Defesa @ Net
Ano IV-edição  01

 
 


  
 
Para  Observar?
 
Quando serão indicados os membros  da Comissão Especial formada pelo decreto de 23 DEZ ?
 

                16 Janeiro Sexta-Feira  2004

O Ano de 2004
 
    Defesanet anuncia para o ano de 2004 o continuo  aperfeiçoamento da página e a expansão de sua cobertura. Nossa meta é, que  para 2004 Defesanet continue a ser a fonte de informações para decisões nas áreas de Defesa e Estratégia. Para isso estamos ampliando nossa estrutura e tecnologias empregadas. Aguarde novidades 
 
    A todos os nossos leitores  os Votos de um Grande Ano de 2004.
 
Presidente Luiz Inácio vai de ACJ ( Airbus Corporate Jetliner)
 
Brasília 15 Janeiro 2004 -  O ministro do Planejamento, Guido Mantega, anunciou, ao final da tarde de quinta-feira, que a Presidência da República, já tinha comprado um ACJ, em substituição ao Boeing B707(KC137), chamado popularmente de "sucatão", para as  viagens presidenciais. Já era esperada essa compra, porém a surpresa foi de ela já ter sido efetivada e o pagamento ser concretizado em curtíssimo espaço de tempo. Os argumentos apresentados pelo ministro Mantega foram bastante pobres. Melhor seria ter usado a apresentação do Brig Bueno, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara Federal, em 11 Junho 2003,
 
"... o   Boeing 707, por exemplo, que já foi manchete de jornais e apelidado de "Sucatão", e é utilizado pelo Presidente Lula para fazer a travessia para a Europa, precisa fazer um pouso intermediário. Vou explicar rapidamente a razão disso. Ele não tem determinados equipamentos. O altímetro não tem precisão absoluta como os das atuais aeronaves. Então, ele não pode voar acima de 29 mil pés, que chamamos de Flight Level 290. A partir desse nível, as aeronaves são separadas por mil pés, isto é, 300 metros entre elas, voando nos dois sentidos. Essa separação era feita de 2 em 2 mil pés, ou seja, 600 metros, e não havia necessidade absoluta de precisão. Pelo fato de o Boeing 707 voar abaixo de 29 mil pés, ele consome mais combustível. Com isso, é obrigado a fazer um pouso intermediário na Ilha do Sal ou em Las Palmas para chegar à Europa. Os aviões modernos têm um altímetro preciso, podem voar acima de 29 mil pés, sabem exatamente em qual altitude estão voando. " íntegra  da audiência
 
Detalhes da Aquisição - www.defesanet.com.br/noticia/acj
 
Brasil x USA: A Armadilha da Retórica
 
    A orquestração armada pelo Governo Federal, em parceria com o Ministério Público, na questão de identificação de visitantes americanos segue o típico livro de receitas universal, ao procurar um inimigo externo para aglutinar forças internas, em torno de um objetivo ou causa comum. Assim como a história ensina que esse processo funciona e é eficaz, também mostra que os magos geralmente acabam perdendo o controle das ações, essas geralmente  seguem um caminho próprio, e sem volta. Cabe perguntar se os magos do Planalto ainda estão no comando das ações.  
 


 O Decreto - a quarta dimensão de um caça... a política(1)

Nelson During

       O Presidente Luiz Inácio, assinou  decreto, no dia 23 de Dezembro, com o seguinte objetivo:" Institui Comissão Especial para assessoramento ao  Conselho de Defesa Nacional no processo  de aquisição  de aeronaves de superioridade aérea e dá outras providências"

    Esse decreto, com a criação da Comissão Especial  já era esperado, e foi antecipado em edição extra do Defesanet, 10DEZ03, contando com informações de Tânia Monteiro, de O Estado de São Paulo. Porém, é necessário agora uma análise mais detalhada do Decreto, que  traz alguns itens,  que redirecionam ou "subvertem" todo o trabalho e lógica do Comando da Aeronáutica até o momento dentro do Programa de Fortalecimento e Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (Programa de Reaparelhamento da Força Aérea Brasileira).

    O artigo 3º do decreto tem a seguinte redação:

"examinar as propostas quanto aos interesses estratégicos do País, tomando-se em conta a avaliação efetuada pela comissão de seleção, a Política de Defesa Nacional e seus instrumentos decorrentes, as contrapartidas e incentivos à indústria nacional, a geração de empregos, a transferência de tecnologia e outros fatores considerados de relevância para o desenvolvimento científico e tecnológico, emitindo parecer de assessoramento ao Conselho de Defesa Nacional."

    Quando falamos em subverter a análise, até então feita pelo Comando da Aeronáutica e a COPAC, é a introdução do item "a geração de empregos". Pelo menos duas autoridades da Aeronáutica, em tempos diferentes assim se pronunciaram:  

"Qualquer avião vai ser fabricado lá fora e virá desmontado ou voando, pois todos têm reabastecimento no ar e podem chegar ao Brasil tranqüilamente. Qualquer dos modelos ofertados pode ser montado até dentro da própria unidade, que fica em Anápolis. Desmontado é quando são retiradas as asas, e colocado o que o francês chama de "batic", que é o invólucro onde coloca as peças. Então,não irá gerar nenhum aumento de mão-de-obra no Brasil. Em princípio, é essa a figura que a gente vê e tem presenciado".Brig Luiz Carlos da Silva Bueno, Comandante da Aeronáutica - Entrevista coletiva Base Aérea de Canoas - 01Out 2003 - Link

    " Ele será produzido na França. Se o consórcio vencedor for o EMBRAER—Dassault, esse avião será produzido na França. Serão adaptados alguns equipamentos de interesse da Aeronáutica e haverá uma participação da EMBRAER. Não posso falar em detalhes porque recebemos as ofertas anteontem e não as li aprofundadamente. Tenho em mãos a proposta da EMBRAER, mas como as informações são confidenciais e as outras empresas não podem saber exatamente o que as concorrentes estão ofertando, posso dizer-lhes apenas o que não é segredo para nenhuma empresa aeronáutica: este avião não será produzido no Brasil. Se queremos tecnologia e produção, não será com esse programa. O programa que oferece mais tecnologia no Brasil é o AL-X, software totalmente desenvolvido pela EMBRAER para produção e exportação. O F-X não faz política industrial no próprio produto. Ele pode nos dar, sim, o que chamamos de offset, compensação indireta, não no produto, mas em outras áreas da indústria aeroespacial, nas quais exatamente nos centramos no nosso pedido de oferta.

    Pedimos a todas as empresas que nos dessem 100% de offset, 20% de offset direto, ou seja, no produto, e 80% no setor aeroespacial, preferencialmente no setor de defesa e áreas de tecnologia de ponta. E depois vai descendo uma série de graduação". Brig. Antonio Fernando Cima, então presidente da COPAC - Audiência Pública Comissão de Relações Exteriores Câmara Federal, 18 OUT 2001 - Link 

    Além da inclusão/modificação da análise até o momento realizados  há dois outros pontos: o temporal e o político No boletim, de 10 de Dezembro, mencionávamos o interesse em atrasar a decisão, para março de 2004. assim já teria ocorrido a decisão do Programa ACS ( Aerial Common Sensor), do US ARMY/US NAVY , que soma 56 aviões de inteligência para o exército e marinha americana. esse programa terá um atraso no seu cronograma e a decisão está prevista para o segundo e possivelmente terceiro trimestre de 2004. Se foi para ganhar tempo, não alcançou seus objetivos. 

    Quanto ao político acabou pavimentando o caminho das pressões diretamente para a órbita da Presidência da República. Como o todo o processo da Comissão Projeto Aeronave de Combate(COPAC),  será reavaliado, sob novos prismas, até então não analisados e se o foram, não eram prioritários ou fundamentais para o relatório,  Assim a solução deverá tornar-se o problema.

    Enquanto o governo simplesmente "referendaria" uma decisão da Força Aérea, no processo anterior, agora será a fonte da decisão.Subverte inclusive a ordem de avaliações: técnica, operacional e transferências de tecnologia.  Não teremos mais intermediários para fazer lobby. Esse será feito agora diretamente nas Personalidades da República: a Presidência e a Casa Civil.

    A amplitude e as implicações do decreto, ainda  não foram bem avaliadas pelos atores: Força Aérea, empresas licitantes, congresso e certamente o próprio governo. Um caminho que foi totalmente ignorado ao tomar a decisão de compra do ACJ. Ou os mais valiosos contratos das plataformas da Petrobrás, que são  bem maiores, que os 700 milhões de dólares do F-X.   

    "Acho que vai ser política sim. Tem que gerar emprego para o país e

    Como expôs o Prof. Rudnei Cunha, em artigo para Defesanet, em 2002, " um caça tem quatro dimensões: "altura, comprimento, envergadura e... política".

    No caso brasileiro o a única dimensão parece ser a da política.

Matérias de interesse:

Íntegra decreto - www.defesanet.com.br/fx/decreto

Boletim Extra- Alterado o Cronograma do F-X? www.defesanet.com.br/dn/10DEZ03.htm

Caças Qual a Melhor Escolha? (Artigo Prof. Rudnei Cunha  )                                           www.defesanet.com.br/noticia/cacas/cacas.htm

F-X A Retomada do Processo  ( Artigo Cosme Degenar)                                                    www.defesanet.com.br/noticia/fxaretomada/retomada.htm


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