Defesa @ Net
Edição 13 Setembro 2005

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Nota aos nossos leitores: Nessa data estamos retomando o envio dos boletins Defesa @ Net. Após introduzirmos modificações na página, que continuará a ser aperfeiçoada retomamos o envio dos Boletins Defesa @ Net.

E na mesma data a EMBRAER, a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, entrega a primeira unidade do E-Jet EMB190. É o maior avião comercial já produzido em escala fora da: Europa, EUA e Rússia. É um feito sem proporções na história aeronáutica mundial e uma grande realização do Brasil.

O alcance pode ser medido nas palavras de um dos fundadores da empresa AIRBUS:


"No se puede reducir una empresa aeronáutica a un mero problema técnico y financiero. En nuestro ramo, los conocimientos necesarios no se adquieren en sólo unos cuantos años; es algo que no se logra ni siquiera en el transcurso de una generación."
Roger Béteille

Bravo Maurício, Affonso, Satoshi, Curado e todos os membros da EMBRAER.

O Editor




Embraer 190 - A Navegação de um Projeto
Nota Texto originalmente enviado em 13 Fev 04

Nelson During

Na segunda-feira(09Fev04), a Embraer apresentou o terceiro membro da família EMB170/190. Presente a vários momentos significativos, ao longo desses últimos cinco anos, do Programa EMB170/190, fazemos uma navegação desses momentos e eventos.

A Brisa: em 1999, em uma quente manhã ,de Junho, no Salão de Le Bourget, Maurício Botelho anunciava o programa EMB170/190, e ao seu lado, Maurice Sutter da suíça Crossair, já anunciava a primeira encomenda. Seguiram-se outras vendas modestas, mais apoiadas pela GE Capital, que financiava sua empresa irmã, a GE Aircraft Engines, parceira de risco do programa.

Assim como o programa avançava, e 2000 foi um ano excepcional de vendas na família EMB145, o meio aeronáutico observava o programa. Aos poucos as minutas dos contratos começavam a chegar à mesa de Maurício Botelho. A consistência técnica do programa, suas metas alcançadas anuviava as desconfianças para o grande projeto, daquela empresa brasileira produtora de pequenos jatos.

Os ventos mudam: o ano de 2001 começou com vendas escassas no mercado de aviões regionais. O mercado de aviação civil mostrava sinais de crise e o climax é atingido, na manhã de 11 de setembro de 2001. Enquanto as Torres Gêmeas, do World Trade Center ruíam, os contratos, alguns inclusive já em reta final, para venda do EMB170/190, viravam cinzas.

A tormenta: Semanas após o ataque a EMBRAER demite 1.700 empregados. As empresas de aviação uma a uma, começam a afundar em crises e suas ações perdem valor substancialmente. São vistas pelo mercado como "loss money business". O roll-out do EMB170, em 29 de Outubro 2004, foi uma festa tensa: sindicato no portão contra as demissões, imprensa local crítica, e os rumores crescentes de cancelamentos de compras tanto do novo EMB170/190, como para a linha ERJ145 . Os dois Maurícios encontram-se novamente, e mostram certeza e confiança no futuro. Uma bonita festa é realizada e a empresa mostra aposta em futuro promissor para a família EMB170/190.

O Furacão: o pós 11 de setembro é devastador. A indústria de aviação civil, que já sofria de uma saúde financeira asmática, pega pneumonia dupla. Primeiro a não confirmação das opções de compras e após cancelamentos, aviões novos não são retirados pelos compradores. A Swissair entra em crise financeira e o governo da Suíça força uma fusão com a Crossair. Resultado a encomenda dessa empresa passa a ter o risco de ser cancelada ou no mínimo reduzida.

O Núcleo do Furacão: Lastreada nas encomendas da família ERJ145 a Embraer sai à luta, para trazer meios de como viabilizar as negociações dos EMB170/190. Algumas vendas residuais para Alitalia e LOT. Porém onde arranjar financiadores de exportação dos jatos? Negociações com as empresas: regionais, low fare, "fractionals". Como superar o "Scope Clause", que cria um vácuo no segmento dos aviões de 70-110 passageiros? Concorrentes sucumbem como a Dornier.

A Bonança I: A US Airways contrata David Siegel, para sair do Chapter 11(Concordata), o mesmo que abriu as portas do ERJ145 na Continental e ao mercado americano. Companhias Low Fare (JetBlue) aproximam-se . Porém as Scope Clause ainda travam as negociações.

A Bonança II: Após sair da tempestade a primeira ação é avaliar os danos e a EMBRAER avaliou que estava em bom estado, porém duas palavras eram cruciais: Crédito e Scope Clauses. O projeto avança e passa as etapas de engenharia e dá início aos testes de certificação sem maiores dificuldades.

A Bonança III: Corrida para garantir créditos, junto a cálculos estruturais e aerodinâmicos estão ao lado de complicadas engenharias financeiras. Os bancos estão arredios, a capacidade de crédito estatal brasileira é limitada. Surgem os contratos com a US Airways, segue s JetBlue e no Fim do Ano, na terra do inimigo, a Air Canada. A Scope Clause é vencida. A Honeywell não consegue terminar todos os procedimentos burocráticos para a certiciação do avião e é atrasado de 2003 para 2004, Aviões prontos são estocados no pátio. Até sambas, a pedido do presidente do BNDES, entram nas difíceis negociações com o banco de crédito estatal.

O Porto (a batalha começa): A data de 9 de fevereiro marca o roll-out do modelo EMB190. O projeto do grande avião da empresa brasileira produtora de jatos pequenos, já não é visto como curiosidade. Os dois grandes (Airbus e Boeing) dizem não temer, mas ... analisam e o então terceiro produtor mundial (Bombardier), anuncia que iniciará o desenvolvimento de um avião de 110-130 passageiros.

Como disse Maurice Sutter, em 2001, "É o avião do tamanho certo, no momento certo."

A EMBRAER projetou, desenvolveu e produziu o maior avião civil já realizado fora da: Europa, Estados Unidos ou Rússia. Defesanet envia seus cumprimentos à Direção, Equipes Técnicas e Funcionários pela realização desse projeto de Engenharia Aeronáutica, Financeira e de Estratégia.

No dia 12SET05, os dados de venda eram 418 ordens firmes e 379 opções, com 66 aviões entregues(EMB170), até 30 JUN05. Comparando à família ERJ145 com: 898 ordens firmes, 228 oções e 831 aviões entregues.

Para encerrar uma pergunta: Quando nós brasileiros podermos ver os EMB170/190 operando nos céus brasileiros? Empresas de dez países já encomendaram aviões da Família EMB170/190. Ou a derrama tributária continuará a boicotar o melhor do Brasil?

 
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