20 de Dezembro, 2011 - 09:28 ( Brasília )

Defesa

DEFESA - Dilma quer aparelhar as Forças Armadas

Presidente promete fortalecer o Exército, a Marinha e a Aeronáutica em prol do desenvolvimento do país

Nota DefesaNet - Vários jornais trataram dos discursos da presidente Dilma aos oficiais-generais na segunda-feira. O artigo do Correio Braziliense é o mais completo

A presidente Dilma Rousseff defendeu ontem o aparelhamento das Forças Armadas, que são, segundo ela, fundamentais para o desenvolvimento do país. A afirmação, feita no Palácio do Planalto, durante discurso na apresentação de oficiais generais recém-promovidos, foi repetida em seguida em almoço de confraternização no Clube da Aeronáutica de Brasília. A plateia, formada por militares e familiares, recebeu a mensagem como uma resposta a um recente relatório encaminhado ao Planalto pelo Ministério da Defesa evidenciando o sucateamento da área.

Segundo Dilma, que quebrou o protocolo e chegou a trocar beijinhos com alguns generais, o crescimento econômico brasileiro vai exigir do país uma grande preocupação com a indústria nacional, "em especial, a indústria da defesa e também nossa capacidade de incorporar ciência, tecnologia e inovação nos serviços e bens militares", ressaltou a presidente, lembrando a tradição pacifista do país. "O Brasil é um país pacífico, que possui relações baseadas na cooperação e no diálogo, especialmente com nossos vizinhos, com quem mantemos há mais de 140 anos relações amigáveis."

Sem fazer menção à ditadura militar, Dilma ressaltou a participação que as Forças Armadas têm hoje no processo democrático. "Nossos soldados reconhecem seu papel com partícipes de uma política de Estado, a política de defesa que deve guardar perfeita coerência com as aspirações do povo brasileiro, traduzidas por seus representantes democraticamente eleitos."

Temas delicados ficaram fora do discurso, como o impasse na compra dos jatos ou o relatório preparado pelos três comandantes militares e entregue ao Palácio do Planalto em novembro. O texto criticava o mau estado do aparelhamento das Forças e afirmava que a situação inviabilizaria as tentativas brasileiras de ter um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Dilma limitou-se a dizer que pretende manter os projetos prioritários, mas não os citou explicitamente. "Prosseguiremos com os projetos prioritários de aparelhamento das Forças, sem deixar de valorizar os homens e as mulheres que tornam esses projetos possíveis. (...) O país com o qual sonhamos precisará cada vez mais das Forças Armadas equipadas e qualificadas para o cumprimento de suas funções", afirmou a presidente.
 
Integração

Além do aparelhamento, Dilma defendeu uma integração maior entre Exército, Aeronáutica e Marinha, articulados por meio do Ministério da Defesa. Melhorar o trabalho conjunto também será fundamental, segundo a presidente, para o desenvolvimento de uma tecnologia própria na área, estratégia que o Brasil persegue e tem pautado todas as negociações para a compra de equipamentos desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em um breve resumo de seu primeiro ano de governo, a presidente afirmou ainda que, até outubro, o país gerou 2,2 milhões de empregos formais. "A inflação está sob controle e avançamos ainda mais no nosso esforço de consolidação fiscal com uma política monetária que permite margem de manobra em relação aos juros."