30 de Janeiro, 2008 - 12:00 ( Brasília )

Defesa

SOFA - Acordo Brasil-França: SOFA -Comentário


 

Acordo Brasil-França: SOFA
(Status of Forces Agreement)
Inclui vídeo - 2025 Forces Terrestres en Action



Nelson Düring
Editor Chefe DefesaNet


O acordo estratégico assinado ontem entre o Brasil e a França está sendo pouco compreendido na imprensa brasileira. Talvez por desconhecer a amplitude dos interesses convergentes nos últimos anos entre os dois países.

O acordo designado preliminarmente de SOFA (Status of Forces Agreement) permitirá, inicialmente, aos aviões militares franceses de penetrar e voar livremente no espaço aéreo do Brasil sem ter a pedir uma autorização de sobrevôo prévia, e aos aviões brasileiros que também possam penetrar no espaço aéreo da Guiana.

Nota interessante é que para a primeira Manobra de Paz Cruzeiro do Sul, 1996, foi necessário votar urgente no uma lei que permitisse o trânsito e tropas estrangeiras com seu equipamento e armamento em território nacional. Assim tropas da Argentina, Uruguai e Paraguai puderam se reunir às tropas brasileiras em Rosário do Sul (RS).

Após o 11 de Setembro, a França procurou reforçar a segurança do Centro de Lançamentos Espacial de Kourou, localizado na Guiana. O Centro de Kourou é essencial para os programas espaciais, não só da França, como da Europa. Lembrar que todos os satélites de comunicação da Embratel, tanto no período estatal ou privado, foram ao espaço em foguetes lançados ali.

Fontes militares francesas foram claras ao explicitar à DefesaNet a necessidade de buscar o Brasil como parceiro estratégico na defesa da Guaiana."Os brasileiros sabem operar na floresta tropical, tanto o exército como a aeronáutica com os aviões de inteligência (2°/6° Guardião)”, afirmou o oficial.

E em tempos de ventos bolivarianos a necessidade de ter um aliado local tornou-se mais urgente.

A assinatura deste acordo será simbolizada pela pedra fundamental da ponte que ligará o Brasil à Guaiana sobre o Rio Oiapoque, que ocorrerá no dia 12 de Fevereiro com a presença dos presidentes Sarkozy e Luiz Inácio Lula da Silva. O acordo relativo às áreas de aduana, e outros tópicos estão sendo delineados para estarem prontos para assinatura em Fevereiro pelos presidentes.

Será a primeira vez que a França assinará um acordo deste tipo com um país que não faz parte da OTAN. O primeiro resultado prático deste acordo será a presença, a partir do mês de Abril de 2008, de aviadores navais franceses, com os seus caças Super Etendard, à bordo do porta-aviões brasileiro A-12 "São Paulo". Com a parada para manutenção geral do porta-aviões nuclear francês Charles de Gaulle os franceses procuram alternativas para manter operacionais e proficientes as suas tripulações. Assim aviões franceses voltam a operar no ex-Foch, da Marine Nationale, desde 2000 operando na Marinha do Brasil como A-12 São Paulo.

Um regresso às origens para os pilotos dos esquadrões de Super Etendard 11F e 17F, que poderão assim, manterem as suas habilitações de operar em porta-aviões.

Por problema de capacidade das catapultas do A-12 São Paulo os caças Rafale M no período de parada do Charles de Gaulle operarão embarcados em um porta-aviões da US Navy, o CVN-69 USS Eisenhower .

Além das negociações para o submarino convencional como um know-how para o projeto e desenvolvimento de um futuro submarino com propulsão nuclear. E do caça dentro do programa F-X2 algumas outras tecnologias chamam a atenção dentro da apresentação feito pelo Delegado Geral de Armamento, da DGA, Francois Lureau ao Ministro Jobim e delegação.

O Ministro Jobim mostrou interesse no Programa Soldado Futuro da França. São várias tecnologias que estão sendo desenvolvidas em especial dentro do programa FELIN (Fantassin à Équipement et Liaisons Integres). Uma tradução livre é: Infante com Equipamentos e Comunicação Integrados.

O Programa FELIN da França é acompanhado por de outros países, tais como: MARKUS (Suécia), FIST (Inglaterra), System Soldat Infanterist der Zukunft - IdZ (Alemanha), Soldato Futuro (Itália), ANOG (Israel), Individual Soldier's Military Equipment (Rússia) e o African Warrior (África do Sul), entre outros.

Esses programas procuram integrar não só os infantes mas fazer o veículo blindado de transporte de infantaria, como o francês VBCI e os alemães Puma e Boxer, como pontos de apoio dentro do conceito de Guerra Centrada em Redes (Network Centric Warfare) ao infante.

Recomendamos a leitura do trabalho de Alexandre Beraldi O Histórico da Evolução do Fuzil de Assalto, a Atualidade e o Contexto Brasileiro .

No momento em que o Exército dá partida ao Programa VBTP-MR (Veículo Blindado de Transporte de Pessoal – Médio de Rodas ) é a oportunidade de ter contato com estes programas.

 

Vídeo 2025 - Forces Terrestres en Action. Vídeo lançado em 2006 durante a
EUROSATORY pelo DGA mostrando a interação dos principais projetos franceses
para a força terrestre: VBCI, FELIN, UAVs, etc.