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Defesa @ Net



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Terça-feira, 29 ABR  2003
 
 
Para  Observar?
 
Após o Iraque o que mais?
 
 

                 16 Abril Quarta-Feira   2003

 
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Comandante do COMGAR fala para  Defesanet 
 
      O Tenente-Brigadeiro-do-Ar José Carlos Pereira concedeu entrevista para Defesanet no dia 11 ABR 03, quando presidiu a passagem de comando do V COMAR. Pontos interessantes foram levantados e discutidos pelo Brig J. Carlos. Entre os pontos expostos estão : prioridades ( ALX, F5BR e atualização do A1), e o programa com o míssil MAA1 Piranha, verbas de combustível, armas de precisão e novas missões como a de transporte de presos de alta periculosidade a pedido dos Governos Federal e Estaduais.
 
    O Brig. J.Carlos adiantou na entrevista, o que o Ministro José Viegas confirmou ontem(15ABR03). As prioridades são no momento, para o Comando da Aeronáutica:
  • 1ª - ALX Super Tucano ( 76 unidades compradas)
  • 2ª - F5BR ( programa retomado após questões de financiamento)
  • 3ª - Atualização do A1(AMX)
Ministro da Defesa Adia/Cancela mais dois Programas: C295 e P3BR -1
 
    Em declarações ontem o Ministro da Defesa, José Viegas informou o cancelamento de mais dois programas, que fazem parte da Modernização da Força Aérea Brasileira. São os programas CLX - Aviões de Transporte Leve e a modernização dos aviões de patrulha naval  P3 Orion, conhecido como P3BR. No primeiro foi escolhido o avião de transporte  C295, do qual seriam comprados 12 unidades. O P3BR era a modernização de 8 aviões Orion. Em ambos os programas foi escolhida a empresa espanhola CASA, membro da EADS. O valor total dos negócios era de 596 milhões de dólares. O anúncio do consórcio vencedor foi feito no fim do governo Fernando Henrique( outubro 2002). O ministro informou que seria mantido os vencedores porém os contratos seriam assinados mais adiante.  .
 
Ministro da Defesa Adia/Cancela mais dois Programas: C295 e P3BR - 2
 
    As declarações do Ministro Viegas e as do Brig J Carlos, não são novidade e estão na mesma linha traçada, desde o dia 02JAN03, com as declarações do Presidente Luis Inácio ao cancelar/adiar o Programa FX. Os programas permanecem, mas fica a pergunta,  quando voltarão e serão assinados os contratos e o fluxo de recursos será restabelecido? O Fome Zero foi o mote ao assumir o governo, porém esse começa a ver limitada sua capacidade de manobra. Ou ganha tempo para traçar um Plano Global, para as três forças e aproveitar um momento político apropriado, ou verá erodida a excepcional base de apoio que tem nas três forças.  
 
Lula - Sejam efetivamente Almirantes, Generais e Brigadeiros de um novo tempo.

        Em discurso proferido na recepção aos 73  oficiais-generais, promovidos no dia 31 de março, o presidente Luis Inácio disse um frase enigmática. Frase essa que passou desapercebida pela imprensa. Veja a íntegra do discurso
 
Correção de Link
 
    Foi informado incorretamente o link do site russo de análise no boletim do dia  10ABR03. O correto é  www.iraqwar.ru ,

A AÇÃO NO IRAQUE III

 

    Tenho acompanhado o desenrolar da guerra no Iraque com bastante interesse. Embora também pense que um confronto armado seja sempre um retrocesso para a humanidade, a guerra não me causa tanta indignação porque entendo-a como um fenômeno inerente à própria natureza humana. Enquanto houver gente no planeta, haverá interesses nacionais em jogo, cuja busca conduzirá invariavelmente as pessoas a considerar o uso da força como alternativa justa e eticamente correta.

 

    Nenhuma passeata, manifestação pública ou expressão de arte em favor da paz entre os homens demoverá os povos a deixar de defender seus interesses pelo uso da força, quando ameaçados. Assim foi no passado e assim certamente continuará sendo até o final dos tempos.

 

    Mas, nesta guerra que estamos acompanhando encontro-me desapontado com os analistas que os meios de comunicação têm apresentado para opinar sobre ela. Esses especialistas, do alto de sua festejada sapiência militar, na minha avaliação, têm tão somente se restringido a repetir as informações  captadas nos órgãos de comunicação internacionais.

 

    São indesculpavelmente limitadas as análises que fazem das operações militares tanto no campo estratégico, quanto no tático. A grande maioria das observações desses, assim chamados especialistas têm se restringido a descrever as características técnicas dos armamentos empregados ou, então, a criticar a forças da coalizão diante de  eventuais dificuldades encontradas por elas no curso das operações.

 

    Ainda não ouvi ninguém falar que esta foi uma espetacular façanha militar que tem poucos paralelos na história. Deslocar mais de duzentos mil soldados de um continente para o outro, adaptar os planos de guerra às contingências políticas no decorrer da sua execução, empregar esses efetivos a partir de uma só cabeça de praia (Kuwait) e avançar em território inimigo com uma velocidade impressionante, buscando objetivos situados a mais de 400 km de profundidade, são fatos que não podem deixar de ser considerados e analisados com bastante intensidade pelos comentaristas.

 

    Não foram, também, alvo das observações as extraordinárias dificuldades de uma operação militar de conquista de um país do tamanho de Minas Gerais, um território desértico, com uma população de 24 milhões de habitantes( estimado).

 

    Por outro lado, ficou também claro que apesar da parafernália tecnológica a serviço das forças da coalizão, a conquista de cada um dos objetivos militares ainda dependeu da coragem individual do soldado que foi lá no combate corpo a corpo expulsar o inimigo e tomar posse de cada ponte, cada casa, cada cruzamento, enfim, cada palmo do terreno. A velha e boa infantaria que aposta no valor moral e profissional do soldado, continua dando a última palavra no campo de batalha.

 

    É preciso considerar que é algo inédito na história das guerras a conquista de uma cidade com mais de 5 milhões de habitantes. Bagdá é a maior cidade jamais conquistada por forças militares na história das guerras. Mas não é só. Cidades com Basrah e outras com mais de um milhão de habitantes não são fáceis de conquistar. As operações para conquistar núcleos urbanos são complexas e exigem grande coordenação.

 

    Seria preciso que os comentaristas observassem que é enganosa a vantagem que a tecnologia oferece ao soldado A extraordinária supremacia tecnológica dos anglo-americanos, na verdade, teria sido bastante minimizada depois das operações terem iniciado em território iraquiano, não tivessem os soldados daquele país surpreendentemente mostrado ter muito pouco valor militar. Ora, mesmo com supremacia aérea, mesmo dispondo de superioridade tecnológica incomparável, o avanço das forças invasoras não encontrou obstáculos consideráveis na defesa oferecida pelos iraquianos. Por que isso?

   

    Algumas observações de cunho pessoal.

 

Em primeiro lugar, independentemente da tecnologia, as forças da coalizão puseram em prática um planejamento militar que não tem nada de novo. Mas que somente exércitos altamente preparados são capazes de executá-los. Somente Alexandre, Aníbal, Napoleão e os exércitos alemães na 2ª GM já haviam feito com êxito algo parecido, cada um no seu tempo. A complexidade de operações deste tipo requerem, como já disse, soldados muito bem treinados e muito bem comandados, além de um apoio logístico impecável. A operação proposta pelos aliados foi ousada e perigosa. Não é fácil marcar objetivos táticos tão distantes para os comandos militares em operação, para serem alcançados numa manobra de uma só etapa.

 

    Para que uma operação assim tenha êxito é preciso que elas sejam altamente descentralizadas, haja grande flexibilidade por parte dos comandos em mudar planejamentos com grande freqüência no curso das operações, comunicações amplas e flexíveis, apoio aéreo e de fogo com grande eficácia na linha de frente, além de um sistema logístico  eficiente. Não é fácil compor com competência este conjunto de fatores altamente heterogêneos.

 

    Mas, as forças aliadas conseguiram compor essas variáveis ao seu favor, o que é uma extraordinária demonstração de competência militar.

 

    Em segundo lugar, as forças anglo-americanas foram enormemente favorecidas pelo fraco desempenho militar do exército iraquiano que há mais de um ano sabia que a invasão de seu território era possibilidade iminente. A história do século passado tem mostrado que os soldados dos países árabes são extremamente mal preparados para a guerra. Baixa moral e deficiente preparo profissional os têm feito presa fácil de seus adversários. Os israelenses que o digam. Enquanto individualmente são capazes de se imolar por Alah sem maiores problemas, como tropa são vulneráveis  ao primeiro impacto.

  

    Mesmo que os americanos não nos sejam simpáticos, é preciso reconhecer que foram extremamente competentes no campo de batalha.

 

    Mas, voltando às operações militares no Iraque, gostaria de tocar em dois pontos que considero relevantes. Primeiro é a escolha do objetivo político nesta guerra, finalmente acertado. Na guerra do golfo o objetivo de libertar o Kuwait, foi modesto e sabidamente não levaria a uma vitória definitiva. É sabido que uma guerra só estará vencida quando o inimigo tiver capitulado, com o moral quebrado e  seus dirigentes capturados ou mortos, portanto, sem qualquer possibilidade do país continuar existindo com as mesmas estruturas de que dispunha até o começo do conflito. É princípio de  guerra do objetivo. Os americanos já haviam negligenciado a aplicação deste objetivo, tanto no Vietnam Nem, quanto no próprio Iraque. Pagaram o preço e agora vieram dispostos a corrigir seu erro.

 

    Outro aspecto que eu gostaria de comentar é a disposição do soldado americano para a luta. É um estado de espírito que impregna os militares americanos e que foi copiado dos alemães. Eles evidentemente não admitem a adoção deste sistema de relacionamento de comando que os alemães chamam de “auftragtaktik”. 

 

General Flávio Oscar Maurer, participou de Missão de Paz no Suez e além de Comandos Militares teve dedicada participação no CCOMSEX. 

 

    Defesanet continuará na análise das operações militares do conflito do Iraque. As duas primeiras partes dessa análise podem ser acessadas:  .   
  

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Editor Nelson F During - nelson_during@defesanet.com.br  
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