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20 Janeiro 2003 - segunda-feira

BAE Systems Procura Fusão com a Boeing
 
O Jornal The Sunday Times (19JAN03), ao publicar uma pequena nota sobre a possível fusão, disparou uma seqüência de informações ao longo do domingo. Em especial a confirmação da própria BAE Systems que estava em negociações com a empresa americana Boeing.
  • BAE Systems is considering a £20 billion merger with Boeing of the US.  Separately, the Government has told the group that it will not cap its losses on building Astute submarines and Nimrod surveillance aircraft. (The Sunday Times)
  • A saga da BAE Systems, tem sido difícil nos últimos meses. No fim de 2002, anunciou que vários projetos estavam com problemas técnicos e com os custos ultrapassando as metas previstas, contratos assinados por preço fixo ( modernização avião patrulha naval Nimrod e submarinos nuclear Classe Astute). O início de 2003, trouxe a realidade de que pode perder um contrato de 10 bilhões de libras para a francesa Thales. Construção de dois porta-aviões,  de 50.000 toneladas cada um, para operar o futuro JSF( F35) da Royal Navy e Royal Marines. Avião de que a BAE Systems é o maior contratista após a Lockheed Martin.
    No dia 16 de Janeiro, o Ministro de Defesa, Geoff Hoon afirmou  que a BAE Systems, não era mais inglesa (no longer a British company), pois 54% de seu controle acionário era estrangeiro. Respondia assim às pressões dos sindicatos, que queriam o contrato dos porta-aviões serem entregues para a BAE Systems.
            Quando da fusão da British Aerospace com a GEC-Marconi em 1999, a nova empresa valia 9,2 bilhões de libras. Na semana passada valia 6,2 Bilhões na Bolsa de Londres.
              As vendas globais da empresa somam  £13.1 bilhões de libras/ano, sendo  £10.8 bilhões em exportações. Cerca de  47.000 dos 72.000 funcionários da BAE trabalham na Inglaterra.
    A participação da BAE Systems no Brasil
     
            A empresa inglesa tem uma participação direta, com o Ministério Defesa, através da  South América Ordnance, uma joint-venture com a IMBEL, para produção de munições  e peças de artilharia. Participa também ativamente em projetos da Marinha, como a Modernização das Fragatas Classe Niterói ( MODFRAG).
            A presença mais recente tem sido a oferta do caça Gripen, dentro do Programa FX. A BAE System tem 35 % do controle acionário da SAAB e 50% da Gripen International, empresa de comercialização do caça no mercado internacional. Durante o período de 2000/2001 os ingleses conduziram as negociações no Brasil, sendo retomado pelos suecos em 2002, quando o caça passou a ter reais condições na competição.
            A empresa também procurou ter uma presença acionária na EMBRAER, como parceira estratégica, antes da associação com o consórcio francês (Dassault, Thales, EADS, SNECMA) . Veja interessante entrevista com o VP Mercado Defesa EMBRAER sobre as negociações ( Artigo) 
     
     Implicações
            Na semana em que é comemorado, os 40 anos do Tratado de Cooperação Franco-Alemão ( Tratado do Eliseu ), assinado em 22 JAN 1963 pelo Presidente Charles de Gaulle e o Chanceler Konrad Adenauer, a notícia causa impacto. Os resultados do Tratado do Eliseu levou aos seguintes projetos:
    1- Mísseis: Roland SAM, MILAN e HOT e a empresa EUROMISSILE;
    2- Helicópteros com a criação da EUROCOPTER;
    3- e as mais importantes as empresas: AIRBUS e ARIANESPACE.
            A empresa AIRBUS anunciou, na semana passada, que deverá assumir, em 2003, o primeiro lugar na produção de aviões comerciais superando a BOEING com 300 aviões contra 285 da rival americana. A BAE Systems tem 20% no consórcio AIRBUS e a EADS os 80% restantes.
            A contestada decisão, de Maurício Botelho, pela associação com o consorcio francês, tem-se mostrado estável até o momento,  pela dança das cadeiras, do cenário aeronáutico internacional.    

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    Editor Nelson F During - nelson_during@defesanet.com.br  
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