" A
pobreza e a miséria que atingem milhões de homens e mulheres no
Brasil, na América Latina, na África e na Ásia, nos obrigam a
construir uma nova aliança contra a exclusão social. Estou convencido
de que não haverá desenvolvimento econômico sem sustentabilidade
social e que, sem ambos, teremos um mundo cada vez mais inseguro. É
nesse espaço de desagregação social que prosperam os ressentimentos, a
criminalidade e, em especial, o narcotráfico e o terrorismo."
"Recomendo a meus colegas aqui presentes
a leitura atenta dessas propostas. A fome é uma realidade intolerável.
Sabemos que existem plenas condições para superar esse flagelo. Minha
proposta - antecipada em Porto Alegre e Davos - é que seja criado um
fundo mundial capaz de dar comida a quem tem fome e, ao mesmo tempo,
de criar condições para acabar com as causas estruturais da fome. É o
que estamos começando a fazer no Brasil. Há várias formas para gerar
recursos para um fundo dessa natureza. Dou dois exemplos. O
primeiro é a taxação do comércio internacional de armas - o que traria
vantagens do ponto de vista econômico e ético. Outra possibilidade é
criar mecanismos para estimular que os países ricos reinvistam nesse
fundo percentagem dos juros pagos pelos países devedores.
Alguns países desenvolvidos têm apresentado propostas para enfrentar
esse problema. São iniciativas válidas, que merecem ser consideradas.
"
A reiteração da
proposta, que tem sido o mote da atual administração, em fóruns
mundiais à nível de governo, merece uma análise mais aprofundada.
Quando da apresentação da proposta no início do
ano Defesanet emitiu o boletim Desarmamentismo. Na
época chamávamos a atenção para o efeito, que pode ser gerado de uma
postura de governo no apoio sistemático desses pleitos em fóruns
internacionais.
O governo tem usado duas
linguagens uma interna e outra externa.. A que tem sido acompanhada
por fatos reais é a linguagem externa de apoio às propostas
apresentadas desde o primeiro dia de governo. Essa propostas tem
desdobramentos importantes . Não somente pela questão do investimento
em defesa, mas por ações de governo críticas ao apoio de indústrias de
alta tecnologia e defesa.
As negativas
sistemáticas que a atual administração do BNDES no apoio e
financiamento de projetos de alta tecnologia e exportação. O
documento Retomada do
Desenvolvimento: Diretrizes para a Atuação do BNDES apresentado,
no dia 23 Maio 03, mostra o banco voltado para essa área. Posição essa
que tem levado a inclusive a intervenção do Palácio do
Planalto.
Rápido o Presidente
Jacques Chirac apoiou a proposta de taxação de
vendas de armamentos, porém achou de difícil execução, e propôs que
fosse aplicada a venda de armas individuais( Le Monde 02JUN03).
Armas individuais, que por acaso, é um ramo que a França
não tem participação alguma.
Portanto, o
discurso externo para ser mais crível, precisa do ações internas.
Nesse ritmo e como certamente o Presidente Luiz
Inácio apresentará a proposta na Assembléia Geral da
ONU, no segundo semestre, qual o discurso interno e as
ações para 2004 até 2006?
No discurso na OIT
o Presidente Luiz Inácio afirmou:
"De todas
as partes do mundo me chegam manifestações de apoio e solidariedade à
nossa guerra contra a fome e a pobreza. Aliás, a única guerra que nos
interessa."