16 de Setembro, 2012 - 22:00 ( Brasília )

Defesa

DEFESA - Militares festejam reajuste e mais verbas

Aumento salarial de 30% e novo investimento em projetos estratégicos deixam Forças Armadas otimistas

Júnia Gama

 

BRASÍLIA - A despeito da criação da Comissão da Verdade, que tanto irritou a caserna, é de otimismo o clima no Ministério da Defesa e, especialmente, nos comandos militares. O motivo é a evolução orçamentária do setor nos últimos anos, principalmente para projetos estratégicos, que estão sendo desenvolvidos após anos de espera.

Alguns desses projetos devem ser finalizados já em 2013. Além disso, o ministro da Defesa, Celso Amorim, comemorou o fato de o governo ter assegurado aos militares um aumento salarial de 30%, contra os 15% dado aos civis. Isso em meio à contenção geral de despesas, devido à crise internacional.

Em entrevista exclusiva ao GLOBO, Amorim, o ex-chanceler de Lula, diz que a questão dos vencimentos provocava mais incômodo na caserna do que a criação da Comissão da Verdade. E a Estratégia Nacional de Defesa, plano ambicioso para o setor, animou os militares, especialmente pelo programa Prosub, o dos submarinos.

Compra de caças não será este ano

Para Amorim, a preocupação com o fortalecimento das Forças Armadas vem crescendo no país, mas ainda "há muito a ser feito" para que o Brasil tenha capacidades de cooperação e dissuasão satisfatórias. Ele antecipa que a compra dos caças, tida como prioritária pela Aeronáutica, não deve mais ocorrer este ano.

A melhora no orçamento da Defesa começou a ser sentida a partir de 2007, mas aumentou nos últimos dois anos o comprometimento do governo com a liberação efetiva dos recursos. Entre 2003 e 2011, o orçamento da Defesa cresceu duas vezes e meia, passando de R$ 24,85 bilhões para R$ 61,2 bilhões.

Desde 2010, o volume de recursos gastos tem sido maior do que o previsto: em 2010, estavam previstos no Orçamento R$ 12,6 bilhões e foram gastos R$ 15,1 bi; em 2011, eram R$ 13,4 bilhões orçados e foram executados R$ 14,2 bi.

O Brasil historicamente ocupa posições secundárias nos rankings de capacidade de defesa, mas, segundo o ministro, não é essa a preocupação. O que inquieta é a necessidade de equipar devidamente as Forças Armadas.

- Existe de parte da presidenta Dilma, e existiu do presidente Lula, visão muito clara da importância do Brasil no mundo. Não se pode ter a sexta economia, ser membro dos Brics e do G-20, ter toda a importância que o Brasil assumiu e não ter Forças Armadas devidamente equipadas. Para se defender e para atuar em operações de paz e outras situações.

O PROSUB, que tem R$ 2,26 bilhões previstos no Orçamento de 2013, prevê a construção de cinco submarinos até 2025, quatro convencionais e um a propulsão nuclear. A primeira medida será a construção de uma base militar e de um estaleiro em Itaguaí (RJ). As primeiras partes do primeiro submarino já estão prontas. Foram construídas na França e serão enviadas em breve ao Brasil, para serem finalizadas no novo estaleiro.

Além do programa dos submarinos, a Estratégia Nacional de Defesa tem o programa KC-390, que prevê a construção de um jato militar de transporte pela EMBRAER. O jato poderia ser usado para reabastecimento de outros aviões em voo. A meta é substituir os aviões Hércules C-130. Em 2013, a Aeronáutica receberá R$ 1,15 bilhão para o projeto.



Ministro diz que há uma percepção da
importância das Forças Armadas


BRASÍLIA - Em relação às condições de vida dos militares, o ministro Celso Amorim também aponta "sensibilidade do governo", afirmando que foi feito o possível na concessão do reajuste. O ministro evita ecoar voz corrente na Esplanda de que Dilma e Lula, que combateram a ditadura, foram os que mais fortaleceram o setor, mas reconhece que a área evoluiu bastante, embora ainda falte muito a ser feito.

O governo melhorou o salário dos militares, e o orçamento do setor vem crescendo. Estão satisfeitos?

Nós estamos caminhando, mas a médio prazo muito mais terá de ser feito. Ano a ano, os recursos para investimento e custeio das Forças têm aumentado. Minha expectativa é que possa aumentar. Não há compromisso prévio da presidenta, mas há uma percepção da importância das Forças Armadas, do papel do Brasil no mundo e na região.

Está superada a crise na Defesa por causa da Comissão da Verdade?

Não diria que houve crise; houve manifestações. Não quero reacender problemas que, a meu ver, estão superados. Sempre tive apoio dos comandantes militares, que atuaram de forma muito correta e leal, em sintonia com as necessidades do governo e apaziguando. Isso foi obtido, e estamos numa situação tranquila.

Fica-se em estado de alerta com a Comissão em funcionamento?
De alerta, não. Há indagações que a Comissão faz e são respondidas, com a transparência do que é disponível. Não dá para refazer os fatos ocorridos no passado. Dá para dizer o que e como aconteceu.

Dilma e Lula foram mais sensíveis às demandas da Defesa?
Comparar presidentes é coisa de alto risco. O que posso dizer é que presenciei decisões (dos dois) que demonstram o total engajamento de um e de outro com os programas e projetos das Forças Armadas. Acabamos de ver o que aconteceu em relação aos salários, é óbvio que houve uma consideração especial com os militares.