03 de Março, 2012 - 12:00 ( Brasília )

Defesa

Antártica - Reunião na Defesa discute novas providências para a retomada das pesquisas na Antártica


Brasília, 02/03/2012 – O ministro da Defesa, Celso Amorim, reuniu-se hoje com representantes da Marinha e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para tratar de novas providências após o incêndio que destruiu cerca de 70% da Base Antártica Comandante Ferraz.

Amorim ouviu do secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm), contra-almirante Marcos José de Carvalho Ferreira, um relato detalhado do acidente, com imagens e slides que revelaram a evolução do incêndio e as instalações atingidas. As fotografias mostram a casa de máquinas da estação, local onde se localizam os três geradores a diesel que foram completamente destruídos pelas chamas.

Segundo o representante da Cirm, há indícios de que o incêndio iniciou-se no local onde se encontram esses geradores. As causas do incêndio, no entanto, só deverão ser apontadas após a conclusão da perícia que já está sendo realizada na estação. Uma equipe de sete peritos da Marinha foi deslocada, no início da semana, até a base brasileira para a realização do trabalho.

As conclusões da perícia deverão integrar o inquérito policial militar instaurado pela força marítima logo após o acidente. Os responsáveis pelo inquérito têm, pelo regulamento vigente, 40 dias, prorrogáveis por mais 20 dias, para concluir a tarefa.

O navio antártico Almirante Maximiano, que integra o Proantar, já se encontra próximo à estação e tem prestado apoio aos militares do grupo-base do programa que lá se encontram. Durante a reunião, foi informado que o incêndio não atingiu os módulos científicos, os refúgios (para abrigo em caso de emergência), os tanques de combustível e o heliponto. Essas estruturas ficam isoladas do prédio principal, destruído pelas chamas, e que abrigava a parte habitável, além de laboratórios de pesquisa da estação.

As equipes que se encontram no local realizaram uma avaliação preliminar de riscos de impacto ambiental. Foi constatado que os tanques de combustível estão em bom estado e que o paiol de mantimentos também não apresenta riscos. Já estão sendo tomadas providências para a retirada dos gêneros alimentícios armazenados na base e queimados durante o incêndio, para evitar a atração de animais. Também deverão ser tomadas providências para remoção das cinzas e dos escombros da estação, assim que for concluída a perícia.

Futuro

Os representantes da Marinha e do MCTI apresentaram sugestões sobre os próximos passos a serem dados para prosseguimento do Proantar e reconstrução da base. A idéia inicial é realizar o trabalho em duas etapas.

A primeira transcorreria ainda este ano e englobaria a construção de módulos antárticos emergenciais para abrigar parte dos pesquisadores, bem como a equipe responsável pela construção da nova base e algumas áreas de pesquisa. Nessa etapa, ainda seria elaborado um projeto inicial da nova estação.

Numa segunda etapa, em 2013, seria elaborado o projeto detalhado da nova estação, a ser submetido à aprovação dos membros do Tratado Antártico. Uma vez aprovado o projeto, a nova estação antártica brasileira poderia ser construída no verão de 2013/2014. A nova base deverá ser erguida no mesmo local da anterior com projeto arquitetônico moderno, adaptado às atuais exigências da comunidade científica brasileira.

Ainda durante o encontro foi feito um relato da reunião realizada ontem entre o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, e pesquisadores associados ao Proantar (veja nota com um resumo dos temas tratados nessa reunião). Foi mencionada também a possibilidade de arrendamento de um terceiro navio para apoiar a pesquisa originalmente realizada a partir da estação. A avaliação preliminar é de que a destruição da base impactou 40% das pesquisas brasileiras realizadas no continente gelado. O restante das pesquisas prosseguirá mesmo sem o apoio da estação.