COBERTURA ESPECIAL - Dossiê EMBRAER - Aviação

01 de Agosto, 2018 - 10:40 ( Brasília )

Embraer reforça que prevê concluir negócio com Boeing até 2019

Na véspera, empresa informou que foi intimada a se manifestar sobre uma ação movida por 4 deputados que pedem a suspensão das negociações.

A Embraer manteve a previsão de que transação com Boeing estará concluída até o fim de 2019, conforme reforçou nesta terça-feira (31), aproveitando a divulgação de seu balanço, no qual registrou um prejuízo líquido atribuído aos acionistas de R$ 467 milhões no segundo trimestre.

“A Embraer espera que esta transação seja concluída até o final de 2019, e uma vez finalizada, deverá trazer recursos significativos em caixa para reforçar o balanço patrimonial da Embraer e gerar lucros significativos aos seus acionistas”, disse a empresa brasileira.

A empresa informou que foi intimada a se manifestar sobre uma ação movida por 4 deputados que pedem a suspensão das negociações para a fusão da empresa brasileira com a Boeing. A empresa disse que “adotará todas as medidas necessárias para exercer seu direito de defesa perante o juízo competente”.

Entenda o acordo

Em 5 de julho, a companhia anunciou que assinou um acordo preliminar e não vinculante com Boeing, por meio do qual as partes estabeleceram as premissas básicas para uma potencial combinação de determinados negócios, que incluirá a criação de uma joint venture (nova empresa).

A nova empresa vai assumir os negócios de Aviação Comercial da Embraer e de suas operações relacionadas, serviços e capacidades de engenharia. A Boeing, que após o fechamento da transação, terá 80% da joint venture, pagando US$ 3,8 bilhões, enquanto a Embraer reterá uma participação de 20%.

A Embraer reiterou que manterá as unidades de negócios de Aviação Executiva e de Defesa & Segurança, bem como suas operações relacionadas, serviços e recursos de engenharia.

A fabricante destacou que as duas empresa entrarão em contratos operacionais de longo prazo envolvendo serviços de engenharia, licenças recíprocas de propriedade intelectual, acordos de pesquisa e desenvolvimento, acordo de compartilhamento e uso de certas instalações e tratamento preferencial no fornecimento de certos produtos, componentes e matérias-primas.

“Além disso, a Boeing e a Embraer avaliarão a viabilidade de investimentos conjuntos para a promoção e desenvolvimento de novos mercados e aplicações para produtos e serviços de defesa, especialmente o KC-390, em oportunidades identificadas conjuntamente”, disse a fabricante brasileira.

A Embraer e a Boeing iniciaram negociações sobre os documentos finais da transação, que orientarão de forma vinculante, a estrutura e os termos financeiros da transação em bases mutuamente satisfatórias.

A Embraer disse que, após a conclusão das diligências e da auditoria de desmembramento, e no caso da Boeing e a Embraer chegarem a um consenso sobre tais documentos definitivos da transação, as partes enviarão as aprovações necessárias para a conclusão da transação, incluindo, entre outras:

aprovação pelo governo brasileiro;

aprovações pelos órgãos corporativos competentes de ambas as partes envolvidas na transação;

aprovação de autoridades antitruste.
 

Embraer tem prejuízo líquido de R$ 467 milhões no segundo trimestre¹

A Embraer registrou um prejuízo líquido atribuído aos acionistas de R$ 467 milhões no segundo trimestre, ante um lucro de R$ 200,9 milhões no mesmo período do ano passado, em um trimestre marcado pelo menor número de entregas e aumento dos custos com o desenvolvimento do cargueiro militar KC-390.

Excluindo impostos diferidos, contribuições sociais e itens especiais, o lucro líquido ajustado foi de R$ 2,3 milhões, ante lucro de R$ 409,4 milhões no segundo trimestre do ano passado, informou a fabricante de aeronaves brasileira nesta terça-feira (31).

O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) despencou 83% para R$ 140,4 milhões no segundo trimestre, incluindo o impacto negativo, não recorrente, de R$ 458,7 milhões referente à revisão da base de custos do contrato de desenvolvimento do cargueiro KC-390, em decorrência do incidente com o protótipo ocorrido em maio. 

A margem Ebitda despencou para 3,1% no segundo trimestre, ante 14,6% um ano antes.

Sem contabilizar a revisão do custo do cargueiro, o Ebitda ajustado recuou para R$ 599,1 milhões, ante R$ 803,4 milhões no mesmo período de 2017. A margem Ebitda ajustada caiu para 13,2%, ante 14,1% um ano antes.

"A companhia reafirma todas as suas estimativas financeiras e de entregas para 2018, que não incluem o impacto não recorrente da revisão de base de custos do KC-390, ocorrida no segundo trimestre", disse a Embraer em nota de divulgação do resultado.

A receita líquida da Embraer recuou 20% para R$ 4,533 bilhões no segundo trimestre, devido ao menor número de entregas nos segmentos de aviação comercial e executiva e à queda de 90% na receita do segmento de defesa e segurança por conta do incidente com o KC-390. A margem bruta consolidada caiu para 10,7%, ante 17,8% no segundo trimestre do ano passado.

No segundo trimestre, a Embraer entregou 28 aeronaves comerciais e 20 executivas, ante entregas totais de 59 aeronaves no segundo trimestre do ano passado. Apesar do recuo, a Embraer mantém a previsão de entregar de 85 a 95 jatos comerciais e 105 a 125 jatos executivos no ano.
Acordo com a Boeing

A Embraer fechou neste mês um acordo com a norte-americana Boeing para a formação de uma joint venture de R$ 4,75 bilhões da área de aviação comercial. A Boeing assumirá o controle da divisão de aviação comercial, a maior geradora de receita da empresa brasileira, com participação de 80% da joint venture.

O segmento de Aviação Comercial respondeu por 60,5% da receita líquida total da Embraer, ante 52,8% um ano antes, enquanto a participação do segmento de Defesa & Segurança recuou para 2,2%, ante 17,1% em 2017, em função da queda da receita no período.

Já o segmento de Serviços & Suporte teve crescimento de 18% da receita, para R$ 918,5 milhões, respondendo por 20,3% da receita líquida da companhia, ante 13,7% no mesmo período de 2017.
Dívida e investimentos

A Embraer gerou R$ 175,5 milhões de fluxo de caixa livre ajustado no segundo trimestre, e no final de junho tinha uma posição de caixa de R$ 12,88 bilhões, com uma dívida bruta de R$ 15,66 bilhões.

O aumento da dívida líquida de 10,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior, para R$ 2,781 bilhões no fim de junho, refletiu a variação cambial no período, disse a empresa.

A Embraer investiu R$ 58,6 milhões no segundo trimestre, elevando o total aplicado no primeiro semestre a R$ 132,6 milhões. A empresa acredita que os gastos de capital devem aumentar no segundo semestre, mas devem ficar abaixo dos US$ 200 milhões estimados pela companhia para o ano.

¹por Raquel Stenzel, Reuters.

 


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