06 de Dezembro, 2011 - 21:32 ( Brasília )

Defesa

Brasil pode ter mais que o dobro de investimentos e empregos no setor de defesa nos próximos 20 anos

Meta é chegar a cerca de 300 mil postos de trabalho diretos e indiretos e ocupar a 15ª posição no ranking dos grandes players mundiais

O setor de defesa no Brasil está em plena ascensão. A ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança), representante oficial do segmento no País, deve fechar o ano de 2011 com 150 empresas associadas. Em 2010, esse número era de 120, sendo que 2009 não passava de 98. De acordo com a entidade, as companhias que atuam no mercado de defesa geram, juntas, cerca de 25 mil empregos diretos e 100 mil indiretos, movimentando mais de US$ 2,7 bilhões/ano, sendo US$ 1 bilhão em exportação.
 
Conforme estudo realizado pela ABIMDE, esse número pode mais que dobrar nos póximos 20 anos devido aos grandes projetos anunciados pelo governo nos últimos meses. A expectativa é que os investimentos girem na ordem de US$ 120 bilhões a longo prazo, sendo R$ 40 bilhões já anunciados para programas voltados para vigilância das fronteiras marítimas, aéreas e terrestres do País, entre eles Sisfron (Sistema de Vigilância da Fronteira), Sisgaaz (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul), Prosuper e F-X2. "Os grandes projetos significam grandes desafios. Com competência, criatividade e vontade de todos os envolvidos, a indústria nacional tem condições de participar de modo marcante nestes projetos. Cada vez mais as empresas brasileiras estão se apresentando às autoridades governamentais como capazes de oferecer produtos e serviços com a qualidade requerida pelas Forças Armadas e Órgãos de Segurança Pública, criatividade nas soluções e conteúdo nacional conforme preconizado no Plano Brasil Maior", explica Orlando José Ferreira Neto, presidente da ABIMDE.
 
De acordo com Ferreira Neto, até 2020 o Brasil tem a possibilidade concreta de praticamente dobrar o número de postos de trabalho altamente especializados. A estimativa é que o setor gere cerca de 48 mil postos diretos e 190 mil indiretos. Já em 2030, a expectativa é ainda melhor, passando para 60 mil novas vagas diretas e 240 mil indiretas. Esse cenário pode colocar a indústria brasileira em 15º lugar no ranking dos grandes players mundiais de defesa. Atualmente, a melhor colocação brasileira está com a Embraer S/A, que ocupa a 95ª posição, segundo pesquisa da Defense News Top 100.
 
Um fator que pode ser primordial para consolidar o setor no País é o apoio do governo. Recentemente, a presidenta Dilma Rousseff assinou a Medida Provisória 544, que 
estabelece mecanismos de fomento à indústria brasileira de defesa. Ela é um desdobramento do Plano Brasil Maior, lançado em agosto e que visa o aumento da competitividade da indústria nacional a partir do incentivo à inovação tecnológica e à agregação de valor. "Nós empresários acreditamos no apoio de nossos clientes e adotamos uma postura positiva quanto ao futuro do setor. Governo e sociedade entendem melhor que defesa e segurança é assunto de abrangência nacional e não só de poucos segmentos da sociedade. O crescimento do setor representa o crescimento do Brasil", conclui o presidente da ABIMDE.