COBERTURA ESPECIAL - Dossiê EMBRAER - Aviação

17 de Agosto, 2018 - 10:45 ( Brasília )

Money Times: Quanto vale a Embraer? UBS e Morgan Stanley opinam


Gustavo Kahil
Money Times

 

O UBS voltou a fazer a sua análise nesta quarta-feira (15) sobre as ações da Embraer (EMBR3), mas não chegou a números que possam animar muito os investidores. A avaliação do time composto por Myles Walton, Louis Raffetto e Emilee Deutchman chegou a um preço-alvo de US$ 20 por papel negociado em Nova York, que representa os ativos negociados no Brasil. Como ele é negociado a US$ 18,65 (preço de quarta-feira), o potencial de valorização é de 7%. Por isso a recomendação apenas neutra.

“A Embraer tem sido um ator disruptivo no mercado de aviação por 20 anos. Eles investiram generosamente em inovações de produto non segmento comercial, jatos executivos e na área militar, mas nunca alcançou retornos adequados”, apontam os analistas.

Eles lembram que a joint-venture recente na aviação comercial com a Boeing ficará com a fatia mais atrativa, deixando as unidades de jatos executivos e de Defesa com a brasileira, que têm apresentado desempenhos inconsistentes.

O Morgan Stanley, por sua vez, optou por elevar a recomendação de equal-weight (neutra) para overweight (compra – alocação acima da média) nesta quinta-feira (16) e citou que a queda recente dos ativos desde a parceria com a Boering, de 29%, os deixou mais atraente.

O preço-alvo foi elevado de US$ 20,90 para US$ 23,50. “Além disso, acreditamos que o mercado está atribuindo pouco valor para as divisões executiva e de defesa e também potencialmente colocando no preço um excesso de risco de que o acordo seja bloqueado”, destaca a equipe de análise liderada por Josh Milberg.

E o que ficou?

O UBS assume que o negócio de aviação comercial é vendido para a Boeing (80%, continuando 20% para a Embraer), o que criaria US$ 14 em dinheiro. Este segmento responde por 75% do Ebitda ajustado esperado para 2018 e praticamente 100% do reportado, o que sugere uma projeção para 2019 com 18% de melhora para as áreas restantes executiva e defesa.

Segundo os analistas, o múltiplo pago pelo mercado também não deverá ser maior do que 4 a 5 vezes dado o nível atual de 6,7 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda atual e que considera a companhia inteira.

O banco tem uma perspectiva “modestamente positiva” para os jatos executivos devido ao estoque de usados e a estabilização de preços. Entretanto, o crescimento da utilização permanece baixo e a concorrência de fabricantes de peças permanece alta.

O relatório pontua que outros concorrentes subsidiam seus negócios de peças com pós-venda, mas a jovem frota da Embraer a coloca em desvantagem. Na Defesa, o avião KC-390 é visto como um produto forte, mas a incerteza política e orçamentária no Brasil reduz o otimismo. Por fim, o aumento de subsídios podem acabar por compensar as sinergias compartilhadas do novo negócio de jatos sob o controle da Boeing.

Boeing aponta responsável por unir equipes de engenheiros com Embraer¹

A Boeing confirmou que o vice-presidente e chefe da área de sistemas na unidade de Defesa, Segurança e Área Espacial da companhia, Chris Raymond, será o executivo responsável diretamente por conduzir os trabalhos de integração das equipes de engenheiros da Embraer e da empresa americana.

A informação, dada pelo diretor financeiro da Boeing, Greg Smith, em evento para investidores organizado pela Jefferies na segunda-feira (13), foi confirmada nesta quinta-feira (16) pela área de comunicação da Boeing no Brasil.

Boeing e Embraer estão definindo os detalhes da joint venture que vai controlar os negócios de aviação comercial da empresa brasileira. A empresa americana será dona de 80% da área de jatos comerciais da fabricante brasileira.

As tratativas foram iniciadas em dezembro do ano passado, depois formalizadas em memorando de entendimento assinado em julho último, mas ainda precisam percorrer os processos de aprovações nas assembleias de acionistas das duas companhias, dos governos brasileiro e americano e dos órgãos reguladores de aviação e de concorrência.

As ações da Embraer operam em alta nesta quinta-feira na bolsa brasileira B3, com valorização de 3,22%, cotadas a R$ 18,89 por volta das 13h - uma das principais altas do Ibovespa, que avançava 0,18% a 77.215 pontos.

Hoje, a Embraer recebeu recomendação de compra para o recibo de ação (ADR) pelo Morgan Stanley, com preço-alvo de US$ 23,50. Já o UBS iniciou a cobertura do ADR da Embraer com recomendação de neutra e preço-alvo de US$ 20,00.

¹com Valor Econômico -
João José Oliveira

 

 


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