet

O Comando Militar do Sul (CMS) realizou em 2013 o Simpósio  "Repensando a Brigada de Cavalaria Mecanizada nos Conflitos Modernos".

O texto básico do Simpósio é o do General Stumpf


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