28 de Setembro, 2017 - 12:45 ( Brasília )

Defesa

Autoridades militaes da CPLP acompanham a Operação Felino


Alexandre Gonzaga

Chefes de Estados-Maiores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) estão no Rio de Janeiro para acompanhar o encerramento da Operação Felino, exercício militar conjunto e combinado que visa capacitar as forças armadas brasileiras e estrangeiras no emprego em missões de paz e ajuda humanitária, nos níveis tático e operacional.

Nesta quarta-feira (27), os militares de Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, e representantes do Ministério da Defesa (MD) e das Forças Armadas brasileiras, conheceram unidades operacionais da Marinha do Brasil, na Ilha de Mocanguê, em Niterói, além de uma visita ao Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo.

"A Operação Felino é uma oportunidade para os militares da CPLP conhecerem as nossas forças armadas e também estreitar os laços de amizade que existem entre os países que tiveram a origem comum de suas civilizações, Portugal", ressaltou o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Ministério da Defesa, almirante Ademir Sobrinho.

O encerramento da Operação Felino ocorre nesta quinta-feira (28) em Resende (RJ), com a presença do ministro da Defesa, Raul Jungmann, oficiais generais da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, além dos representantes das nações de língua portuguesa. Cerca de mil militares estão desde o dia 18 de setembro participando do Exercício.



Amanhã (28), serão realizadas simulações de conflitos e outras atividades como exposição de material, patrulha mecanizada, simulações de controle de distúrbios, atendimentos a múltiplas vítimas, evacuação médica, vasculhamento, busca e apreensão e descontaminação química, biológica, radiológica e nuclear.

Hoje (27) pela manhã, os militares foram recebidos, no Monumento aos Pracinhas, pelo vice-chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx), general Décio dos Santos Brasil, e pelo chefe da Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército (DPHCEx), general Riyuzo Ikeda.

No mausoléu, estão depositados os restos mortais de 467 combatentes da Força Expedicionária Brasileira, e que lutaram no teatro de operações na Europa. O diretor do Monumento, tenente-coronel Robson de Menezes Peroni Campos, explicou detalhes sobre a história dos militares da Marinha de Guerra e Marinha Mercante, do Exército e da Força Aérea Brasileira, que morreram durante a Segunda Guerra.

O coronel Peroni fez questão de lembrar que ao repatriar, em 1960, os restos mortais, o governo português solicitou que a aeronave pousasse em Portugal para prestar uma homenagem aos brasileiros.



Para o chefe do Estado-Maior de São Tomé e Príncipe, brigadeiro general Horácio Castro da Trindade de Souza, a Felino é um exercício extremamente importante para ampliar o conhecimento. "O Exercício permite o adestramento de forma a fazer face a alguns problemas que são comuns a todos", afirmou o brigadeiro.

Na sequência, as delegações seguiram para a Base Naval, na Ilha de Mocanguê, onde subiram a bordo do Navio Doca Multipropósito Bahia, adquirido recentemente pela Marinha do Brasil e que foi projetado para o transporte e desembarque de tropas, resgate de pessoas, veículos anfíbios e equipamentos de combate diretamente na área de operações.

O navio possui capacidade para carregar e descarregar, pelo mar ou pelo ar, e para operar com embarcações de desembarque em mar aberto. O Bahia possui uma moderna estrutura de atendimento hospitalar, com centro cirúrgico, unidade de terapia intensiva, triagem e salas de recuperação pós anestésico.

Para finalizar as visitas, as comitivas da CPLP foram até o Centro de Operações da Esquadra, onde também receberam informações sobre os meios navais simulados e reais que estão sendo empregados na Operação Felino.

Exercício Felino

Cada Exercício funciona num ciclo que dura dois anos, utilizando o mesmo cenário fictício que simula situações-problema. O primeiro ciclo é realizado no formato “carta”, no qual se planeja e executa uma operação por meio de rede de computadores, como um jogo de guerra. Essa fase foi realizada no ano passado, em Cabo Verde. O segundo exercício é realizado no ano seguinte, no terreno e com a ação de tropas. Esta é a modalidade realizada, em 2017, no Brasil.

Os treinamentos da série Felino iniciaram-se no ano 2000 e são uma oportunidade de promoção da cooperação, amizade e união entre as nações. A cada biênio são colocados países diferentes para sediar o evento.

O Exercício foi batizado com o nome de Felino em razão deste mamífero selvagem estar presente nos continentes americano e africano.



Fotos: Sgt Manfrim/MD